quarta-feira, setembro 05, 2012

quinta-feira, junho 14, 2012

quinta-feira, maio 03, 2012

como se foi ontem

é como se foi ontem
tão tanto ainda no peito
 do tantim de sorriso que vinha
da faísca do olho suspeito
 do fôlego que se perdia

 lembrança é fio sumido
somente sombra comigo abrigada
vem só quando a noite se guarda
quando pia rolim em dia chuvido

é como se foi ontem
e tão tanto no peito ainda
do tantin que teu olho me dava
do silêncio inquieto que me ardia

 é hoje noite
 que sombra traz
mais uma vez fio sumido
no pio de rolim

outra vez
faísca inquieta
silêncio incapaz
falta fôlego
e paz

em mim





segunda-feira, março 05, 2012

 é feito areia fina
feito farinha d'água
ou  pó de borboleta
nome não falta pra dar

faísca serve de apelido
ou fagulha que fácil se vê
palavras tantas que há
mesmo se o senso falha ao dizer

mas hesito definir
se o vaticínio assim assusta
deixa o rio só seguir
calar aqui guardado já não me custa

silêncio é ninho que acolhe
e nele abrigo
o que dentro do peito se recolhe
nessa cantiga de amigo



sexta-feira, novembro 18, 2011

um dia

dispense o sorriso ensaiado
o tom comportado
e vá embora

não pense no céu nublado
guarda-chuva quebrado
no frio lá fora

tudo vai se assentar
agora

esse tempo deve passar
um dia










quarta-feira, outubro 26, 2011

eu quero é esse sol imenso
rasgado
se derramando sobre mim
que eu
de boca arreganhada
o recebo
e concebo
mil raiozinhos febris
infantis
pululando no peito inflamado
de vida
eu olho pro meio da rua
sozinha
enquanto partidos leiloam idéias
passeio no passeio público vazio
o que não falta é fé
porque ainda vai dar pé
me negue quem quiser
pra chegar lá

quem

disse?

porque ainda vai dar pé
que negue quem quiser
o que não falta é fé
pra se chegar

onde?

terça-feira, outubro 04, 2011

dos dias chuvosos
fica
a brisa nas mãos
a sombrinha atrás da porta


e a boca aberta mirada pro céu
a saborear a rua no meio da vida.

segunda-feira, setembro 12, 2011

dos dias perdidos num tempo
que dorme
calado
sereno
sob
a memória
distraída

quinta-feira, agosto 18, 2011

perfume

ah! quantas pétalas tem esse coração em flor
que desabrocha entregue
para ofertar seu perfume?

ao mundo

!!!

te amo

meu dengo...

sábado, maio 14, 2011

e quantas peles
preciso ter
pra resgar inteira
enquanto amanhece

quinta-feira, março 10, 2011

são só os olhos que dizem
as palavras são dispensáveis
o silêncio é ensurdecedor
na hora de se dizer...

quanto
o tempo
está aqui

é inútil
vaga a linguagem
sou mais a imagem
que não digo
que é quieta
e se basta

basta!

a mim
assim
só.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?

Charles Bukowski

segunda-feira, dezembro 06, 2010

agora
é o tempo que escrevo
o que não leria
é o momento que em que me atrevo
e jamais saberia
se devo
ou me recolheria
a ler os livros
que nunca escreveria

terça-feira, novembro 30, 2010

Aniversário...

passa tempo
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.

segunda-feira, novembro 29, 2010

RESSALVA

Versos... não
Poesia... não
um modo diferente de contar velhas histórias

Cora Coralina (Poemas dos Becos de Goiás )

sexta-feira, novembro 12, 2010

domingo, agosto 29, 2010

domingo à tarde

ô denguin
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.

quinta-feira, agosto 26, 2010

agora

acode aqui
nénzin
acorde
acuda em mim
a corda é curta
corre apruma
segura minha mão