Sábado, Janeiro 23, 2010

sempre eu quero

"Mais foi a primeira palavra que me repeti intensamente na minha infância.
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.

Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!

Domingo, Janeiro 10, 2010

Menos é mais

... é, quase um mês sem escrever!
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.

Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.

Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.

Sexta-feira, Novembro 20, 2009

Hoje vou ao Mar!

hoje vou ao mundo

vou à praia

saborear o sol

degustar o dia

imaginado as palavras que direi hoje

as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?

as perguntas

Você leu o Neruda
que te dei?

gostou de algum em especial?

gosto de um da Clarice...

o silêncio

não importa

hoje eu vou ao Mar

vou me encontrar

com o Mar

Quinta-feira, Novembro 19, 2009

tô comendo um pedaço de bolo de fubá
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho

isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira

assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou

por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?

não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências

repleta de saudades...


Quarta-feira, Novembro 18, 2009

Hoje é só mais um dia
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...

hoje é um dia

a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece

é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso

que ameniza a distãncia
suaviza a espera...

Terça-feira, Novembro 17, 2009

o que dizer

“Olá como vai?

“Você está bem?”

“Fica bem de verde!”

“Também gosto quando você corta o cabelo e...”

“A barba grisalha”

Ensaios sobre o que não disse

Entre tantas frases

Abrigadas na memória

E aninhadas no silêncio

De quem (não?) sabe o que dizer!

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Eu que pensei...

Eu que pensei

estar tudo sob controle

na mais completa harmonia

rotina generalizada acondicionada

em gavetas sob medida

eu que imaginei

ter compartimentado

embalado e rotulado

em perfeita simetria

os sentidos

vou percebendo aos poucos

que algo está fora da ordem

em desalinho

o que será?