
sexta-feira, março 30, 2007
terça-feira, março 27, 2007
sexta-feira, março 23, 2007
Fim-de-semana
Entro na van que segue por esta artéria urbana de nome oracular: Linha Vermelha.
Ou fio da navalha?
Fiapo que separa (???), de um lado, "um centro de desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade brasileira", sob a efígie da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e, de outro, uma parcela dessa (mesma!) sociedade. Brasileiros hermeticamente acondicionados num bolsão térmico em temperatura ambiente desse Rio 40º graus à sombra.
Alinhavo mal cosido. Nó cego nessa chita que se esgarça.
Tapa na cara de Minerva. Maré à margem. Miragem e guerra.
Imagens. Amálgama de desejos e dor.
Fotografia que nos assusta e encanta por alguns segundos. Ao longe.
Nos aponta e acusa (e alcança). Omissão e preguiça! Passamos a salvo.
Alívio. Suspiro sob o céu roxo de fim-de-tarde de fim-de-semana de fim-de-estação.
Apatia compartilhada e agradecida. Cada um com seus problemas... Cada vez mais de todo mundo ao mesmo tempo agora.
E retorno ao batuque de Rita:
“Tempo de silêncio e solidão”.
Contratempos íntimos. Intempéries pessoais sob ameaça de garoa alheia.
“Tempestade louca no Saara”
Só Magritte me busca. De mim. Em tempo real. Tons surreais impressos. Imprescindíveis.
Vou pra casa com esse cheiro de chuva e gosto de maçã que têm me acompanhado a semana. Arrumar gavetas. Ouvindo:
“Eu tenho um sapato branco/E um riso amarelo"
"Eu não tenho tempo/ De me ver chorar”
Porque eu (ainda) sei voar.
Ou fio da navalha?
Fiapo que separa (???), de um lado, "um centro de desenvolvimento científico e tecnológico para a sociedade brasileira", sob a efígie da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e, de outro, uma parcela dessa (mesma!) sociedade. Brasileiros hermeticamente acondicionados num bolsão térmico em temperatura ambiente desse Rio 40º graus à sombra.
Alinhavo mal cosido. Nó cego nessa chita que se esgarça.
Tapa na cara de Minerva. Maré à margem. Miragem e guerra.
Imagens. Amálgama de desejos e dor.
Fotografia que nos assusta e encanta por alguns segundos. Ao longe.
Nos aponta e acusa (e alcança). Omissão e preguiça! Passamos a salvo.
Alívio. Suspiro sob o céu roxo de fim-de-tarde de fim-de-semana de fim-de-estação.
Apatia compartilhada e agradecida. Cada um com seus problemas... Cada vez mais de todo mundo ao mesmo tempo agora.
E retorno ao batuque de Rita:
“Tempo de silêncio e solidão”.
Contratempos íntimos. Intempéries pessoais sob ameaça de garoa alheia.
“Tempestade louca no Saara”
Só Magritte me busca. De mim. Em tempo real. Tons surreais impressos. Imprescindíveis.
Vou pra casa com esse cheiro de chuva e gosto de maçã que têm me acompanhado a semana. Arrumar gavetas. Ouvindo:
“Eu tenho um sapato branco/E um riso amarelo"
"Eu não tenho tempo/ De me ver chorar”
Porque eu (ainda) sei voar.
terça-feira, março 20, 2007
sexta-feira, março 16, 2007
quarta-feira, março 14, 2007
Nada como um post depois do outro...
Nada como um post depois do outro.
Este deveria ter sido o título do meu artigo anterior.
Uma alusão explicita à tentativa de suavizar o tom aborrecido, quiçá rabujento de meus últimos rascunhos.
Intenção que agora retomo, visto que foi imediatamente abandonada ante o inominável.
Ao devastador efeito dos estilhaços que nos alcançam por meio de manchetes impressas, flashes televisivos, ou de janelas virtuais, venham de Bagdá, Bogotá, ou desta cidade - fratricida, fraturada chamada Rio de Janeiro.
Ah! Esta Gaia que devora os próprios filhos e os regurgita tal qual uma releitura antropofágica abortada. Tautologia.
Como conseqüência perplexidade, inércia e letargia. Pleonasmos que ratificam o olhar embaçado, o peito encolhido e as mãos quietas.
E, no entanto somos intimados por nossos gurus midiáticos a manter o pensamento positivo haja o que houver extirpando qualquer vestígio de melancolia, rotulada por nossa eficiente indústria farmacêutica como sintoma inadmissível de uma inconveniente depressão ou uma improdutiva síndrome do pânico, que devem ser indubitavelmente tratadas com os mais recentes lançamentos tarja preta de seus laboratórios.
Então seguimos em frente como o querem nossos sorridentes profissionais de psicanálise prêt-à-porter, (auto–ajuda para os íntimos).
E me flagro cantarolando o samba-enredo do último carnaval (lenitivo imprescindível a que nos permitimos e pelo qual nos perdoamos).
E reconheço conquistas alcançadas, pelas mulheres, por exemplo, que têm um dia marcado no calendário, o direito de ostentar a dupla jornada e a metade dos salários. Nem sei porque falo nisso. Faz uma semana e esse assunto de direito da mulher já ficou velho, varrido para o sótão jornalístico por mais um noticiário hemorrágico...Mas sim ainda temos a poesia! E hoje, eu disse hoje, é dia da poesia e embora eu tenha a imperdoável inclinação para recordar Anjos que são Augustos:
Chama-se a Dor, e quando passa, enluta
E todo mundo que por ela passa
Há de beber a taça da cicuta
E há de beber até o fim da taça!
Há de beber, enxuto o olhar, enxuta
A face, e o travo há de sentir, e a ameaça
Amarga dessa desgraçada fruta
Que é a fruta amargosa da Desgraça!
E quando o mundo todo paralisa
E quando a multidão toda agoniza,
Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno
De agonizante multidão rodeada,
Derrama em cada boca envenenada
Mais uma gota do fatal veneno!
Reconheço que somos possíveis enquanto admitirmos como um Caju adocicado:
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria.
Este deveria ter sido o título do meu artigo anterior.
Uma alusão explicita à tentativa de suavizar o tom aborrecido, quiçá rabujento de meus últimos rascunhos.
Intenção que agora retomo, visto que foi imediatamente abandonada ante o inominável.
Ao devastador efeito dos estilhaços que nos alcançam por meio de manchetes impressas, flashes televisivos, ou de janelas virtuais, venham de Bagdá, Bogotá, ou desta cidade - fratricida, fraturada chamada Rio de Janeiro.
Ah! Esta Gaia que devora os próprios filhos e os regurgita tal qual uma releitura antropofágica abortada. Tautologia.
Como conseqüência perplexidade, inércia e letargia. Pleonasmos que ratificam o olhar embaçado, o peito encolhido e as mãos quietas.
E, no entanto somos intimados por nossos gurus midiáticos a manter o pensamento positivo haja o que houver extirpando qualquer vestígio de melancolia, rotulada por nossa eficiente indústria farmacêutica como sintoma inadmissível de uma inconveniente depressão ou uma improdutiva síndrome do pânico, que devem ser indubitavelmente tratadas com os mais recentes lançamentos tarja preta de seus laboratórios.
Então seguimos em frente como o querem nossos sorridentes profissionais de psicanálise prêt-à-porter, (auto–ajuda para os íntimos).
E me flagro cantarolando o samba-enredo do último carnaval (lenitivo imprescindível a que nos permitimos e pelo qual nos perdoamos).
E reconheço conquistas alcançadas, pelas mulheres, por exemplo, que têm um dia marcado no calendário, o direito de ostentar a dupla jornada e a metade dos salários. Nem sei porque falo nisso. Faz uma semana e esse assunto de direito da mulher já ficou velho, varrido para o sótão jornalístico por mais um noticiário hemorrágico...Mas sim ainda temos a poesia! E hoje, eu disse hoje, é dia da poesia e embora eu tenha a imperdoável inclinação para recordar Anjos que são Augustos:
Chama-se a Dor, e quando passa, enluta
E todo mundo que por ela passa
Há de beber a taça da cicuta
E há de beber até o fim da taça!
Há de beber, enxuto o olhar, enxuta
A face, e o travo há de sentir, e a ameaça
Amarga dessa desgraçada fruta
Que é a fruta amargosa da Desgraça!
E quando o mundo todo paralisa
E quando a multidão toda agoniza,
Ela, inda altiva, ela, inda o olhar sereno
De agonizante multidão rodeada,
Derrama em cada boca envenenada
Mais uma gota do fatal veneno!
Reconheço que somos possíveis enquanto admitirmos como um Caju adocicado:
Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
Que ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a tua fonte escondida
Te alcanço em cheio, o mel e a ferida
E o corpo inteiro como um furacão
Boca, nuca, mão e a tua mente não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio pra dar alegria.
terça-feira, março 06, 2007
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
Só
“Nada a declarar”.
Silêncio e sons. Só.
Como Lulu, Jiddu e... Djair às gargalhadas nas águas de Cabo Frio.
E tudo estaria dito, expresso, confesso, explícito.
Mas se o grito está aqui latente dissolvido entre as conversas rotineiras, comodamente pulverizado nas crônicas das férias e perfeitamente enquadrado nas brechas permitidas pelos campeonatos de futebol, desfiles de carnaval, ou realities show pavlovianos, sempre em horário nobre. O que fazer?
Psiu! Cala boca senão eu berro! É o que eu diria Mas claro, não digo. E me abrigo. Só.
Eco!!!
Reverbera esse burburinho feito redemoinho dentro de mim.
Me ofusca o pensamento.
Ruídos surdos e constantes, subterrâneos, crônicos e persistentes. Vozes veladas no vazio insustentável do ser.
Silêncio. Diante do susto. Assombro diante de uma barbárie.
Mas falamos tanto e não dizemos nada. E mergulhamos em monólogos simultâneos que impedem o encontro. Por que não ouvimos o que o olho vizinho sussurra.
E vamos às palavras, às conversas que nos aliviam de nossos incômodos diários. Discursos pertinentes, coerentes e adequados.
É que precisamos de algum lenitivo.
Mas qual?
Silêncio...
Silêncio?
Silêncio!
Só.
Silêncio e sons. Só.
Como Lulu, Jiddu e... Djair às gargalhadas nas águas de Cabo Frio.
E tudo estaria dito, expresso, confesso, explícito.
Mas se o grito está aqui latente dissolvido entre as conversas rotineiras, comodamente pulverizado nas crônicas das férias e perfeitamente enquadrado nas brechas permitidas pelos campeonatos de futebol, desfiles de carnaval, ou realities show pavlovianos, sempre em horário nobre. O que fazer?
Psiu! Cala boca senão eu berro! É o que eu diria Mas claro, não digo. E me abrigo. Só.
Eco!!!
Reverbera esse burburinho feito redemoinho dentro de mim.
Me ofusca o pensamento.
Ruídos surdos e constantes, subterrâneos, crônicos e persistentes. Vozes veladas no vazio insustentável do ser.
Silêncio. Diante do susto. Assombro diante de uma barbárie.
Mas falamos tanto e não dizemos nada. E mergulhamos em monólogos simultâneos que impedem o encontro. Por que não ouvimos o que o olho vizinho sussurra.
E vamos às palavras, às conversas que nos aliviam de nossos incômodos diários. Discursos pertinentes, coerentes e adequados.
É que precisamos de algum lenitivo.
Mas qual?
Silêncio...
Silêncio?
Silêncio!
Só.
quinta-feira, janeiro 25, 2007
quarta-feira, janeiro 10, 2007
terça-feira, janeiro 02, 2007
A nós mesmos!!!
Sobrevivemos! Mais um ano escorregou por entre nossos dedos. Provando o quanto somos coadjuvantes da própria vida.
E o quanto, por maior que seja a dor, ela passa.
E para desespero de nossa veia dramática, percebemos que, no fundo, era menos dor que qualquer Pessoa nos poderia inspirar.
E chega ao fim. O ano. E se renovam as ilusões de que o calendário tenha algum efeito mágico sobre os humanos, estes seres superiores cuja maior proeza tem sido produzir maravilhas tecnológicas que para existirem ameaçam seu próprio inventor.
Mas sobrevivemos! À incoerência, ao cinismo, à intolerância, às guerras, ao poder.
E assim subvertemos o desfecho a que a decepção, a descrença, o medo, o ceticismo e o cansaço poderiam nos levar (o fim da História?). E vamos à praia. Ainda.
Sobrevivemos às notícias, à mídia, aos fins, aos meios, ao fatalismo, à economia, ao mercado, ao trabalho, ao mercado-de-trabalho,
à acidez Dogville, a nós mesmos.
Sobrevivemos às propagandas a irrigarem olhos e bocas, às compras, às filas, às liquidações, às parcelas (que carregaremos pelas próximas faturas), às festas, aos parentes distantes (abraços que nos alcançam...), às comidas, às bebidas, e ainda temos que agradecer por tais aborrecimentos inerentes a nosso modus operandi.
Alguns vizinhos, do andar de baixo da pirâmide, sobrevivem à fome, à sede, à chuva, à indiferença, às diferenças, ao (su)posto de saúde, à falta de (qualquer) trabalho.
Sobrevivemos aos ônibus-crematório, às balas certeiras, ao réveillon do samba retocado (???) misturado ao hip hop açucarado à moda barbie. Êta imperialismo onipresente. Será o Benedito?
Ao vazio que as festas não preenchem, ao silêncio que os fogos de artifício não calam, à saudade de uma alegria abortada que sorrisos adultos não conhecem.
Sobrevivemos e sobreviveremos a mais um ano que se inicia para, ao final contabilizar vitórias comezinhas como uma pós-graduação, mudança de cargo, ou mais um flerte inconseqüente.
E eu, esse Abaporu anacrônico, afônico e mal-pago apenas suporto e me comporto sob os proparoxítonos rituais civilizatórios contemporâneos.
E o quanto, por maior que seja a dor, ela passa.
E para desespero de nossa veia dramática, percebemos que, no fundo, era menos dor que qualquer Pessoa nos poderia inspirar.
E chega ao fim. O ano. E se renovam as ilusões de que o calendário tenha algum efeito mágico sobre os humanos, estes seres superiores cuja maior proeza tem sido produzir maravilhas tecnológicas que para existirem ameaçam seu próprio inventor.
Mas sobrevivemos! À incoerência, ao cinismo, à intolerância, às guerras, ao poder.
E assim subvertemos o desfecho a que a decepção, a descrença, o medo, o ceticismo e o cansaço poderiam nos levar (o fim da História?). E vamos à praia. Ainda.
Sobrevivemos às notícias, à mídia, aos fins, aos meios, ao fatalismo, à economia, ao mercado, ao trabalho, ao mercado-de-trabalho,
à acidez Dogville, a nós mesmos.
Sobrevivemos às propagandas a irrigarem olhos e bocas, às compras, às filas, às liquidações, às parcelas (que carregaremos pelas próximas faturas), às festas, aos parentes distantes (abraços que nos alcançam...), às comidas, às bebidas, e ainda temos que agradecer por tais aborrecimentos inerentes a nosso modus operandi.
Alguns vizinhos, do andar de baixo da pirâmide, sobrevivem à fome, à sede, à chuva, à indiferença, às diferenças, ao (su)posto de saúde, à falta de (qualquer) trabalho.
Sobrevivemos aos ônibus-crematório, às balas certeiras, ao réveillon do samba retocado (???) misturado ao hip hop açucarado à moda barbie. Êta imperialismo onipresente. Será o Benedito?
Ao vazio que as festas não preenchem, ao silêncio que os fogos de artifício não calam, à saudade de uma alegria abortada que sorrisos adultos não conhecem.
Sobrevivemos e sobreviveremos a mais um ano que se inicia para, ao final contabilizar vitórias comezinhas como uma pós-graduação, mudança de cargo, ou mais um flerte inconseqüente.
E eu, esse Abaporu anacrônico, afônico e mal-pago apenas suporto e me comporto sob os proparoxítonos rituais civilizatórios contemporâneos.
Portanto, mais que nada, mais que nunca, que mais resta? Em uma tarde chuvosa de 1º de Janeiro, me socorrem as memórias de Dom Casmurro, e Renato distraído, tranqüilo, e tão contente. Então viro a folhinha, confiro a validade de meus ácidos, alinhavo algumas idéias sem prumo (sublimação necessária) e respiro fundo que amanhã encaro o batente cedo.
domingo, dezembro 31, 2006
quarta-feira, dezembro 20, 2006
terça-feira, dezembro 12, 2006
Mãos quietas
Apenas escrevo. Febril. Como um remanescente dos surrealistas automáticos, hoje desbotados diante dos rascunhos frenéticos que se nos impõem as linhas tortas dessa existência. Mas ainda assim necessários, porque ávidos.
Ouvindo Maria Rita sonhado que é ela, Elis, mas não é.
São outros tempos.
"A hora do encontro é também despedida...”
Ah! borboleta perversa que valseia e tripudia.
E se ri de meu olho que parte da Leopoldina. Estica. Se atira.
Enquanto toureio o ímpeto à unha. Engolindo em seco essa água na boca.
Conservando o discurso pertinente. A voz adequada. O tom correto.
E as mãos quietas. Contidas.
Por quê?
Não sei. Só esse saldo de fim-de-ano. E as festas superficiais de amigo pedinte.
E o cansaço.
E essa sede.
De compor rimas pobres.
“É a vida desse meu lugar”
Ouvindo Maria Rita sonhado que é ela, Elis, mas não é.
São outros tempos.
"A hora do encontro é também despedida...”
Ah! borboleta perversa que valseia e tripudia.
E se ri de meu olho que parte da Leopoldina. Estica. Se atira.
Enquanto toureio o ímpeto à unha. Engolindo em seco essa água na boca.
Conservando o discurso pertinente. A voz adequada. O tom correto.
E as mãos quietas. Contidas.
Por quê?
Não sei. Só esse saldo de fim-de-ano. E as festas superficiais de amigo pedinte.
E o cansaço.
E essa sede.
De compor rimas pobres.
“É a vida desse meu lugar”
quinta-feira, dezembro 07, 2006
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Já é
Cheguei a acreditar que meu comentário semanal se tornaria anuário, mas, passado o deslumbramento da primeira crônica, que – use sutiã ou não – ninguém esquece, e o pavor do Word em branco, cá estou eu novamente.
E se a referência feita no início do parágrafo faz sentido somente para quem, como esta que vos fala, quer dizer, posta (???), cruzou a linha que separa a existência idílica e o reality show subalterno, tudo bem. Menos sentido teria se eu dissesse que há muito queimei este objeto de desejo e da dominação machista, porco-chauvinista e pequeno-burguesa ou que aposentei meu “porta seios”. Para deleite de Drummond.
Mas se ainda lembro (Ah! Marisa...) de Caetano esbravejando no Festival da Canção de 68 que, meninos, não vi (ainda não desembarcara nesta terra de palmeiras onde pia meu Dodô ): “essa juventude (...) vocês não estão entendendo nada...”, num ambiente cujo lema era “não cofiem em ninguém com mais de trinta”, me conformo em gritar no deserto, embora use megafone e tecla sap, para meus interlocutores preferidos: os jovens, ou, só pra manter a linha, a galera...
Não! Não sou uma balzaquiana mal resolvida, sou, no máximo, uma adolescente retardatária bem-humorada.
Também não sou comunista: não como criancinhas.
Apenas percebi que estava fazendo uma escolha ao me assistir tão feliz conversando com pessoas na casa dos vinte, que, se não leram Dostoievski, ou não ouviram Maria Callas, nem discutiram os recursos utilizados pela cultura de massa para transformar qualquer banalidade em show midiático celebrado por milhões de telespectadores, ainda mantêm e exibem um frescor revigorante, uma alegria contagiante que não vejo mais em meus pares cronológicos. Então, se seu parco vocabulário é fruto de uma cultura audiovisual, que à indústria de eletro-eletrônicos interessa expandir; se suas frases curtas e intermitentes nos revelam a miúda convivência com Vinícius, Cecília, Clarice... Num país onde o projeto de nação foi baseado na exclusão provocada por uma educação elitista, cujo pilar, a rede pública de ensino, tem como objetivo único o fornecimento de mão-de-obra minimamente treinada para acionar botões, ler manuais e utilizar o Excel, o que haveremos de fazer senão rir com eles? E chorar. Porque já é. Epígrafe de uma sociedade premida pela pressa e a produtividade, por números e gráficos, pelas competências e o mercado de trabalho, pelo fitness e o coiffeur, pelo sorriso de plástico e a bunda de silicone.
Por que time is money.
Por que já é...
E, no entanto, conheço Daiana, com seus olhos de amêndoa, curiosa sobre o magistério, flertando com a sociologia. Mulher. Delicada e firme.
E conheço Elaine, ávida por Michelangelo e Bosh. E conheço Antônia, tão linda que incomoda, porque não é só linda. E ainda me levam a admitir: Ah! Que saudade do tempo em que eu era espontânea... Sorriso fácil, ingênuo e largo.
E se a referência feita no início do parágrafo faz sentido somente para quem, como esta que vos fala, quer dizer, posta (???), cruzou a linha que separa a existência idílica e o reality show subalterno, tudo bem. Menos sentido teria se eu dissesse que há muito queimei este objeto de desejo e da dominação machista, porco-chauvinista e pequeno-burguesa ou que aposentei meu “porta seios”. Para deleite de Drummond.
Mas se ainda lembro (Ah! Marisa...) de Caetano esbravejando no Festival da Canção de 68 que, meninos, não vi (ainda não desembarcara nesta terra de palmeiras onde pia meu Dodô ): “essa juventude (...) vocês não estão entendendo nada...”, num ambiente cujo lema era “não cofiem em ninguém com mais de trinta”, me conformo em gritar no deserto, embora use megafone e tecla sap, para meus interlocutores preferidos: os jovens, ou, só pra manter a linha, a galera...
Não! Não sou uma balzaquiana mal resolvida, sou, no máximo, uma adolescente retardatária bem-humorada.
Também não sou comunista: não como criancinhas.
Apenas percebi que estava fazendo uma escolha ao me assistir tão feliz conversando com pessoas na casa dos vinte, que, se não leram Dostoievski, ou não ouviram Maria Callas, nem discutiram os recursos utilizados pela cultura de massa para transformar qualquer banalidade em show midiático celebrado por milhões de telespectadores, ainda mantêm e exibem um frescor revigorante, uma alegria contagiante que não vejo mais em meus pares cronológicos. Então, se seu parco vocabulário é fruto de uma cultura audiovisual, que à indústria de eletro-eletrônicos interessa expandir; se suas frases curtas e intermitentes nos revelam a miúda convivência com Vinícius, Cecília, Clarice... Num país onde o projeto de nação foi baseado na exclusão provocada por uma educação elitista, cujo pilar, a rede pública de ensino, tem como objetivo único o fornecimento de mão-de-obra minimamente treinada para acionar botões, ler manuais e utilizar o Excel, o que haveremos de fazer senão rir com eles? E chorar. Porque já é. Epígrafe de uma sociedade premida pela pressa e a produtividade, por números e gráficos, pelas competências e o mercado de trabalho, pelo fitness e o coiffeur, pelo sorriso de plástico e a bunda de silicone.
Por que time is money.
Por que já é...
E, no entanto, conheço Daiana, com seus olhos de amêndoa, curiosa sobre o magistério, flertando com a sociologia. Mulher. Delicada e firme.
E conheço Elaine, ávida por Michelangelo e Bosh. E conheço Antônia, tão linda que incomoda, porque não é só linda. E ainda me levam a admitir: Ah! Que saudade do tempo em que eu era espontânea... Sorriso fácil, ingênuo e largo.
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