Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo
segunda-feira, março 15, 2010
quinta-feira, março 04, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
o encontro
com Hidalgo
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
...que linda és...
...acabei de conversar no msn com Raquel,
a amiga paulista que conheci em Cuba.
Ah! Na verdade acabei de falar pelo celular com Lili, que não vejo há um mês: quando cheguei de Cuba ela estava indo passar o carnaval em Ponta Negra.
Falei sobre a música de Cuba e dos novos amigos que me levaram pros blocos daqui...
Também acabei de postar mais algumas fotos no orkut, claro, de Cuba.
E, acabei de responder ao e-mail da Malu pra gente ir ao teatro amanhã, sexta.
Ah! A Maluuuu, companheira de quarto. Em Cuba.
Falei ainda agora na caixa do gmail com Cintia sobre... Cuba.
E ontem à noite, uma hora de blá, blá, blá com Max, metade sobre Cuba.
Um pouco antes tinha respondido (em espanhol! Ah! meu querido dicionário...) mensagem de Giselle e Ernesto jornalistas cubanos que conheci na última noite em Cuba.
É, parece que estou encharcada do morrito, da canchanchara e da lua de Cuba.
Está tudo aqui! E é tanto tudo que sei que só aos poucos essa cachoeira vai respingar em forma de palavras.
Não falta o que dizer, falta vontade de ordenar racionalmente.
Ainda quero só sentir o turbilhão...
Ouvi de um amigo: "empolgada, hein!"
Ele não sabe, nem imagina... E como não posso explicar nem pra mim, só disse: "é, sou assim!"
Traduzir algumas impressões...
Como? Não conseguia nem pra quem estava lá do meu lado!
Porque as percepções são imediatas e vinculadas às histórias de cada um.
As leituras e interpretações intimamente ligadas às referências que cada um traz na bagagem. O imaginário...
Memória e expectativas sobre essa Ilha que desafia o Império!
É isso!
A pequena e digna Ilha que desafia há mais de cinquenta anos o Império.
Cujo povo, festivo, logo percebemos, se organiza nos Comitês de Defesa da Revolução e discute o que é melhor para cada cidadão. Simples assim! A partir dos quatorze anos todos estão automaticamente cadastrados nos Comitês e convidados a participar dos debates.
Assuntos como a limpeza das ruas, iluminção, rendimento na escola fazem parte da agenda dos adolescentes. Conversei com alguns, troquei e-mails.
Intenet lá não é fácil, não é barato. Somente alguns podem.
E, claro, socializam com os amigos.
Isabel é uma dessas jovens. Falamos sobre festas, moda, planos para o futuro.
Sobre o bloqueio e a história deles.
Em todos com quem conversei há um traço em comum: orgulho.
Dos ex-combatentes aos "playboys" de Cuba - sim lá há! Os meninos e seu figurino peculiar, como os daqui: cabelo espetado, com reflexo. Camisa justa, calça também e cintos! Cintos arquitetônicos! Bem-humorados! -
Orgulho. Eles sabem quem são, o porquê do bloqueio. O motivo.
E o motivo faz toda diferença!
O bloqueio não é algo abstrato, uma figura de linguagem, não!
É o instrumento utilizado pelo líder capitalista para atingir uma nação que simplesmente levou a cabo seu desejo de exercer sua soberania. Cuba pratica diariamente seu direito de viver como bem quer. Sem a interferência tirânica do país que se autoproclama defensor nº 1 da democracia, liberdade expressão e pensamento, dos direitos humanos e, que no entanto mantém há quase dez anos cinco cubanos presos, dois deles sem qualquer contato com a família, após um julgamento no mínimo suspeito: em território americano (Miami) por autoridades americanas.
Sim, o bloqueio encarece, dificulta, exige paciência, sem dúvida.
Mas esse mesmo bloqueio reforça os laços de solidariedade. Porque coloca todos no mesmo barco. Exceto os que recebem dinheiro de familiares de Miami, que têm mais conforto, por terem acesso ao consumo: celulares, tênis, óculos, jeans de marca...
É, a "ditadura cubana" permite... Assim como permite em seus canais de TV aberta novelas brasileiras, filmes americanos, clips da MTV.
Enquanto nós democratas fomos aprendendo nas palestras de lá: os deputados trabalham até doze horas por dia, porque não recebem salário por sua atividade parlamentar, então têm dupla jornada. E a eleição é feita a partir dos currículos dos candidatos afixados em locais determinados.
Aprendemos tanto em duas semanas. E sentimos o quanto foi pouco. Quero mais! De Cuba, que linda és!
Logo...
Sim...
Por enquanto vamos degustando, saboreando. Algo muito mais doce que a canchanchara.
Esse mel, esse cheiro, (d) esse orgulho.
Porque é isso! Eu falava durante a "noche suramericana" com Carlos nosso guia charmoso, que fala cinco idiomas ( e que agora é meu amigo no facebook): "as dificuldades que vocês têm, não são de atendimento num hospital, ou aceso à Universidade. As dificuldades que vocês têm de consumo, tem um motivo claro: o bloqueio. E saber isso.
O motivo. Faz toda a diferença!"
Ele assentiu em silêncio... Sorriu. Um abraço.
E fomos dançar.
a amiga paulista que conheci em Cuba.
Ah! Na verdade acabei de falar pelo celular com Lili, que não vejo há um mês: quando cheguei de Cuba ela estava indo passar o carnaval em Ponta Negra.
Falei sobre a música de Cuba e dos novos amigos que me levaram pros blocos daqui...
Também acabei de postar mais algumas fotos no orkut, claro, de Cuba.
E, acabei de responder ao e-mail da Malu pra gente ir ao teatro amanhã, sexta.
Ah! A Maluuuu, companheira de quarto. Em Cuba.
Falei ainda agora na caixa do gmail com Cintia sobre... Cuba.
E ontem à noite, uma hora de blá, blá, blá com Max, metade sobre Cuba.
Um pouco antes tinha respondido (em espanhol! Ah! meu querido dicionário...) mensagem de Giselle e Ernesto jornalistas cubanos que conheci na última noite em Cuba.
É, parece que estou encharcada do morrito, da canchanchara e da lua de Cuba.
Está tudo aqui! E é tanto tudo que sei que só aos poucos essa cachoeira vai respingar em forma de palavras.
Não falta o que dizer, falta vontade de ordenar racionalmente.
Ainda quero só sentir o turbilhão...
Ouvi de um amigo: "empolgada, hein!"
Ele não sabe, nem imagina... E como não posso explicar nem pra mim, só disse: "é, sou assim!"
Traduzir algumas impressões...
Como? Não conseguia nem pra quem estava lá do meu lado!
Porque as percepções são imediatas e vinculadas às histórias de cada um.
As leituras e interpretações intimamente ligadas às referências que cada um traz na bagagem. O imaginário...
Memória e expectativas sobre essa Ilha que desafia o Império!
É isso!
A pequena e digna Ilha que desafia há mais de cinquenta anos o Império.
Cujo povo, festivo, logo percebemos, se organiza nos Comitês de Defesa da Revolução e discute o que é melhor para cada cidadão. Simples assim! A partir dos quatorze anos todos estão automaticamente cadastrados nos Comitês e convidados a participar dos debates.
Assuntos como a limpeza das ruas, iluminção, rendimento na escola fazem parte da agenda dos adolescentes. Conversei com alguns, troquei e-mails.
Intenet lá não é fácil, não é barato. Somente alguns podem.
E, claro, socializam com os amigos.
Isabel é uma dessas jovens. Falamos sobre festas, moda, planos para o futuro.
Sobre o bloqueio e a história deles.
Em todos com quem conversei há um traço em comum: orgulho.
Dos ex-combatentes aos "playboys" de Cuba - sim lá há! Os meninos e seu figurino peculiar, como os daqui: cabelo espetado, com reflexo. Camisa justa, calça também e cintos! Cintos arquitetônicos! Bem-humorados! -
Orgulho. Eles sabem quem são, o porquê do bloqueio. O motivo.
E o motivo faz toda diferença!
O bloqueio não é algo abstrato, uma figura de linguagem, não!
É o instrumento utilizado pelo líder capitalista para atingir uma nação que simplesmente levou a cabo seu desejo de exercer sua soberania. Cuba pratica diariamente seu direito de viver como bem quer. Sem a interferência tirânica do país que se autoproclama defensor nº 1 da democracia, liberdade expressão e pensamento, dos direitos humanos e, que no entanto mantém há quase dez anos cinco cubanos presos, dois deles sem qualquer contato com a família, após um julgamento no mínimo suspeito: em território americano (Miami) por autoridades americanas.
Sim, o bloqueio encarece, dificulta, exige paciência, sem dúvida.
Mas esse mesmo bloqueio reforça os laços de solidariedade. Porque coloca todos no mesmo barco. Exceto os que recebem dinheiro de familiares de Miami, que têm mais conforto, por terem acesso ao consumo: celulares, tênis, óculos, jeans de marca...
É, a "ditadura cubana" permite... Assim como permite em seus canais de TV aberta novelas brasileiras, filmes americanos, clips da MTV.
Enquanto nós democratas fomos aprendendo nas palestras de lá: os deputados trabalham até doze horas por dia, porque não recebem salário por sua atividade parlamentar, então têm dupla jornada. E a eleição é feita a partir dos currículos dos candidatos afixados em locais determinados.
Aprendemos tanto em duas semanas. E sentimos o quanto foi pouco. Quero mais! De Cuba, que linda és!
Logo...
Sim...
Por enquanto vamos degustando, saboreando. Algo muito mais doce que a canchanchara.
Esse mel, esse cheiro, (d) esse orgulho.
Porque é isso! Eu falava durante a "noche suramericana" com Carlos nosso guia charmoso, que fala cinco idiomas ( e que agora é meu amigo no facebook): "as dificuldades que vocês têm, não são de atendimento num hospital, ou aceso à Universidade. As dificuldades que vocês têm de consumo, tem um motivo claro: o bloqueio. E saber isso.
O motivo. Faz toda a diferença!"
Ele assentiu em silêncio... Sorriu. Um abraço.
E fomos dançar.
sábado, janeiro 23, 2010
sempre eu quero
"Mais foi a primeira palavra que me repeti intensamente na minha infância.
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.
Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.
Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!
domingo, janeiro 10, 2010
Menos é mais
... é, quase um mês sem escrever!
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.
Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.
Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.
Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.
Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Hoje vou ao Mar!
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
quinta-feira, novembro 19, 2009
tô comendo um pedaço de bolo de fubá
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
quarta-feira, novembro 18, 2009
Hoje é só mais um dia
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
terça-feira, novembro 17, 2009
o que dizer
“Olá como vai?
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
segunda-feira, novembro 16, 2009
Eu que pensei...
Eu que pensei
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
domingo, novembro 15, 2009
eu transbordo!
Hoje é domingo - de sol!
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
sábado, novembro 14, 2009
Intuição
Não! Eu não sei o que é isso
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
sexta-feira, novembro 13, 2009
Aqui
Olá,
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
O tempo
É o tempo que vai
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
segunda-feira, novembro 02, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
bem ali
estava ali na porta
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
rotina
eu fui na janela
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
segunda-feira, agosto 03, 2009
dias de agosto
dias de agosto quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
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