há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
segunda-feira, janeiro 10, 2011
segunda-feira, dezembro 06, 2010
terça-feira, novembro 30, 2010
Aniversário...
passa tempo
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
segunda-feira, novembro 29, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
domingo, agosto 29, 2010
domingo à tarde
ô denguin
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.
quinta-feira, agosto 26, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
aqui
me diz mamãe
donde eu vim
de boca aberta
de sono solto
e de colo perdido
diz mãe
pra onde vou
com o abraço quieto
o sorriso preso
e a vontade de dormir
aqui
donde eu vim
de boca aberta
de sono solto
e de colo perdido
diz mãe
pra onde vou
com o abraço quieto
o sorriso preso
e a vontade de dormir
aqui
sexta-feira, julho 30, 2010
terça-feira, julho 20, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
quarta-feira, maio 19, 2010
meu tempo
pronto!
estou aqui.
esperando
de novo
esse sabor
Godot vai me socorrer?
acho que já sei a resposta
"que horas são?"
"perdi (o) tempo (de)
espera!
agora quem sabe posso
assistir ao tempo
partir
estou aqui.
esperando
de novo
esse sabor
Godot vai me socorrer?
acho que já sei a resposta
"que horas são?"
"perdi (o) tempo (de)
espera!
agora quem sabe posso
assistir ao tempo
partir
quarta-feira, abril 28, 2010
Pão de doce
Antes d'ocê, o Sol que acordava em minha boca perdia-se em sujeira rabiscada em papel de pão dormido... olhos arregalados de poeta insone que escreve pra sentir um bocadinho neste deserto encrespado de minh'alma...
Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!
Antônio Hidalgo
Antes d'ocê, o Sol que acordava em minha boca perdia-se em sujeira rabiscada em papel de pão dormido... olhos arregalados de poeta insone que escreve pra sentir um bocadinho neste deserto encrespado de minh'alma...
Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!
Antônio Hidalgo
sexta-feira, março 19, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
UNO SEM VERSO
Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo
quinta-feira, março 04, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
o encontro
com Hidalgo
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
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