
quinta-feira, maio 17, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007
sexta-feira, maio 11, 2007
A última do pódium
Você é o nada que que me pesa às costas
O vazio que faz volume
A ausência que me faz sombra
num dia de sol
O espectro que me imobiliza
A indiferença que incendeia meu estômago
A eloqüência do soslaio convincente
Que grita a negativa no meu peito surdo
A reticência que vaticina
As lacunas do discurso frágil
O avesso do diálogo fluente
O solilóquio febril resignado
O cumprimento civilizado
Das mãos sadicamente delicadas
O silêncio que permeia a dor
A última do pódium
Transfigurada na máscara pertinente
Que me transborda pela retina
E que alimenta o murro ensaiado
Abortado em mim
E nem suspeita
O vazio que faz volume
A ausência que me faz sombra
num dia de sol
O espectro que me imobiliza
A indiferença que incendeia meu estômago
A eloqüência do soslaio convincente
Que grita a negativa no meu peito surdo
A reticência que vaticina
As lacunas do discurso frágil
O avesso do diálogo fluente
O solilóquio febril resignado
O cumprimento civilizado
Das mãos sadicamente delicadas
O silêncio que permeia a dor
A última do pódium
Transfigurada na máscara pertinente
Que me transborda pela retina
E que alimenta o murro ensaiado
Abortado em mim
E nem suspeita
terça-feira, maio 08, 2007
Poética
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expedienteprotocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionárioo cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amanteexemplar com cem modelos de cartas e as diferentesmaneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare—
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expedienteprotocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionárioo cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amanteexemplar com cem modelos de cartas e as diferentesmaneiras de agradar às mulheres, etc
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbedos
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare—
Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
Manuel Bandeira
sexta-feira, maio 04, 2007
Quem matou Juliana?
Quem matou Juliana?
Quem matou Juliana Pereira da Silva, de 23 anos? E Vladimir Novaes de Araújo, de 28 anos?
E Cláudio Matias da Silva, de 11 anos, e Alana Ezaquiel, de 12 anos,
e Clarisse Alves Mesquita, de 26 anos, e Franklin William Pereira da Silva, de 16 anos,
e Vanessa Calixto dos Santos, de 24 anos, e Eugracinha Rosa Martins, de 71 anos, e seu filho Antônio Martins, de 42 anos, e Acácio Valentim de Souza Menezes, de 2 anos e mais as dezenas de pessoas dissolvidas pelas bocas que escarram projéteis de AR-15, AH-K e outros modelos do arsenal produzido pelo incrível desenvolvimento tecnológico forjado pelo engenho humano.
Enquanto escrevo a Penha ferve em sua guerra civil particular.
Um estudo inédito conduzido pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, divulgado no fim de março, analisou registros de ocorrência de homicídio e lesão corporal feitos em todas as delegacias do estado no ano de 2006 e identificou 224 vítimas de balas perdidas, sendo 19 fatais e 205 não fatais. Os 19 mortos representam 0,4% dos homicídios por arma de fogo no estado.
No mês de janeiro de 2007, foram contabilizadas 31 vítimas – três fatais e 28 não fatais –, que representam uma média de uma vítima por dia.
Notícias de jornal ajudaram os pesquisadores a localizar os registros.
Quem matou Juliana?
O paulatino sucateamento que tem engolido a rede de saúde pública desse país?
Levada para o hospital Albert Schweitzer, em Realengo, Juliana ficou cinco horas esperando por uma cirurgia que não aconteceu. “Não tinha nenhum cirurgião vascular ou geral lá. Só deram bolsa de sangue. Ela ainda resistiu muito tempo. Ontem [26], a médica legista disse que ela não morreria se tivesse tido o atendimento certo”, afirmou Thiago Madeira, namorado da vítima. (http://g1.globo.com)
O Corpo de Bombeiros resgatou 2300 pessoas baleadas em 2006.
Quase metade dos feridos (1095) morreu antes de chegar ao hospital.
Nos três primeiros meses de 2007, o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, recebeu 131 baleados. Desses, 50 morreram. (http://g1.globo.com)
Em outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso é reeleito para mais 4 anos de governo. Tendo em vista a crise econômica vivida pelo Brasil e por outros países “emergentes” o governo FHC aumenta ainda mais os juros para beneficiar os especuladores internacionais e propõe para o povo um ajuste fiscal prevendo a diminuição de verbas para o orçamento de 1999, inclusive na área de saúde. O corte previsto nesta área foi de cerca de R$ 260 milhões. A propósito desta redução o Ministro da Saúde, José Serra, divulgou um comunicado com o seguinte teor: “entre 1994 e 1998 o gasto com saúde, em relação ao PIB, caiu 12,4%. O total das outras despesas, no entanto, subiu 22,6%. Em valores constantes, as despesas da saúde aumentaram 17,9% enquanto as outras despesas do orçamento, em seu conjunto, cresceram 56,2%”.
A mesma nota do Ministério afirma sobre o CPMF que: “a arrecadação do CPMF cobrada a partir de 23 de janeiro de 1997 não beneficiou a Saúde.
O que houve foi desvio de outras fontes, ou seja, a receita do CPMF foi destinada à saúde mas foram diminuídas as destinações à saúde decorrentes de contribuições sobre os lucros e do COFINS”. (extraído da FOLHA DE SÃO PAULO, 6/11/98, p. 4)
HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL
Uma pequena revisão
Marcus Vinícius Polignano
http://internatorural.medicina.ufmg.br/saude_no_brasil.rtf
Quem matou Juliana?
A crise de valores? O estilhaçamento da moral que alcança gente de vários calibres?
O vazio de ser dos meninos de nossas ruas?
O vácuo ético de desembargadores em seus gabinetes?
A falta de fé? Fé. Munição dos cristãos da Teologia da Libertação e dos comunistas ateus apaixonados, fervorosos pela causa da revolução do povo, que nos anos 70 preenchia buracos na alma de jovens crentes em seu poder de transformar o mundo?
A ausência de um desejo coletivo que promova o sentimento de pertencimento, de identidade, e de solidariedade de uma juventude que aprendeu desde cedo a apertar botões e comprar seus sonhos via internet em 10 vezes sem juros no cartão?
O esvaziamento deliberado e compulsório, por meio da mídia, da vontade de ser sujeito pela conveniência de ter (mais um) objeto?
“A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?”
“Os projéteis se fragmentam pelo corpo, a ‘dum-dum’ sai rasgando veia, carne, osso, tudo”.
Já somos a geração bala-perdida. A geração-farelo. Poeira de gente. Migalhas do ser.
Quem matou Juliana?
E a nós? Quem matou? A inércia, a pressa, o emprego, o desemprego, o cansaço, o consumo, a conveniência, a conivência, o abono? O abandono de nós mesmos?
Quem matou Juliana?
Nós? Com a letargia, o silêncio, o soslaio, a omissão, os queixumes, a ordem e os bons costumes, o condomínio, a rotina, a solidão, o isolamento?
O abandono de nós mesmos...
Quem matou Juliana Pereira da Silva, de 23 anos? E Vladimir Novaes de Araújo, de 28 anos?
E Cláudio Matias da Silva, de 11 anos, e Alana Ezaquiel, de 12 anos,
e Clarisse Alves Mesquita, de 26 anos, e Franklin William Pereira da Silva, de 16 anos,
e Vanessa Calixto dos Santos, de 24 anos, e Eugracinha Rosa Martins, de 71 anos, e seu filho Antônio Martins, de 42 anos, e Acácio Valentim de Souza Menezes, de 2 anos e mais as dezenas de pessoas dissolvidas pelas bocas que escarram projéteis de AR-15, AH-K e outros modelos do arsenal produzido pelo incrível desenvolvimento tecnológico forjado pelo engenho humano.
Enquanto escrevo a Penha ferve em sua guerra civil particular.
Um estudo inédito conduzido pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, divulgado no fim de março, analisou registros de ocorrência de homicídio e lesão corporal feitos em todas as delegacias do estado no ano de 2006 e identificou 224 vítimas de balas perdidas, sendo 19 fatais e 205 não fatais. Os 19 mortos representam 0,4% dos homicídios por arma de fogo no estado.
No mês de janeiro de 2007, foram contabilizadas 31 vítimas – três fatais e 28 não fatais –, que representam uma média de uma vítima por dia.
Notícias de jornal ajudaram os pesquisadores a localizar os registros.
Quem matou Juliana?
O paulatino sucateamento que tem engolido a rede de saúde pública desse país?
Levada para o hospital Albert Schweitzer, em Realengo, Juliana ficou cinco horas esperando por uma cirurgia que não aconteceu. “Não tinha nenhum cirurgião vascular ou geral lá. Só deram bolsa de sangue. Ela ainda resistiu muito tempo. Ontem [26], a médica legista disse que ela não morreria se tivesse tido o atendimento certo”, afirmou Thiago Madeira, namorado da vítima. (http://g1.globo.com)
O Corpo de Bombeiros resgatou 2300 pessoas baleadas em 2006.
Quase metade dos feridos (1095) morreu antes de chegar ao hospital.
Nos três primeiros meses de 2007, o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, recebeu 131 baleados. Desses, 50 morreram. (http://g1.globo.com)
Em outubro de 1998, Fernando Henrique Cardoso é reeleito para mais 4 anos de governo. Tendo em vista a crise econômica vivida pelo Brasil e por outros países “emergentes” o governo FHC aumenta ainda mais os juros para beneficiar os especuladores internacionais e propõe para o povo um ajuste fiscal prevendo a diminuição de verbas para o orçamento de 1999, inclusive na área de saúde. O corte previsto nesta área foi de cerca de R$ 260 milhões. A propósito desta redução o Ministro da Saúde, José Serra, divulgou um comunicado com o seguinte teor: “entre 1994 e 1998 o gasto com saúde, em relação ao PIB, caiu 12,4%. O total das outras despesas, no entanto, subiu 22,6%. Em valores constantes, as despesas da saúde aumentaram 17,9% enquanto as outras despesas do orçamento, em seu conjunto, cresceram 56,2%”.
A mesma nota do Ministério afirma sobre o CPMF que: “a arrecadação do CPMF cobrada a partir de 23 de janeiro de 1997 não beneficiou a Saúde.
O que houve foi desvio de outras fontes, ou seja, a receita do CPMF foi destinada à saúde mas foram diminuídas as destinações à saúde decorrentes de contribuições sobre os lucros e do COFINS”. (extraído da FOLHA DE SÃO PAULO, 6/11/98, p. 4)
HISTÓRIA DAS POLÍTICAS DE SAÚDE NO BRASIL
Uma pequena revisão
Marcus Vinícius Polignano
http://internatorural.medicina.ufmg.br/saude_no_brasil.rtf
Quem matou Juliana?
A crise de valores? O estilhaçamento da moral que alcança gente de vários calibres?
O vazio de ser dos meninos de nossas ruas?
O vácuo ético de desembargadores em seus gabinetes?
A falta de fé? Fé. Munição dos cristãos da Teologia da Libertação e dos comunistas ateus apaixonados, fervorosos pela causa da revolução do povo, que nos anos 70 preenchia buracos na alma de jovens crentes em seu poder de transformar o mundo?
A ausência de um desejo coletivo que promova o sentimento de pertencimento, de identidade, e de solidariedade de uma juventude que aprendeu desde cedo a apertar botões e comprar seus sonhos via internet em 10 vezes sem juros no cartão?
O esvaziamento deliberado e compulsório, por meio da mídia, da vontade de ser sujeito pela conveniência de ter (mais um) objeto?
“A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão.
Viu?”
“Os projéteis se fragmentam pelo corpo, a ‘dum-dum’ sai rasgando veia, carne, osso, tudo”.
Já somos a geração bala-perdida. A geração-farelo. Poeira de gente. Migalhas do ser.
Quem matou Juliana?
E a nós? Quem matou? A inércia, a pressa, o emprego, o desemprego, o cansaço, o consumo, a conveniência, a conivência, o abono? O abandono de nós mesmos?
Quem matou Juliana?
Nós? Com a letargia, o silêncio, o soslaio, a omissão, os queixumes, a ordem e os bons costumes, o condomínio, a rotina, a solidão, o isolamento?
O abandono de nós mesmos...
sexta-feira, abril 27, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
sexta-feira, abril 20, 2007
Sopro
Sopro (ô). (Dev. De soprar.). S.m.
1. Ato ou efeito de soprar. 2. Ato de expelir com alguma força o ar aspirado. 3. Movimento de ar expelido pela boca. 4. O ar expirado; bafo, hálito. 5. Agitação do ar, viração, aragem.
6. Miasma, exalação. 7. Som, ruído. 8. Ruído ritmado que lembra a respiração.
9. Gases em ignição.
10. Fig. Influxo, influência, força.
Sopro: Espetáculo teatral criado por Carlos Simioni, Tadashi Endo e Denise Garcia, integrantes do Lume, grupo de teatro de Campinas, São Paulo.
Em temporada carioca, o Lume Teatro nos tira o fôlego, nos deixa em estado de suspensão permanente a cada movimento de seus atores-pesquisadores, que investigam e apresentam as possibilidades do corpo do ator em cena.
E o Sopro, com direção de Tadashi Endo, é Carlos Simioni na plenitude dessa proposta: uma ligação direta entre ator e platéia, sem qualquer subterfúgio. Sem qualquer disfarce ou desvio.
E nós ali acompanhando as fases da vida em ações mínimas e eloqüentes.
Delicadas e contundentes. E nós ofegantes.
“O ar por dentro do corpo. Corpo rasgado por dentro”.
Sopro. Filete de ar. Brisa. Um diálogo. Uma música. Um sorriso. Alívio. Lenimento.
Metamorfose metabólica.
Surpresas várias me trazem estes dias de abril em outono tímido.
Idas e voltas esperando um Godot que me habita. E que descarto. Dispenso. E... Anseio.
Beckett em fúria no frio desse vento que me alcança.
Alísios que me abraçam. Me levam para regiões inóspitas. Inabitáveis.
Me estranho. E me ausculto. Sopro. Anfórico. Ouvido a distâncias estratosféricas.
Metamorfose metabólica
Tufão orgânico que redesenha caminhos insólitos em arquejos e suspiros.
Tempestades e calmarias que se revezam pelas variações de temperaturas.
Gerando instabilidade no período.
Tempo parcialmente nublado a ocasionalmente claro com possibilidade de chuva (gosto dos dias de chuva), em áreas isoladas no fim do dia.
Shakespeare e Goethe que me protejam das cumulonimbus viscerais.
1. Ato ou efeito de soprar. 2. Ato de expelir com alguma força o ar aspirado. 3. Movimento de ar expelido pela boca. 4. O ar expirado; bafo, hálito. 5. Agitação do ar, viração, aragem.
6. Miasma, exalação. 7. Som, ruído. 8. Ruído ritmado que lembra a respiração.
9. Gases em ignição.
10. Fig. Influxo, influência, força.
Sopro: Espetáculo teatral criado por Carlos Simioni, Tadashi Endo e Denise Garcia, integrantes do Lume, grupo de teatro de Campinas, São Paulo.
Em temporada carioca, o Lume Teatro nos tira o fôlego, nos deixa em estado de suspensão permanente a cada movimento de seus atores-pesquisadores, que investigam e apresentam as possibilidades do corpo do ator em cena.
E o Sopro, com direção de Tadashi Endo, é Carlos Simioni na plenitude dessa proposta: uma ligação direta entre ator e platéia, sem qualquer subterfúgio. Sem qualquer disfarce ou desvio.
E nós ali acompanhando as fases da vida em ações mínimas e eloqüentes.
Delicadas e contundentes. E nós ofegantes.
“O ar por dentro do corpo. Corpo rasgado por dentro”.
Sopro. Filete de ar. Brisa. Um diálogo. Uma música. Um sorriso. Alívio. Lenimento.
Metamorfose metabólica.
Surpresas várias me trazem estes dias de abril em outono tímido.
Idas e voltas esperando um Godot que me habita. E que descarto. Dispenso. E... Anseio.
Beckett em fúria no frio desse vento que me alcança.
Alísios que me abraçam. Me levam para regiões inóspitas. Inabitáveis.
Me estranho. E me ausculto. Sopro. Anfórico. Ouvido a distâncias estratosféricas.
Metamorfose metabólica
Tufão orgânico que redesenha caminhos insólitos em arquejos e suspiros.
Tempestades e calmarias que se revezam pelas variações de temperaturas.
Gerando instabilidade no período.
Tempo parcialmente nublado a ocasionalmente claro com possibilidade de chuva (gosto dos dias de chuva), em áreas isoladas no fim do dia.
Shakespeare e Goethe que me protejam das cumulonimbus viscerais.
sexta-feira, abril 13, 2007
terça-feira, abril 10, 2007
segunda-feira, abril 09, 2007
Espelho e avessos
É. O que dizer? Se nem tudo que penso fá-lo. E pra quê? Se quase nada que digo se ouve.
E por quê? Tem alguma importância se nem eu degusto o que cogito?
Zip. E já lembro uma cena de filme. Zap. Cantarolo um jingle da moda.
Tudo ao mesmo tempo agora borbulhando em temperaturas vesuvianas.
...
Hoje faz quatro anos que ela não está mais aqui. E há dois anos percebi que não estaria mais pra eu dizer o que nunca disse antes.
...
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
...
Mas ela está aqui comigo. E descansa em paz.
...
- Cinza!
- Não! Vermelho!
- Cinza!
- Não! Laranja!
- Cinza!
- Não! Azul! Verde! Amarelo!
Palavras de Qfwfq, personagem de Patrícia Selonk e Ali, personagem de Fabiano Medeiros na peça “Casca de Noz” do Armazém Companhia de Teatro. Inspirada em seis contos de Ítalo Calvino, essa produção aborda nossa inquestionável fé na ciência, e com bom-humor nos conduz a rir de nossas certezas. Nossa necessidade de segurança. Mesmo que essa segurança seja cinza. Axiomas.
...
Zip.
Moacyr Scliar, não te esqueço.
Zap.
“Não quero te magoar”. Clichê.
Zip.
Ângela Ro Rô. Sons e dissonâncias.
Zap.
Febre que não passa. Passa, já passa. Deixa, deixa. Banho frio. É o jeito.
Zip.
A escada. O espelho. Os avessos. Dicotomias.
Forma e conteúdo. Discurso e prática. Guimarães. Machado.
Pizza e Páscoa.
E tudo é vaidade.
...
Segunda-feira: “Não reconheço essa conta de telefone”.
Comprar pilot. Ir à Receita. Descongelar geladeira. Ler dois contos. Assistir ao filme que estreou. Arrumar gavetas.
...
Todas as palavras já foram ditas em cartas ou e-mails ridículos.
Mas se a vida é muito curta pra ser pequena, eu quero é mais.
Então Ângela me conforta. É o jeito.
“Mais foi a primeira palavra que eu me repeti intensamente na minha infância ‘Maisi, mamãe, maisi, mamãe’. Fosse guaraná, fosse coca-cola, fosse coca, fosse cola, fosse amor ou desamor ou qualquer outra espécie de dor. Eu quero mais ser imortal, quero ser o meu futuro ancestral. Quero mais Tabacaria, mais Pessoa, mais Maria, mais vinho, mais poesia.”
Tudo ao mesmo tempo agora borbulhando em temperaturas vesuvianas.
...
Hoje faz quatro anos que ela não está mais aqui. E há dois anos percebi que não estaria mais pra eu dizer o que nunca disse antes.
...
É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
...
Mas ela está aqui comigo. E descansa em paz.
...
- Cinza!
- Não! Vermelho!
- Cinza!
- Não! Laranja!
- Cinza!
- Não! Azul! Verde! Amarelo!
Palavras de Qfwfq, personagem de Patrícia Selonk e Ali, personagem de Fabiano Medeiros na peça “Casca de Noz” do Armazém Companhia de Teatro. Inspirada em seis contos de Ítalo Calvino, essa produção aborda nossa inquestionável fé na ciência, e com bom-humor nos conduz a rir de nossas certezas. Nossa necessidade de segurança. Mesmo que essa segurança seja cinza. Axiomas.
...
Zip.
Moacyr Scliar, não te esqueço.
Zap.
“Não quero te magoar”. Clichê.
Zip.
Ângela Ro Rô. Sons e dissonâncias.
Zap.
Febre que não passa. Passa, já passa. Deixa, deixa. Banho frio. É o jeito.
Zip.
A escada. O espelho. Os avessos. Dicotomias.
Forma e conteúdo. Discurso e prática. Guimarães. Machado.
Pizza e Páscoa.
E tudo é vaidade.
...
Segunda-feira: “Não reconheço essa conta de telefone”.
Comprar pilot. Ir à Receita. Descongelar geladeira. Ler dois contos. Assistir ao filme que estreou. Arrumar gavetas.
...
Todas as palavras já foram ditas em cartas ou e-mails ridículos.
Mas se a vida é muito curta pra ser pequena, eu quero é mais.
Então Ângela me conforta. É o jeito.
“Mais foi a primeira palavra que eu me repeti intensamente na minha infância ‘Maisi, mamãe, maisi, mamãe’. Fosse guaraná, fosse coca-cola, fosse coca, fosse cola, fosse amor ou desamor ou qualquer outra espécie de dor. Eu quero mais ser imortal, quero ser o meu futuro ancestral. Quero mais Tabacaria, mais Pessoa, mais Maria, mais vinho, mais poesia.”
Luz quero luz
Sei que além das cortinas
São palcos azuis
E infinitas cortinas
São palcos atrás
Arranca a vida
Estufa a veia
E pulsa, pulsa, pulsa
E pulsa mais.
Mais quero mais
Nem que todos os barcos
Recolham ao cais
E os faróis da costeira
Me lancem sinais
Arranca vida
Estufa vela
Me leva, leva longe
Me leva mais
Obrigada pela atenção.
sexta-feira, março 30, 2007
terça-feira, março 27, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
Fim-de-semana
Entro na van que segue por esta artéria urbana de nome oracular: Linha Vermelha.
Ou fio da navalha?
Fiapo que separa (???), de um lado, "um centro de desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade brasileira", sob a efígie da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e, de outro, uma parcela dessa (mesma!) sociedade. Brasileiros hermeticamente acondicionados num bolsão térmico em temperatura ambiente desse Rio 40º graus à sombra.
Alinhavo mal cosido. Nó cego nessa chita que se esgarça.
Tapa na cara de Minerva. Maré à margem. Miragem e guerra.
Imagens. Amálgama de desejos e dor.
Fotografia que nos assusta e encanta por alguns segundos. Ao longe.
Nos aponta e acusa (e alcança). Omissão e preguiça! Passamos a salvo.
Alívio. Suspiro sob o céu roxo de fim-de-tarde de fim-de-semana de fim-de-estação.
Apatia compartilhada e agradecida. Cada um com seus problemas... Cada vez mais de todo mundo ao mesmo tempo agora.
E retorno ao batuque de Rita:
“Tempo de silêncio e solidão”.
Contratempos íntimos. Intempéries pessoais sob ameaça de garoa alheia.
“Tempestade louca no Saara”
Só Magritte me busca. De mim. Em tempo real. Tons surreais impressos. Imprescindíveis.
Vou pra casa com esse cheiro de chuva e gosto de maçã que têm me acompanhado a semana. Arrumar gavetas. Ouvindo:
“Eu tenho um sapato branco/E um riso amarelo"
"Eu não tenho tempo/ De me ver chorar”
Porque eu (ainda) sei voar.
Ou fio da navalha?
Fiapo que separa (???), de um lado, "um centro de desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade brasileira", sob a efígie da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e, de outro, uma parcela dessa (mesma!) sociedade. Brasileiros hermeticamente acondicionados num bolsão térmico em temperatura ambiente desse Rio 40º graus à sombra.
Alinhavo mal cosido. Nó cego nessa chita que se esgarça.
Tapa na cara de Minerva. Maré à margem. Miragem e guerra.
Imagens. Amálgama de desejos e dor.
Fotografia que nos assusta e encanta por alguns segundos. Ao longe.
Nos aponta e acusa (e alcança). Omissão e preguiça! Passamos a salvo.
Alívio. Suspiro sob o céu roxo de fim-de-tarde de fim-de-semana de fim-de-estação.
Apatia compartilhada e agradecida. Cada um com seus problemas... Cada vez mais de todo mundo ao mesmo tempo agora.
E retorno ao batuque de Rita:
“Tempo de silêncio e solidão”.
Contratempos íntimos. Intempéries pessoais sob ameaça de garoa alheia.
“Tempestade louca no Saara”
Só Magritte me busca. De mim. Em tempo real. Tons surreais impressos. Imprescindíveis.
Vou pra casa com esse cheiro de chuva e gosto de maçã que têm me acompanhado a semana. Arrumar gavetas. Ouvindo:
“Eu tenho um sapato branco/E um riso amarelo"
"Eu não tenho tempo/ De me ver chorar”
Porque eu (ainda) sei voar.
terça-feira, março 20, 2007
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