terça-feira, maio 23, 2017
a árvore que está naquele lugar
como ela nasceu?
por que ela nasceu?
por que ela nasce?
o que lhe compõe?
o qu elhe atravessa?
importa saber?
Elá está lá!
E cresce!
Inteira!
ou aos pedaços.
Está lá!
Se reta ou inclinada
Ela está lá
Se nobre imponente
ou tímida, culpada
Está lá!
De qualquer forma
Está lá
Viva!
Então não há perguntas
não há respostas
Há o sentir
Se sentir
Comer e arrotar
degustar e gozar
Essa é a busca!
e vai crescendo
Movimento contínuo
Interrompido por milésimos
Os atravessamentos
E com eles engrossando
"o que não mata, engorda, filha!"
Tem dor.
Que também vira insumo
Também!
porque tudo está
Sinto
crescendo
virando flores
Ela está lá
Está lá.
Está.
(texto produzido durante a oficina Life/Art The Process com Marie Clouse
domingo, abril 16, 2017
enquanto (não) digo
enquanto (não) digo
(e ouço Wild is the wind com Nina)
(e ouço Wild is the wind com Nina)
ela disse que
talvez
pudesse
um dia
e achou que as reticências
o silêncio
era o caminho
de uma descabelada declaração
mas não
não era possível ouvir
não se podia
era pouco
era dia
estava muito claro ali
era preciso uma noite, um piano, filme noir que só existia na cabeça delatalvez
pudesse
um dia
e achou que as reticências
o silêncio
era o caminho
de uma descabelada declaração
mas não
não era possível ouvir
não se podia
era pouco
era dia
estava muito claro ali
e lhe habitava toda a intensidade que talvez tenha ficado dos anos que não viveu
uma dor visceral, abissal que não conseguia discernir
e não deixava emergir
tal qual o pássaro que saltava dentro do peito, escondido
e todo aquele cenário implodiu
quando sorrisos solares alheios lhe atravessaram
desconhecia essa alegria
um susto essa festa toda
isso lhe era mistério
e fez o estômago dar voltas em si mesmo
nem sussurro,
nem esboço,
nem vômito
só o azedo na língua o rasgo mudo
lancinante que ia do esterno até o céu da boca
embora a polidez habitual permanecesse
e ninguém
ninguém nessa cidade
poderia imaginar
em qualquer momento se quer
o que se regurgita
aqui
sexta-feira, dezembro 30, 2016
diz de mim
esse céu de chumbo
que desaba
e cinco minutos depois se abre lânguido
pro sol passar
diz de mim a desistência rotineira
quando perco a hora
o ônibus
a vaga
o bonde da história
e sento do meio-fio
pra pagar a conta atrasada
enquanto meu amor não chega
diz de mim
o bolo solado
o arroz papa
a RG perdida
os juros de mora
porque não sei dançar conforme a música
o calendário
o contrato
as normas
os prazos
a métrica
o edital
então tropeço nos tapetes das etiquetas
e me perco nas ruas do Saara
numa tarde dezembro...
esse céu de chumbo
que desaba
e cinco minutos depois se abre lânguido
pro sol passar
diz de mim a desistência rotineira
quando perco a hora
o ônibus
a vaga
o bonde da história
e sento do meio-fio
pra pagar a conta atrasada
enquanto meu amor não chega
diz de mim
o bolo solado
o arroz papa
a RG perdida
os juros de mora
porque não sei dançar conforme a música
o calendário
o contrato
as normas
os prazos
a métrica
o edital
então tropeço nos tapetes das etiquetas
e me perco nas ruas do Saara
numa tarde dezembro...
terça-feira, abril 26, 2016
Para dias de ódio declarado em ruas, restaurantes e congressos, Drummond nos sopra uma brisa....
A Flor e a Náusea
Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio
terça-feira, março 22, 2016
Hoje já é quase
amanhã
E eu lembro quase tudo que quase fiz
Quase disse a palavra burilada na garganta
Quase dei o abraço germinado no peito
Quase escrevi o poema adormecido na pena
Quase morri a morte distraída
Quase voei sobre as casas da Lapa no alvorecer de Chagal
Quase mordi a boca oferecida
E revi pra chorar convulsiva
Amélie dissolver quase entregue em purpurinas dissonantes
Quase ...
Ah! Queridas reticências!
De verbo suspenso de quase ação
Quase amei intransitivamente meu querido Mário!
Quase cheguei e perdi o horário
Quase!
E como pessoa: vil, ridículo, perdulário
E eu lembro quase tudo que quase fiz
Quase disse a palavra burilada na garganta
Quase dei o abraço germinado no peito
Quase escrevi o poema adormecido na pena
Quase morri a morte distraída
Quase voei sobre as casas da Lapa no alvorecer de Chagal
Quase mordi a boca oferecida
E revi pra chorar convulsiva
Amélie dissolver quase entregue em purpurinas dissonantes
Quase ...
Ah! Queridas reticências!
De verbo suspenso de quase ação
Quase amei intransitivamente meu querido Mário!
Quase cheguei e perdi o horário
Quase!
E como pessoa: vil, ridículo, perdulário
fui clown-bissexto
e perdi a corrida de marcha à ré
e perdi o bonde
e quase sorri
mas quase é tempo não nascido
não contado
e perdi a corrida de marcha à ré
e perdi o bonde
e quase sorri
mas quase é tempo não nascido
não contado
é tom sépia
desmaiado
quase é o tempo que esses tempos não conhecem
só há flit, flash, fast
Ávidos
quando quase chegam já se vão
De hoje amanhã nem cheiro têm
tempos sem tempo de cozer em forno a lenha
de Penélope puída
em que não cabe o tempo plácido
tempos de futuro do pretérito preterido
pois quando ia já não vai
só o presente contínuo de gozo imediato
e já é
onde amores fluidos
se vão diluídos
nos olhos quase profundos...
Que à noite vêm
desmaiado
quase é o tempo que esses tempos não conhecem
só há flit, flash, fast
Ávidos
quando quase chegam já se vão
De hoje amanhã nem cheiro têm
tempos sem tempo de cozer em forno a lenha
de Penélope puída
em que não cabe o tempo plácido
tempos de futuro do pretérito preterido
pois quando ia já não vai
só o presente contínuo de gozo imediato
e já é
onde amores fluidos
se vão diluídos
nos olhos quase profundos...
Que à noite vêm
quarta-feira, novembro 20, 2013
sexta-feira, outubro 18, 2013
segunda-feira, outubro 14, 2013
sábado, outubro 05, 2013
Hoje foi tão bom que ainda estou flutuando.
E sigo por sobre a cidade vendo aqui do alto o mundo pequeno do qual preciso escapar.
“Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas.”
Hoje sinto reverberar no corpo o entusiasmo que só sinto no teatro.
Lá não preciso de crachá, currículo, título ou sobrenome.
Lá um borrifador vira chafariz e vira cachoeira e vira lágrima.
E um lenço vira bandeira e vira luva e vira bebê.
Lá eu viro Ofélia e viro Ninfa e viro uma das Erínias.
Lá, no Teatro, o Tempo e o Espaço se dissolvem e se recompõem amalgamando sorrisos e dores, vales e precipícios, amores e fúrias.
Mas o teatro não está lá. Ele é aqui. Dentro. Ardendo na garganta
Se derramando no peito. Transbordando pela boca.
O que vivi hoje, no Hotel da Loucura, já senti antes.
Mas nem lembrava mais como era.
E hoje foi um reencontro. Com um abraço demorado, acolhedor, terno e cúmplice.
Reencontro faminto, sedento, ávido, urgente. Com saudade de quem nunca devia ter me separado. Mas que agora não largo mais!
Não quero fazer outra coisa da vida.
E sigo por sobre a cidade vendo aqui do alto o mundo pequeno do qual preciso escapar.
“Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas.”
Hoje sinto reverberar no corpo o entusiasmo que só sinto no teatro.
Lá não preciso de crachá, currículo, título ou sobrenome.
Lá um borrifador vira chafariz e vira cachoeira e vira lágrima.
E um lenço vira bandeira e vira luva e vira bebê.
Lá eu viro Ofélia e viro Ninfa e viro uma das Erínias.
Lá, no Teatro, o Tempo e o Espaço se dissolvem e se recompõem amalgamando sorrisos e dores, vales e precipícios, amores e fúrias.
Mas o teatro não está lá. Ele é aqui. Dentro. Ardendo na garganta
Se derramando no peito. Transbordando pela boca.
O que vivi hoje, no Hotel da Loucura, já senti antes.
Mas nem lembrava mais como era.
E hoje foi um reencontro. Com um abraço demorado, acolhedor, terno e cúmplice.
Reencontro faminto, sedento, ávido, urgente. Com saudade de quem nunca devia ter me separado. Mas que agora não largo mais!
Não quero fazer outra coisa da vida.
sábado, setembro 21, 2013
segunda-feira, setembro 09, 2013
enquanto é sol
enquanto é sol
estala a língua
abre a boca
estica os braços
e lança o peito
enquanto é sol
infla as bochechas
arreganha os dentes
fecha os olhos
e sente
enquanto é sol
apura os ouvidos
apara as arestas
permite as pernas
e descansa os pés
enquanto é sol
estende as mãos
apeia os ombros
deita a cabeça
e degusta o silêncio
enquanto é sol
não há dúvida
medo
incerteza
só o sol
inteiro
dentro
(de) em si.
estala a língua
abre a boca
estica os braços
e lança o peito
enquanto é sol
infla as bochechas
arreganha os dentes
fecha os olhos
e sente
enquanto é sol
apura os ouvidos
apara as arestas
permite as pernas
e descansa os pés
enquanto é sol
estende as mãos
apeia os ombros
deita a cabeça
e degusta o silêncio
enquanto é sol
não há dúvida
medo
incerteza
só o sol
inteiro
dentro
(de) em si.
sábado, agosto 03, 2013
eu tenho é pressa mainha
que agora é o tempo
da hora marcada
que amanhã começa hoje
e já nem lembro quando mais
eu tenho é pressa mainha
porque me distraio
enquanto espero
e se sei que é sonho tanto faz
eu tenho é pressa mainha
que a pressa não seja precisa
que a hora não haja que marcar
que hoje não se perca no tempo
que o sonho não espere pra chegar
distraído abraçar
que agora é o tempo
da hora marcada
que amanhã começa hoje
e já nem lembro quando mais
eu tenho é pressa mainha
porque me distraio
enquanto espero
e se sei que é sonho tanto faz
eu tenho é pressa mainha
que a pressa não seja precisa
que a hora não haja que marcar
que hoje não se perca no tempo
que o sonho não espere pra chegar
distraído abraçar
segunda-feira, junho 03, 2013
às vezes sinto frio
e junto os pés no meio da rua
às vezes sinto fome e enrolo os braços
na frente do peito
às vezes sinto medo
e aperto os dedos dentro da mãos
às vezes as mãos se apertam no meio do peito
às vezes os braços se enrolam na frente dos pés
às vezes as ruas se juntam dentro das mãos
às vezes acho que não sinto
mas a espinha já está dobrada
e junto os pés no meio da rua
às vezes sinto fome e enrolo os braços
na frente do peito
às vezes sinto medo
e aperto os dedos dentro da mãos
às vezes as mãos se apertam no meio do peito
às vezes os braços se enrolam na frente dos pés
às vezes as ruas se juntam dentro das mãos
às vezes acho que não sinto
mas a espinha já está dobrada
domingo, abril 21, 2013
é condor mesmo...
é com dor
é com dor mesmo
que vai
é com dor
com dor
condor
voando pra longe
onde a dor se esvazia
é com dor mesmo
que vai
quem diria
é com dor
com dor
condor
levando consigo teus ais
e voando pra onde nem se via
é com dor mesmo
que vai
é com dor
com dor
condor
voando pra longe
onde a dor se esvazia
é com dor mesmo
que vai
quem diria
é com dor
com dor
condor
levando consigo teus ais
e voando pra onde nem se via
Chuva fina
chuva fina
nem molha
nem faz frio no peito
chuva fina
nem se percebe
nem se sente direito
chuva fina é devagarinho
quase sumida
ninguém vê
e quando o espirro vem
é que se sabe que a alma tá encharcada
nem molha
nem faz frio no peito
chuva fina
nem se percebe
nem se sente direito
chuva fina é devagarinho
quase sumida
ninguém vê
e quando o espirro vem
é que se sabe que a alma tá encharcada
"o que não mata, engorda"
dizia vó Terezinha limpando meu joelho
levantando a bicicleta,
puxando o dente de leite,
sacudindo o casaco
ajeitando a maria-chiquinha
"o que não mata engorda, minha filha"
vó dizia
e ainda ouço hoje
quando o joelho arde
a bicicleta derrapa
o dente balança
o casaco desfia
e o olhar turva
onde está vó Terezinha agora?
não sei
Mas está aqui
todo dia
comigo
dizia vó Terezinha limpando meu joelho
levantando a bicicleta,
puxando o dente de leite,
sacudindo o casaco
ajeitando a maria-chiquinha
"o que não mata engorda, minha filha"
vó dizia
e ainda ouço hoje
quando o joelho arde
a bicicleta derrapa
o dente balança
o casaco desfia
e o olhar turva
onde está vó Terezinha agora?
não sei
Mas está aqui
todo dia
comigo
sábado, abril 13, 2013
é fome menina
que esse garoto sente
não pára quieto
olha pra todo lado
cola em tudo que é gente
é fome
imagina
e fala e faz e nem pensa pra quê
ele só quer comer junto
e arrotar no meio da gargalhada
numa tarde de domingo...
é fome sim
quem duvida?
fome de cor
de brilho
de gosto
e saliva
inteiro
pela vida
que há de viver.
que esse garoto sente
não pára quieto
olha pra todo lado
cola em tudo que é gente
é fome
imagina
e fala e faz e nem pensa pra quê
ele só quer comer junto
e arrotar no meio da gargalhada
numa tarde de domingo...
é fome sim
quem duvida?
fome de cor
de brilho
de gosto
e saliva
inteiro
pela vida
que há de viver.
sábado, abril 06, 2013
POÉTICA
Manuel Bandeira
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja
fora de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante
exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes
| maneiras de agradar às mulheres, etc Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbedos O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare - Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. |
Manuel Bandeira
sexta-feira, novembro 09, 2012
eita que é saudade só o que eu sinto
chiando aqui no peito feito apito
e quando mais tempo passa
mais minto
que em tudo há graça
e acredito
eita que é cansaço só e consinto
assim ficar agora
meu grito
quieto, morno, fraco,encolhido
ou manso, tonto, parvo, recolhido
ou manco, magro, fluido, esquecido
esperando a hora
de ser rugido
quarta-feira, setembro 05, 2012
quinta-feira, junho 14, 2012
quinta-feira, maio 03, 2012
como se foi ontem
é como se foi ontem
tão tanto ainda no peito
do tantim de sorriso que vinha
da faísca do olho suspeito
do fôlego que se perdia
lembrança é fio sumido
somente sombra comigo abrigada
vem só quando a noite se guarda
quando pia rolim em dia chuvido
é como se foi ontem
e tão tanto no peito ainda
do tantin que teu olho me dava
do silêncio inquieto que me ardia
é hoje noite
que sombra traz
mais uma vez fio sumido
no pio de rolim
outra vez
faísca inquieta
silêncio incapaz
falta fôlego
e paz
em mim
tão tanto ainda no peito
do tantim de sorriso que vinha
da faísca do olho suspeito
do fôlego que se perdia
lembrança é fio sumido
somente sombra comigo abrigada
vem só quando a noite se guarda
quando pia rolim em dia chuvido
é como se foi ontem
e tão tanto no peito ainda
do tantin que teu olho me dava
do silêncio inquieto que me ardia
é hoje noite
que sombra traz
mais uma vez fio sumido
no pio de rolim
outra vez
faísca inquieta
silêncio incapaz
falta fôlego
e paz
em mim
segunda-feira, março 05, 2012
é feito areia fina
feito farinha d'água
ou pó de borboleta
nome não falta pra dar
faísca serve de apelido
ou fagulha que fácil se vê
palavras tantas que há
mesmo se o senso falha ao dizer
mas hesito definir
se o vaticínio assim assusta
deixa o rio só seguir
calar aqui guardado já não me custa
silêncio é ninho que acolhe
e nele abrigo
o que dentro do peito se recolhe
nessa cantiga de amigo
feito farinha d'água
ou pó de borboleta
nome não falta pra dar
faísca serve de apelido
ou fagulha que fácil se vê
palavras tantas que há
mesmo se o senso falha ao dizer
mas hesito definir
se o vaticínio assim assusta
deixa o rio só seguir
calar aqui guardado já não me custa
silêncio é ninho que acolhe
e nele abrigo
o que dentro do peito se recolhe
nessa cantiga de amigo
sexta-feira, novembro 18, 2011
um dia
dispense o sorriso ensaiado
o tom comportado
e vá embora
não pense no céu nublado
guarda-chuva quebrado
no frio lá fora
tudo vai se assentar
agora
esse tempo deve passar
um dia
o tom comportado
e vá embora
não pense no céu nublado
guarda-chuva quebrado
no frio lá fora
tudo vai se assentar
agora
esse tempo deve passar
um dia
quarta-feira, outubro 26, 2011
terça-feira, outubro 04, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
quinta-feira, agosto 18, 2011
perfume
ah! quantas pétalas tem esse coração em flor
que desabrocha entregue
para ofertar seu perfume?
ao mundo
!!!
te amo
meu dengo...
que desabrocha entregue
para ofertar seu perfume?
ao mundo
!!!
te amo
meu dengo...
quinta-feira, março 10, 2011
segunda-feira, janeiro 10, 2011
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica aí dentro,
não vou deixar
ninguém ver-te.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu despejo whisky para cima dele
e inalo fumo de cigarros
e as putas e os empregados de bar
e os funcionários da mercearia
nunca saberão
que ele se encontra
lá dentro.
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado duro para ele,
e digo, fica escondido,
queres arruinar-me?
queres foder-me o
meu trabalho?
queres arruinar
as minhas vendas de livros
na Europa?
há um pássaro azul no meu coração
que quer sair
mas eu sou demasiado esperto,
só o deixo sair à noite
por vezes
quando todos estão a dormir.
digo-lhe, eu sei que estás aí,
por isso
não estejas triste.
depois,
coloco-o de volta,
mas ele canta um pouco lá dentro,
não o deixei morrer de todo
e dormimos juntos
assim
com o nosso
pacto secreto
e é bom o suficiente
para fazer um homem chorar,
mas eu não choro,
e tu?
Charles Bukowski
segunda-feira, dezembro 06, 2010
terça-feira, novembro 30, 2010
Aniversário...
passa tempo
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
passa farto
passa lento
largo de passar
passa dentro
pelo avesso
o verso
que vou buscar
passa imenso
e abraça
quieto
a memória
que invento
pra vida ficar.
segunda-feira, novembro 29, 2010
sexta-feira, novembro 12, 2010
domingo, agosto 29, 2010
domingo à tarde
ô denguin
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.
quinta-feira, agosto 26, 2010
quarta-feira, agosto 25, 2010
aqui
me diz mamãe
donde eu vim
de boca aberta
de sono solto
e de colo perdido
diz mãe
pra onde vou
com o abraço quieto
o sorriso preso
e a vontade de dormir
aqui
donde eu vim
de boca aberta
de sono solto
e de colo perdido
diz mãe
pra onde vou
com o abraço quieto
o sorriso preso
e a vontade de dormir
aqui
sexta-feira, julho 30, 2010
terça-feira, julho 20, 2010
quinta-feira, julho 08, 2010
quarta-feira, maio 19, 2010
meu tempo
pronto!
estou aqui.
esperando
de novo
esse sabor
Godot vai me socorrer?
acho que já sei a resposta
"que horas são?"
"perdi (o) tempo (de)
espera!
agora quem sabe posso
assistir ao tempo
partir
estou aqui.
esperando
de novo
esse sabor
Godot vai me socorrer?
acho que já sei a resposta
"que horas são?"
"perdi (o) tempo (de)
espera!
agora quem sabe posso
assistir ao tempo
partir
quarta-feira, abril 28, 2010
Pão de doce
Antes d'ocê, o Sol que acordava em minha boca perdia-se em sujeira rabiscada em papel de pão dormido... olhos arregalados de poeta insone que escreve pra sentir um bocadinho neste deserto encrespado de minh'alma...
Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!
Antônio Hidalgo
Antes d'ocê, o Sol que acordava em minha boca perdia-se em sujeira rabiscada em papel de pão dormido... olhos arregalados de poeta insone que escreve pra sentir um bocadinho neste deserto encrespado de minh'alma...
Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!
Antônio Hidalgo
sexta-feira, março 19, 2010
segunda-feira, março 15, 2010
UNO SEM VERSO
Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo
Pablo Neruda.
Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo
quinta-feira, março 04, 2010
quarta-feira, março 03, 2010
o encontro
com Hidalgo
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você
aí
a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.
quinta-feira, fevereiro 18, 2010
...que linda és...
...acabei de conversar no msn com Raquel,
a amiga paulista que conheci em Cuba.
Ah! Na verdade acabei de falar pelo celular com Lili, que não vejo há um mês: quando cheguei de Cuba ela estava indo passar o carnaval em Ponta Negra.
Falei sobre a música de Cuba e dos novos amigos que me levaram pros blocos daqui...
Também acabei de postar mais algumas fotos no orkut, claro, de Cuba.
E, acabei de responder ao e-mail da Malu pra gente ir ao teatro amanhã, sexta.
Ah! A Maluuuu, companheira de quarto. Em Cuba.
Falei ainda agora na caixa do gmail com Cintia sobre... Cuba.
E ontem à noite, uma hora de blá, blá, blá com Max, metade sobre Cuba.
Um pouco antes tinha respondido (em espanhol! Ah! meu querido dicionário...) mensagem de Giselle e Ernesto jornalistas cubanos que conheci na última noite em Cuba.
É, parece que estou encharcada do morrito, da canchanchara e da lua de Cuba.
Está tudo aqui! E é tanto tudo que sei que só aos poucos essa cachoeira vai respingar em forma de palavras.
Não falta o que dizer, falta vontade de ordenar racionalmente.
Ainda quero só sentir o turbilhão...
Ouvi de um amigo: "empolgada, hein!"
Ele não sabe, nem imagina... E como não posso explicar nem pra mim, só disse: "é, sou assim!"
Traduzir algumas impressões...
Como? Não conseguia nem pra quem estava lá do meu lado!
Porque as percepções são imediatas e vinculadas às histórias de cada um.
As leituras e interpretações intimamente ligadas às referências que cada um traz na bagagem. O imaginário...
Memória e expectativas sobre essa Ilha que desafia o Império!
É isso!
A pequena e digna Ilha que desafia há mais de cinquenta anos o Império.
Cujo povo, festivo, logo percebemos, se organiza nos Comitês de Defesa da Revolução e discute o que é melhor para cada cidadão. Simples assim! A partir dos quatorze anos todos estão automaticamente cadastrados nos Comitês e convidados a participar dos debates.
Assuntos como a limpeza das ruas, iluminção, rendimento na escola fazem parte da agenda dos adolescentes. Conversei com alguns, troquei e-mails.
Intenet lá não é fácil, não é barato. Somente alguns podem.
E, claro, socializam com os amigos.
Isabel é uma dessas jovens. Falamos sobre festas, moda, planos para o futuro.
Sobre o bloqueio e a história deles.
Em todos com quem conversei há um traço em comum: orgulho.
Dos ex-combatentes aos "playboys" de Cuba - sim lá há! Os meninos e seu figurino peculiar, como os daqui: cabelo espetado, com reflexo. Camisa justa, calça também e cintos! Cintos arquitetônicos! Bem-humorados! -
Orgulho. Eles sabem quem são, o porquê do bloqueio. O motivo.
E o motivo faz toda diferença!
O bloqueio não é algo abstrato, uma figura de linguagem, não!
É o instrumento utilizado pelo líder capitalista para atingir uma nação que simplesmente levou a cabo seu desejo de exercer sua soberania. Cuba pratica diariamente seu direito de viver como bem quer. Sem a interferência tirânica do país que se autoproclama defensor nº 1 da democracia, liberdade expressão e pensamento, dos direitos humanos e, que no entanto mantém há quase dez anos cinco cubanos presos, dois deles sem qualquer contato com a família, após um julgamento no mínimo suspeito: em território americano (Miami) por autoridades americanas.
Sim, o bloqueio encarece, dificulta, exige paciência, sem dúvida.
Mas esse mesmo bloqueio reforça os laços de solidariedade. Porque coloca todos no mesmo barco. Exceto os que recebem dinheiro de familiares de Miami, que têm mais conforto, por terem acesso ao consumo: celulares, tênis, óculos, jeans de marca...
É, a "ditadura cubana" permite... Assim como permite em seus canais de TV aberta novelas brasileiras, filmes americanos, clips da MTV.
Enquanto nós democratas fomos aprendendo nas palestras de lá: os deputados trabalham até doze horas por dia, porque não recebem salário por sua atividade parlamentar, então têm dupla jornada. E a eleição é feita a partir dos currículos dos candidatos afixados em locais determinados.
Aprendemos tanto em duas semanas. E sentimos o quanto foi pouco. Quero mais! De Cuba, que linda és!
Logo...
Sim...
Por enquanto vamos degustando, saboreando. Algo muito mais doce que a canchanchara.
Esse mel, esse cheiro, (d) esse orgulho.
Porque é isso! Eu falava durante a "noche suramericana" com Carlos nosso guia charmoso, que fala cinco idiomas ( e que agora é meu amigo no facebook): "as dificuldades que vocês têm, não são de atendimento num hospital, ou aceso à Universidade. As dificuldades que vocês têm de consumo, tem um motivo claro: o bloqueio. E saber isso.
O motivo. Faz toda a diferença!"
Ele assentiu em silêncio... Sorriu. Um abraço.
E fomos dançar.
a amiga paulista que conheci em Cuba.
Ah! Na verdade acabei de falar pelo celular com Lili, que não vejo há um mês: quando cheguei de Cuba ela estava indo passar o carnaval em Ponta Negra.
Falei sobre a música de Cuba e dos novos amigos que me levaram pros blocos daqui...
Também acabei de postar mais algumas fotos no orkut, claro, de Cuba.
E, acabei de responder ao e-mail da Malu pra gente ir ao teatro amanhã, sexta.
Ah! A Maluuuu, companheira de quarto. Em Cuba.
Falei ainda agora na caixa do gmail com Cintia sobre... Cuba.
E ontem à noite, uma hora de blá, blá, blá com Max, metade sobre Cuba.
Um pouco antes tinha respondido (em espanhol! Ah! meu querido dicionário...) mensagem de Giselle e Ernesto jornalistas cubanos que conheci na última noite em Cuba.
É, parece que estou encharcada do morrito, da canchanchara e da lua de Cuba.
Está tudo aqui! E é tanto tudo que sei que só aos poucos essa cachoeira vai respingar em forma de palavras.
Não falta o que dizer, falta vontade de ordenar racionalmente.
Ainda quero só sentir o turbilhão...
Ouvi de um amigo: "empolgada, hein!"
Ele não sabe, nem imagina... E como não posso explicar nem pra mim, só disse: "é, sou assim!"
Traduzir algumas impressões...
Como? Não conseguia nem pra quem estava lá do meu lado!
Porque as percepções são imediatas e vinculadas às histórias de cada um.
As leituras e interpretações intimamente ligadas às referências que cada um traz na bagagem. O imaginário...
Memória e expectativas sobre essa Ilha que desafia o Império!
É isso!
A pequena e digna Ilha que desafia há mais de cinquenta anos o Império.
Cujo povo, festivo, logo percebemos, se organiza nos Comitês de Defesa da Revolução e discute o que é melhor para cada cidadão. Simples assim! A partir dos quatorze anos todos estão automaticamente cadastrados nos Comitês e convidados a participar dos debates.
Assuntos como a limpeza das ruas, iluminção, rendimento na escola fazem parte da agenda dos adolescentes. Conversei com alguns, troquei e-mails.
Intenet lá não é fácil, não é barato. Somente alguns podem.
E, claro, socializam com os amigos.
Isabel é uma dessas jovens. Falamos sobre festas, moda, planos para o futuro.
Sobre o bloqueio e a história deles.
Em todos com quem conversei há um traço em comum: orgulho.
Dos ex-combatentes aos "playboys" de Cuba - sim lá há! Os meninos e seu figurino peculiar, como os daqui: cabelo espetado, com reflexo. Camisa justa, calça também e cintos! Cintos arquitetônicos! Bem-humorados! -
Orgulho. Eles sabem quem são, o porquê do bloqueio. O motivo.
E o motivo faz toda diferença!
O bloqueio não é algo abstrato, uma figura de linguagem, não!
É o instrumento utilizado pelo líder capitalista para atingir uma nação que simplesmente levou a cabo seu desejo de exercer sua soberania. Cuba pratica diariamente seu direito de viver como bem quer. Sem a interferência tirânica do país que se autoproclama defensor nº 1 da democracia, liberdade expressão e pensamento, dos direitos humanos e, que no entanto mantém há quase dez anos cinco cubanos presos, dois deles sem qualquer contato com a família, após um julgamento no mínimo suspeito: em território americano (Miami) por autoridades americanas.
Sim, o bloqueio encarece, dificulta, exige paciência, sem dúvida.
Mas esse mesmo bloqueio reforça os laços de solidariedade. Porque coloca todos no mesmo barco. Exceto os que recebem dinheiro de familiares de Miami, que têm mais conforto, por terem acesso ao consumo: celulares, tênis, óculos, jeans de marca...
É, a "ditadura cubana" permite... Assim como permite em seus canais de TV aberta novelas brasileiras, filmes americanos, clips da MTV.
Enquanto nós democratas fomos aprendendo nas palestras de lá: os deputados trabalham até doze horas por dia, porque não recebem salário por sua atividade parlamentar, então têm dupla jornada. E a eleição é feita a partir dos currículos dos candidatos afixados em locais determinados.
Aprendemos tanto em duas semanas. E sentimos o quanto foi pouco. Quero mais! De Cuba, que linda és!
Logo...
Sim...
Por enquanto vamos degustando, saboreando. Algo muito mais doce que a canchanchara.
Esse mel, esse cheiro, (d) esse orgulho.
Porque é isso! Eu falava durante a "noche suramericana" com Carlos nosso guia charmoso, que fala cinco idiomas ( e que agora é meu amigo no facebook): "as dificuldades que vocês têm, não são de atendimento num hospital, ou aceso à Universidade. As dificuldades que vocês têm de consumo, tem um motivo claro: o bloqueio. E saber isso.
O motivo. Faz toda a diferença!"
Ele assentiu em silêncio... Sorriu. Um abraço.
E fomos dançar.
sábado, janeiro 23, 2010
sempre eu quero
"Mais foi a primeira palavra que me repeti intensamente na minha infância.
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.
Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.
Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!
domingo, janeiro 10, 2010
Menos é mais
... é, quase um mês sem escrever!
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.
Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.
Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.
Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.
Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.
sexta-feira, novembro 20, 2009
Hoje vou ao Mar!
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
quinta-feira, novembro 19, 2009
tô comendo um pedaço de bolo de fubá
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
quarta-feira, novembro 18, 2009
Hoje é só mais um dia
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
terça-feira, novembro 17, 2009
o que dizer
“Olá como vai?
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
segunda-feira, novembro 16, 2009
Eu que pensei...
Eu que pensei
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
domingo, novembro 15, 2009
eu transbordo!
Hoje é domingo - de sol!
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
sábado, novembro 14, 2009
Intuição
Não! Eu não sei o que é isso
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
sexta-feira, novembro 13, 2009
Aqui
Olá,
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
O tempo
É o tempo que vai
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
segunda-feira, novembro 02, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
bem ali
estava ali na porta
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
rotina
eu fui na janela
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
segunda-feira, agosto 03, 2009
dias de agosto
dias de agosto quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
segunda-feira, julho 20, 2009
Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
"não vou me adaptar" Arnaldo Antunes
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
"não vou me adaptar" Arnaldo Antunes
sábado, junho 13, 2009
domingo, junho 07, 2009
domingo, maio 17, 2009
Todo dia
É fácil de entender
Então porque perguntar
se o certo é não se perder
O silêncio vai te encontrar
Isso que assim transborda
Um pouco e tanto todo dia
Na voz, nas mãos, na rua
No beijo na vizinha
Do que sou e que não digo
se abriga então aqui
Pequeno. Só. Escondido.
Dissolvido
dentro de mim
"Todo dia", letra da música que acabei de fazer...
Então porque perguntar
se o certo é não se perder
O silêncio vai te encontrar
Isso que assim transborda
Um pouco e tanto todo dia
Na voz, nas mãos, na rua
No beijo na vizinha
Do que sou e que não digo
se abriga então aqui
Pequeno. Só. Escondido.
Dissolvido
dentro de mim
"Todo dia", letra da música que acabei de fazer...
quarta-feira, abril 01, 2009
Tamarindo
gosto bom
esse que fica
do hálito
que aquece a espinha
da conversa que abraça o espírito
da ausência que ocupa espaço
e aperta o tempo
pra fazer chegar a hora de encontrar
ah! saboreio
de vagar
as (meias) palavras (quase) ditas
ou o silêncio (mal) sustentado
que (nos) apresentam nossos pontos (...)
em (in) comum(s)!
ah! sorvo
de-li-ca-da-men-te
esse gosto
que fica!
agridoce
caro tamarindo.
esse que fica
do hálito
que aquece a espinha
da conversa que abraça o espírito
da ausência que ocupa espaço
e aperta o tempo
pra fazer chegar a hora de encontrar
ah! saboreio
de vagar
as (meias) palavras (quase) ditas
ou o silêncio (mal) sustentado
que (nos) apresentam nossos pontos (...)
em (in) comum(s)!
ah! sorvo
de-li-ca-da-men-te
esse gosto
que fica!
agridoce
caro tamarindo.
quarta-feira, março 18, 2009
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.
Chico (LINDO!)
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.
Chico (LINDO!)
sábado, março 14, 2009
sábado, março 07, 2009
Assim
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
sabemos
hoje provei um vestido pensando em você
olhei, virei, girei no espelho, dancei no provador
experimentando os volteios que trariam seu olhar pra mim
pensei qual seria seu pretexto pra dizer que eu "estava bem"
medi o comprimento: nem longo, que não vou pra festa, nem curto que não me acostumo
vi se tava amassando o peito, apertando a cintura, mostrando a calcinha
não, não tava
joguei o cabelo pra lá e pra cá
fiz cara de surpresa, ensaiando um improviso que certamente eu previ e que provoquei
amarrei as três fitinhas azuis, didaticamente, porque claro, você não saberia como fazer
alguns passos assim, assim, calculando meticulosamente o acaso de te encontrar, o sorriso espontâneo, o cumprimento formal, o abraço contido e olhar escorregadio
e as mãos. Ah! Fiéis companheiras que me dão frações do teu corpo.
torci, retorci, mirei, estudei, refiz o trajeto da coincidência
diluí o desejo sob a atitude correta: a discrição
mais comum e previsível impossível, sabemos
me espalhei, imaginei, suspirei, colori
e fui ao caixa obter o ingresso do meu sonho
passei direto e deixei o tótem ali no cabide
amassado, perdido, desprovido, inerte, inútil
como um abrigo que serviu ao devaneio
olhei, virei, girei no espelho, dancei no provador
experimentando os volteios que trariam seu olhar pra mim
pensei qual seria seu pretexto pra dizer que eu "estava bem"
medi o comprimento: nem longo, que não vou pra festa, nem curto que não me acostumo
vi se tava amassando o peito, apertando a cintura, mostrando a calcinha
não, não tava
joguei o cabelo pra lá e pra cá
fiz cara de surpresa, ensaiando um improviso que certamente eu previ e que provoquei
amarrei as três fitinhas azuis, didaticamente, porque claro, você não saberia como fazer
alguns passos assim, assim, calculando meticulosamente o acaso de te encontrar, o sorriso espontâneo, o cumprimento formal, o abraço contido e olhar escorregadio
e as mãos. Ah! Fiéis companheiras que me dão frações do teu corpo.
torci, retorci, mirei, estudei, refiz o trajeto da coincidência
diluí o desejo sob a atitude correta: a discrição
mais comum e previsível impossível, sabemos
me espalhei, imaginei, suspirei, colori
e fui ao caixa obter o ingresso do meu sonho
passei direto e deixei o tótem ali no cabide
amassado, perdido, desprovido, inerte, inútil
como um abrigo que serviu ao devaneio
domingo, fevereiro 01, 2009
saudades de Brecht
Perguntas De Um Operário Que Lê.
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
...
Privatizado
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
...
Privatizado
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."
domingo, janeiro 11, 2009
ainda há
hoje eu amei
delicadamente.
leitura em braile
seus poros
suas costas
asperezas nas mãos
li seus caminhos
hoje eu amei
perdidamente.
me deixei te abraçar
o medo me fez rir
pude ser feliz
justo por isso
não. ainda não vi tudo
que bom!
ainda há.
nas pontas dos dedos e dentro de mim
eu ri
hoje eu amei
livremente
ah! a "menina"
entregue e inteira
é o que transborda de meu hálito
hoje eu amei
suavemente
e a mim ratifiquei quem sou
delicadamente.
leitura em braile
seus poros
suas costas
asperezas nas mãos
li seus caminhos
hoje eu amei
perdidamente.
me deixei te abraçar
o medo me fez rir
pude ser feliz
justo por isso
não. ainda não vi tudo
que bom!
ainda há.
nas pontas dos dedos e dentro de mim
eu ri
hoje eu amei
livremente
ah! a "menina"
entregue e inteira
é o que transborda de meu hálito
hoje eu amei
suavemente
e a mim ratifiquei quem sou
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quarta-feira, dezembro 03, 2008
hum
fiquei com vontade
de novo
pensei que esqueceria
fazia tempo que pensava
não sentir falta
mas é mesmo
só chegar perto
ficar às voltas
o cheiro
a coisa que não se explica
vai entender...
eu não
só ficando longe
distraindo a vista
desviando o peito
porque vivo sim
sem esse negócio
quando quiser eu paro
já disse
já parei várias vezes
só preciso da distância segura
só preciso não ver
mais que vejo
pois que preciso
respirar mais solto
"deixa isso pra lá"
"vai e busca"
é a voz andrógina
ancorada no cerebelo
e eu prá lá e prá cá
eu o próprio vencido me convencendo do contrário
então vou e volto
parto e fico
espero e desisto
insisto e assisto ao recomeço
e ainda assim segue a cena
e mais um persongem me abriga
fiquei com vontade
de novo
pensei que esqueceria
fazia tempo que pensava
não sentir falta
mas é mesmo
só chegar perto
ficar às voltas
o cheiro
a coisa que não se explica
vai entender...
eu não
só ficando longe
distraindo a vista
desviando o peito
porque vivo sim
sem esse negócio
quando quiser eu paro
já disse
já parei várias vezes
só preciso da distância segura
só preciso não ver
mais que vejo
pois que preciso
respirar mais solto
"deixa isso pra lá"
"vai e busca"
é a voz andrógina
ancorada no cerebelo
e eu prá lá e prá cá
eu o próprio vencido me convencendo do contrário
então vou e volto
parto e fico
espero e desisto
insisto e assisto ao recomeço
e ainda assim segue a cena
e mais um persongem me abriga
quinta-feira, outubro 30, 2008
domingo, outubro 26, 2008
terça-feira, outubro 21, 2008
quinta-feira, setembro 25, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
segunda-feira, setembro 22, 2008
Ana Crônica
Meu tempo é tempo torto
de quem não sabe as horas
não usa relógio
de quem perde o trem
chega atrasado e pede desculpas pelo transtorno
de quem tá sempre atrás
de quem diz palavra em "momento impróprio"
de quem tenta o jogo depois dos 45 do segundo tempo
de quem ainda insiste em rimas pobres porque acredita que até isso pode ser charmoso
sou Ana Crônica
a que se perdeu no meio do caminho durante sua viagem interplanetária
descrobriu tarde demais "agora?" que o tempo não tem volta
e que as voltas que o tempo dá
são saltos mortais em seu pensamento
Ana Crônica está tonta com as voltas que o tempo dá
Ana Crônica tem náusea
e tenta o vômito
que é o retorno do que foi saboreado
mas o gosto é outro
"desculpe pelo transtorno"
" É Ana Crônica o tempo não espera você entender o tempo vigente"
Vai Ana Crônica ser retardatária na vida
"Perdeu, perdeu"
Perdeu a viagem
Ficou por aí tentando compreender "O Tempo das Coisas"
Sim há "um tempo das coisas"
o que é hoje já pode não ser amanhã
Mas Ana Crônica tem dificuldade em perceber
Está sempre atrás
Atrás das coisas do tempo que foge dela se rindo todo
Ana Crônica usa despertador, mas não acorda.
Perde o sono à madrugada e quer dormir pela manhã
Ana Crônica sempre atrás do bonde
sempre pela prorrogação do jogo
Ana Crônica
Perdeu o trem da história
Foi atroplelada
Atrapalhando o sábado
de quem não sabe as horas
não usa relógio
de quem perde o trem
chega atrasado e pede desculpas pelo transtorno
de quem tá sempre atrás
de quem diz palavra em "momento impróprio"
de quem tenta o jogo depois dos 45 do segundo tempo
de quem ainda insiste em rimas pobres porque acredita que até isso pode ser charmoso
sou Ana Crônica
a que se perdeu no meio do caminho durante sua viagem interplanetária
descrobriu tarde demais "agora?" que o tempo não tem volta
e que as voltas que o tempo dá
são saltos mortais em seu pensamento
Ana Crônica está tonta com as voltas que o tempo dá
Ana Crônica tem náusea
e tenta o vômito
que é o retorno do que foi saboreado
mas o gosto é outro
"desculpe pelo transtorno"
" É Ana Crônica o tempo não espera você entender o tempo vigente"
Vai Ana Crônica ser retardatária na vida
"Perdeu, perdeu"
Perdeu a viagem
Ficou por aí tentando compreender "O Tempo das Coisas"
Sim há "um tempo das coisas"
o que é hoje já pode não ser amanhã
Mas Ana Crônica tem dificuldade em perceber
Está sempre atrás
Atrás das coisas do tempo que foge dela se rindo todo
Ana Crônica usa despertador, mas não acorda.
Perde o sono à madrugada e quer dormir pela manhã
Ana Crônica sempre atrás do bonde
sempre pela prorrogação do jogo
Ana Crônica
Perdeu o trem da história
Foi atroplelada
Atrapalhando o sábado
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
segunda-feira, setembro 08, 2008
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