quinta-feira, setembro 27, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

A CADA ESTAÇÃO

LÁ VAI O TREM QUE INSISTE EM NÃO PARAR,

LÁ VAI O TREM QUE NÃO TEM HORA PRA CHEGAR.

AS LEMBRANÇAS DE MENINO?

FICARAM NO FUNDO DA MALA SEM FUNDO.

AS DE BEM MOÇO SÃO PAISAGENS LÁ ATRÁS.

AGORA, A VIAGEM É DOCE.

ESTOU ONDE DEVERIA ESTAR

E NO RITMO QUE VOU

TÃO CEDO NÃO QUERO CHEGAR.

LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM .

QUE INSISTE EM NÃO PARAR.

De Alexandre Gonzaga meu colega de teatro e parceiro nas palavras.

sexta-feira, setembro 21, 2007

sexta-feira, setembro 14, 2007

Sem que nem mesmo você saiba

"Tenho pensado sobre as sensações que me assaltam durante minhas viagens diárias do trabalho até minha casa. São sensações que oscilam entre a coragem e o medo; o ânimo e a timidez; a iniciativa e a inércia; E quando penso nesse pêndulo em que me tornei, me vejo flutuando por sobre as pessoas, os lugares, os pensamentos.
Fluida e etérea.
Sou elástica: vou e volto sem sair de mim.
Capturo por segundos o (teu) olhar que desejo e o guardo na memória.
Assim ele é meu sem deixar o lugar onde está.
É meu sem que nem mesmo você saiba.
Sinto uma solidão de um azul tão profundo que me abraça, me acaricia e aprisiona.
E aceito esse colo pela conveniência da rotina segura.
Aqui aprendi a conjugar a vida no futuro do pretérito.
Uma espera passiva por algo que, ao não acontecer confirma a espera.
Minha história é uma fotografia em cor sépia.
Esmaecida, amarelada.
Meu gosto é gostaria.
Minha vontade é só torcida.
Minha eloqüência é esse silêncio que ninguém decifra.
E mesmo assim aqui estou. Parada. Perto. Pronta.
E anseio, observo, busco em sua expressão cansada um fio de esperança, de ilusão de que você seja a exceção que procuro e que (por isso) me paralisa".


Texto inspirado na personagem "Senhora" da peça "Mais Um" do dramaturgo paulista Cássio Pires.

quarta-feira, setembro 05, 2007

segunda-feira, setembro 03, 2007

Aos poucos


Abra
minha boca
Traga
esse sopro frágil
Me asfixia

sexta-feira, agosto 31, 2007

terça-feira, agosto 28, 2007

Sempre ou do contrário não serve

Todo amor que houver!
Todos
Todo.
Inteiro
Integral
Infinito.
Pra sempre. Nesse momento.
Eterno. Agora.
Aberto.
Exposto.
Entregue.
Rasgado
Flagrado.
À flor da pele.
E do olho
Que transborda.

terça-feira, agosto 21, 2007

segunda-feira, agosto 20, 2007

Sábado de sol

Sábado de sol. Muito sol. De um céu de Magritte tão absoluto que é impossível ficar em casa reclamando do inevitável passar dos anos. Foi o tempo que me trouxe aqui, que me fez ser o que sou hoje.
Portanto mesmo negociando com a preguiça, com a tendinite patelar (companheira de anos) e, claro, me convencendo de que a distância entre minha casa e a Cidade dos Esportes é pequeno detalhe, decidi assistir a alguma das finais do Parapan.
E estou aqui nesse lugar onde definitivamente medalha é mero objeto simbólico de vitórias diárias não contabilizadas. Conquistas pessoais, obstáculos vencidos, limites superados que fazem parte da história de vários dos aqui presentes, tanto atletas quanto platéia.
E eu aqui rindo à toa por testemunhar um clima raro de paz e liberdade entre os que circulam pelas arquibancadas, corredores e rampas. Todos querem comemorar a vida. Só. Só?
E estamos aqui no meio das matracas, cornetas e batuques que esquentam o coração do torcedor mais esforçado em ser discreto, como eu. Isso em plena decisão do basquete masculino entre Brasil e Argentina. Impossível ficar parado.
Então o gelo vai irremediavelmente derretendo e me vejo de repente no meio do estádio gritando: éeeeeeeeeeeeeeeehhhhhhhh Brasil! E levantando obedientemente ao comando do animador de platéia (profissão do futuro?) os braços na ohla.
E, claro, arrastando Djair que nesse instante só quer saber de detonar o sacão de pipocas que é (era) nosso. Ele embarca na brincadeira encantado com a multidão (quase) sincronizada.
De repente uma chuva de gaivotas de papel em todas as direções: as crianças do seu jeito participando da festa. O olho de Djair salta ao assistir o menino da cadeira de baixo lançar seu modelo fabricado ali na hora. Nem pisquei: lá se foi uma das páginas de um texto que eu estava decorando. Nas mãos desse cara que me surpreende sempre, essa gaivota ganha asas inimagináveis e rodopia livremente até cair na cabeça de uma menina que ri (como se tivesse sido sorteada) e o envia mais pra frente. Logo aparece muita matéria-prima (prospectos de divulgação) extremamente útil ao engenho de nossos Pequenos Príncipes de última hora. Uma menina de óculos pede ajuda para finalizar seu protótipo e assim ele possa voar mais longe, então acompanhamos, eu e ela, as mãos ágeis desse meu irmão que se me revela diariamente.
Inúteis os apelos dos organizadores e olhares recriminadores de alguns adultos.
Eu, em outra ocasião, provavelmente concordaria com as ordens de manter a ordem, mas diante daquele sorriso, minha rendição era certa, incondicional e voluntária.
E nós assim simplesmente experimentando. Nos permitindo. Sem preocupações, elocubrações, divagações, explicações, justificativas.
Nem quero saber se esse evento como qualquer outro vai ser usado na propaganda política da campanha eleitoral do ano que vem. Nem quero saber, porque já sei que vai, mas nesse momento sou apenas mais uma pessoa aqui igual a todo mundo.
Nesse momento com a alma mais leve num fim-de-tarde de inverno, quando Djair me mostra o pôr do sol, o que eu sei é que isso tem nome.
Isso é felicidade

segunda-feira, agosto 13, 2007

A um ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, agosto 07, 2007

segunda-feira, julho 30, 2007

segunda-feira, julho 23, 2007


Ainda

Quase duas semanas sem postar!!!
O Café fechou para tratamento intensivo. Foi acomentido por uma enfermidade em suas células:
alteração no seu html. Causada por minhas pesquisas cibernéticas. Dez dias de CTI, soro na veia, balão de gás, consultas e exames. Até que Marcus (agora pra mim Dr. Marcus!) entrasse em ação com precisão cirúrgica.
E o que houve com o mundo?
Está mais rápido ( em torno de 150 Km por hora em pista escorregadia?) e mais quente (cerca de 1000 graus Celsius?) e mais triste.
Bem que a gente tenta fazer graça com nossas intempéries particulares, mas situações inesperadas que ocorrem assim com (duas centenas !!!) desconhecidos (iguais a nós) nos abocanha e mastiga.
Tritura a alma que repousa num corpo cansado. Pela primeira vez na minha vida posso oferecer a meu pai uma viagem de avião (que a gente julga confortável) até a terra que guarda suas aventuras de menino com as rolinhas que lhe acarinhava o estômago. E agora tenho que esperar essa fraqueza passar.
Mal cheguei à classe média que até pouco tempo nem conhecia e me vejo contagiada por seu modus vivendi.
Medo de sair à noite? Dos meninos jogados nas ruas? Necessidade de comprar o que nem sei se preciso. Malabarismos bancários subseqüêntes. Tédio crônico. Discussões metafísicas na mesa do bar que sabemos, não levarão a nada mais do que à sensação de que temos capital cultural suficiente para sustentar uma esplanação recheada de citações acadêmicas.
E tudo é vaidade. Claro! Nós somos os "oclinhos", estamos antenados com o look, a música, o filme, a peça, o livro que devemos conhecer. Fazemos fila na porta do Odeon, na Cinelância, pra que todos testemunhem o quanto somos cultos. Se for filme mostrando preto, pobre ou doido então, aí é o ápice. Gozo geral (arte-terapia? Pulsão de morte? Grotesco medievo? Circo romano?). Somos agentes conscientes, cidadãos participantes. "Pagamos impostos". Temos a língua afiada contra essa endemia que infecta o país, uma virose que se retro-alimenta, como um parasita que precisa de um hospedeiro.
Um câncer que se fortalece da vítima que se lhe oferece em sacrifício.
Essa moléstia que está aí: corrupção que sufoca qualquer esperança. E que só cresce.
Porque nós não fazemos nada! Não paramos o mundo, ficamos preocupados quando o trânsito fica lento, porque precisamos cumprir tarefas, horários, agendas, compromissos.
Trabalhar mais pra comprar mais.
Garantir um futuro que nem mais a Deus pertence.
E o que fazer?
Diante desse cenário fazemos escolhas, escalas, escolas.
Ainda leio, ainda paro, respiro. Ainda me aparecem Isabella, Luísa, Melissa, Leonardo, Giovanna.
Quê que eu falo pra eles? Até agora eles é que têm me dito muito. Sem traduções racionais.
Ainda conheço "Mais Um" de Cássio Pires. E os surpreendentes encontros que essa descoberta proporcionou. Ainda ... Reajo. Escrevo ( e vale?)
Ainda (às vezes) fico feliz.