é fome menina
que esse garoto sente
não pára quieto
olha pra todo lado
cola em tudo que é gente
é fome
imagina
e fala e faz e nem pensa pra quê
ele só quer comer junto
e arrotar no meio da gargalhada
numa tarde de domingo...
é fome sim
quem duvida?
fome de cor
de brilho
de gosto
e saliva
inteiro
pela vida
que há de viver.
sábado, abril 13, 2013
sábado, abril 06, 2013
POÉTICA
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
| maneiras de agradar às mulheres, etc Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. |
Manuel Bandeira
sexta-feira, novembro 09, 2012
eita que é saudade só o que eu sinto
chiando aqui no peito feito apito
e quando mais tempo passa
mais minto
que em tudo há graça
e acredito
eita que é cansaço só e consinto
assim ficar agora
meu grito
quieto, morno, fraco,encolhido
ou manso, tonto, parvo, recolhido
ou manco, magro, fluido, esquecido
esperando a hora
de ser rugido
quarta-feira, setembro 05, 2012
quinta-feira, junho 14, 2012
quinta-feira, maio 03, 2012
como se foi ontem
é como se foi ontem
tão tanto ainda no peito
do tantim de sorriso que vinha
da faísca do olho suspeito
do fôlego que se perdia
lembrança é fio sumido
somente sombra comigo abrigada
vem só quando a noite se guarda
quando pia rolim em dia chuvido
é como se foi ontem
e tão tanto no peito ainda
do tantin que teu olho me dava
do silêncio inquieto que me ardia
é hoje noite
que sombra traz
mais uma vez fio sumido
no pio de rolim
outra vez
faísca inquieta
silêncio incapaz
falta fôlego
e paz
em mim
tão tanto ainda no peito
do tantim de sorriso que vinha
da faísca do olho suspeito
do fôlego que se perdia
lembrança é fio sumido
somente sombra comigo abrigada
vem só quando a noite se guarda
quando pia rolim em dia chuvido
é como se foi ontem
e tão tanto no peito ainda
do tantin que teu olho me dava
do silêncio inquieto que me ardia
é hoje noite
que sombra traz
mais uma vez fio sumido
no pio de rolim
outra vez
faísca inquieta
silêncio incapaz
falta fôlego
e paz
em mim
segunda-feira, março 05, 2012
é feito areia fina
feito farinha d'água
ou pó de borboleta
nome não falta pra dar
faísca serve de apelido
ou fagulha que fácil se vê
palavras tantas que há
mesmo se o senso falha ao dizer
mas hesito definir
se o vaticínio assim assusta
deixa o rio só seguir
calar aqui guardado já não me custa
silêncio é ninho que acolhe
e nele abrigo
o que dentro do peito se recolhe
nessa cantiga de amigo
feito farinha d'água
ou pó de borboleta
nome não falta pra dar
faísca serve de apelido
ou fagulha que fácil se vê
palavras tantas que há
mesmo se o senso falha ao dizer
mas hesito definir
se o vaticínio assim assusta
deixa o rio só seguir
calar aqui guardado já não me custa
silêncio é ninho que acolhe
e nele abrigo
o que dentro do peito se recolhe
nessa cantiga de amigo
sexta-feira, novembro 18, 2011
um dia
dispense o sorriso ensaiado
o tom comportado
e vá embora
não pense no céu nublado
guarda-chuva quebrado
no frio lá fora
tudo vai se assentar
agora
esse tempo deve passar
um dia
o tom comportado
e vá embora
não pense no céu nublado
guarda-chuva quebrado
no frio lá fora
tudo vai se assentar
agora
esse tempo deve passar
um dia
quarta-feira, outubro 26, 2011
terça-feira, outubro 04, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
perfume
ah! quantas pétalas tem esse coração em flor
que desabrocha entregue
para ofertar seu perfume?
ao mundo
!!!
te amo
meu dengo...
que desabrocha entregue
para ofertar seu perfume?
ao mundo
!!!
te amo
meu dengo...
quinta-feira, março 10, 2011
segunda-feira, janeiro 10, 2011
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
segunda-feira, dezembro 06, 2010
terça-feira, novembro 30, 2010
Aniversário...
passa tempo
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
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