domingo, agosto 29, 2010

domingo à tarde

ô denguin
quero só colim de tempo
chamego no meio da tarde
sem culpa nem medo de parecer ingênuo
quero só a rede no fresco das horas derretidas
desse verão de agosto
quero só esse gosto de capim limão, cheiro de manjericão e lua de Cuba
em Lumiar
quero só esse sossego
que acolhe, aquieta e aquece
no silêncio de um domingo de sol.

quinta-feira, agosto 26, 2010

agora

acode aqui
nénzin
acorde
acuda em mim
a corda é curta
corre apruma
segura minha mão

quarta-feira, agosto 25, 2010

aqui

me diz mamãe
donde eu vim
de boca aberta
de sono solto
e de colo perdido
diz mãe
pra onde vou
com o abraço quieto
o sorriso preso
e a vontade de dormir
aqui

sexta-feira, julho 30, 2010

o dia se dissolveu assim
dos cantos varridos,
da escada lavada,
ao som do camelo: deserto que cresce...
almoço na pensão, soninho e risadas com tangerina
arte no meio do nada e circo entornando gente
tarde azulada e banho de cachoeira de balde
amor então
é assim
escorrido
escorregado
pelo vida

terça-feira, julho 20, 2010

quinta-feira, julho 08, 2010

o corpo dói
inexplicavelmente um cansaço crônico
que o calendário, o hipotireoidismo ou a rotina
não acomodam.

não é o tempo, a saudade, a vontade ou medo.

é algo que se fez da mistura de tudo isso
enquanto eu vivia
e agora que acordei
caminho a passsos retos.

quarta-feira, maio 19, 2010

de tudo, um tanto,
o que (con)tive?
de quê?
ou quanto?
aqui retive
e qual
espanto
daqui revive
qual o quê?

meu tempo

pronto!
estou aqui.
esperando
de novo
esse sabor
Godot vai me socorrer?
acho que já sei a resposta
"que horas são?"
"perdi (o) tempo (de)
espera!
agora quem sabe posso
assistir ao tempo
partir

quarta-feira, abril 28, 2010

Pão de doce
Antes d'ocê, o Sol que acordava em minha boca perdia-se em sujeira rabiscada em papel de pão dormido... olhos arregalados de poeta insone que escreve pra sentir um bocadinho neste deserto encrespado de minh'alma...

Agora, óia o solzão que faz quando é noite e ainda é dia. Qual rabisco se a boca freme irradiações solares de um beijo estendido que arregala a vida, e se do pão dormido faz colorido doce?!

Antônio Hidalgo

quinta-feira, abril 01, 2010

Minas é assim

me busca e oferta

girassóis pra mim

sexta-feira, março 19, 2010

segunda-feira, março 15, 2010

UNO SEM VERSO

Por que se suicidam as flores quando se sentem amarelas?
Pablo Neruda.


Já se disse da História mais do que sobre a vida. Teorizou-se bastante ao ponto de cindir o mundo das letras do mundo das paixões cotidianas. Fez-se da abstração o sentido último da atividade pensante como se atividade tivesse sentido e conforto na imobilidade de um ponto.
Pontinhos de interrogação vertidos em alunos encharcam as instituições de ensino superior todos os anos ou semestres com a curiosidade própria da juventude que em qualquer tempo quer estar à altura de seu tempo para ver adiante. Universidade, capela que vela o conhecimento criado pela humanidade. Bendito carneiro, que promete com sua expiação um mundo abastado de trigo e canto – feliz. "Veremos outras matizes de cores", dizia eu para um amigo quando me fiz estudante de história.
Nada sabia sobre um maldito consenso gerado em outras terras que afirmava que a vida em todas as suas dimensões era vendável. Paulo Freire e sua utopia revolucionária? Besteira. Da educação se fez um pacote, mercadoria de vitrine, e os educadores atônitos embarcaram no projeto covarde das milícias empresariais. Mais uma vez a vitória do abismo que separa o labor especulativo da vida concreta dos povos.Voltamos à escolástica medieval? Quase. Entramos na Idade da pragmática do cálculo que mensura custo e benefício a serviço de uma produtividade nociva. Ontem, as letras a serviço da prova racional e inconteste da existência de Deus. Hoje, os esforços para aplacar a fúria do Deus-Mercado.
No meu caminho pela História-Institucional esbarrei-me em muitas dificuldades, sobretudo, no falar tóxico dos intelectuais de gabinetes, gente feia que seduz somente os fracos de espírito. Uma mórbida fixação pelo falar enrolado que diz mais do grupo hermético, orgulhoso de seu lugar no mundo, do que sobre História e as implicações desse saber para a vida. Dificuldades outras - de adaptação mesmo! - quando constrangimentos alheios prescreviam minha ética condenando-me ao embotamento. Assédios morais, para os que se viciaram na linguagem dos copistas modernos. Queria cores - estudante de história, enorme ponto de interrogação: Deram-me a assepsia de um conhecimento aplicável aos interesses do meu umbigo desde que ele fosse compatível aos interesses do mercado.
Pelos corredores, ainda se ouvem alaridos assustados em esforço vão para abafar a angústia de uma possível vida sem ordem onde o estômago se faz mais presente do que os sonhos. Salve-se quem puder! O deboche é ensinado com esmero, distintivo dos que se querem mortos com a alegria fingida dos meio-sorrisos. Se quiser a alcunha de ex-revolucionários, por que não? Serve qualquer disfarce para entorpecer a vida. Aqui os poetas são charlatões, escárnio do niilismo de intelectuais debochados - os merdinhas de sempre, decrépitos em sua atividade de morte, concentrados em sentenciar verdades dentro de seus prumos engravatados com ares desleixados de coroas "ligadões" . Aqui, a vida sempre está pela metade, e o coração hipotecado.
Nós. Geração do consenso? Covardes temerosos do parricídio necessário?Talvez o vermelho renitente de uma flor que se quer amarela. O mesmo vermelho que correu das veias dos antigos, velhos garrucheiros a disputar o amor à bala. Amor que não se agüenta: violenta o mundo criando caminhos diversos, in-versos. Nós, alunos vertidos poetas, apanhadores de sonhos dos tempos passados, portanto, do tempo por-vir.Historiadores. Mais que isso: Revolucionários! Crianças a construir castelos para destruir com o peito sempre aberto de Sol de todos os Outubros que foram, são e virão.
Antônio Hidalgo

quinta-feira, março 04, 2010

quarta-feira, março 03, 2010

o encontro

com Hidalgo

a conversa no bar
os ônibus no sinal
o tempo cúmplice
o dia acordando
eu acordando
em você

a bola adormecida na várzea
os pés na mangueira trançando o vento
o grito salgado no suor que escondi
a poesia febril que a gaveta comeu
me viram
de novo
e...
o encontro
pronto!
disse.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

...que linda és...

...acabei de conversar no msn com Raquel,
a amiga paulista que conheci em Cuba.
Ah! Na verdade acabei de falar pelo celular com Lili, que não vejo há um mês: quando cheguei de Cuba ela estava indo passar o carnaval em Ponta Negra.
Falei sobre a música de Cuba e dos novos amigos que me levaram pros blocos daqui...
Também acabei de postar mais algumas fotos no orkut, claro, de Cuba.
E, acabei de responder ao e-mail da Malu pra gente ir ao teatro amanhã, sexta.
Ah! A Maluuuu, companheira de quarto. Em Cuba.
Falei ainda agora na caixa do gmail com Cintia sobre... Cuba.
E ontem à noite, uma hora de blá, blá, blá com Max, metade sobre Cuba.
Um pouco antes tinha respondido (em espanhol! Ah! meu querido dicionário...) mensagem de Giselle e Ernesto jornalistas cubanos que conheci na última noite em Cuba.
É, parece que estou encharcada do morrito, da canchanchara e da lua de Cuba.
Está tudo aqui! E é tanto tudo que sei que só aos poucos essa cachoeira vai respingar em forma de palavras.
Não falta o que dizer, falta vontade de ordenar racionalmente.
Ainda quero só sentir o turbilhão...
Ouvi de um amigo: "empolgada, hein!"
Ele não sabe, nem imagina... E como não posso explicar nem pra mim, só disse: "é, sou assim!"
Traduzir algumas impressões...
Como? Não conseguia nem pra quem estava lá do meu lado!
Porque as percepções são imediatas e vinculadas às histórias de cada um.
As leituras e interpretações intimamente ligadas às referências que cada um traz na bagagem. O imaginário...
Memória e expectativas sobre essa Ilha que desafia o Império!
É isso!
A pequena e digna Ilha que desafia há mais de cinquenta anos o Império.
Cujo povo, festivo, logo percebemos, se organiza nos Comitês de Defesa da Revolução e discute o que é melhor para cada cidadão. Simples assim! A partir dos quatorze anos todos estão automaticamente cadastrados nos Comitês e convidados a participar dos debates.
Assuntos como a limpeza das ruas, iluminção, rendimento na escola fazem parte da agenda dos adolescentes. Conversei com alguns, troquei e-mails.
Intenet lá não é fácil, não é barato. Somente alguns podem.
E, claro, socializam com os amigos.
Isabel é uma dessas jovens. Falamos sobre festas, moda, planos para o futuro.
Sobre o bloqueio e a história deles.
Em todos com quem conversei há um traço em comum: orgulho.
Dos ex-combatentes aos "playboys" de Cuba - sim lá há! Os meninos e seu figurino peculiar, como os daqui: cabelo espetado, com reflexo. Camisa justa, calça também e cintos! Cintos arquitetônicos! Bem-humorados! -
Orgulho. Eles sabem quem são, o porquê do bloqueio. O motivo.
E o motivo faz toda diferença!
O bloqueio não é algo abstrato, uma figura de linguagem, não!
É o instrumento utilizado pelo líder capitalista para atingir uma nação que simplesmente levou a cabo seu desejo de exercer sua soberania. Cuba pratica diariamente seu direito de viver como bem quer. Sem a interferência tirânica do país que se autoproclama defensor nº 1 da democracia, liberdade expressão e pensamento, dos direitos humanos e, que no entanto mantém há quase dez anos cinco cubanos presos, dois deles sem qualquer contato com a família, após um julgamento no mínimo suspeito: em território americano (Miami) por autoridades americanas.
Sim, o bloqueio encarece, dificulta, exige paciência, sem dúvida.
Mas esse mesmo bloqueio reforça os laços de solidariedade. Porque coloca todos no mesmo barco. Exceto os que recebem dinheiro de familiares de Miami, que têm mais conforto, por terem acesso ao consumo: celulares, tênis, óculos, jeans de marca...
É, a "ditadura cubana" permite... Assim como permite em seus canais de TV aberta novelas brasileiras, filmes americanos, clips da MTV.
Enquanto nós democratas fomos aprendendo nas palestras de lá: os deputados trabalham até doze horas por dia, porque não recebem salário por sua atividade parlamentar, então têm dupla jornada. E a eleição é feita a partir dos currículos dos candidatos afixados em locais determinados.
Aprendemos tanto em duas semanas. E sentimos o quanto foi pouco. Quero mais! De Cuba, que linda és!
Logo...
Sim...
Por enquanto vamos degustando, saboreando. Algo muito mais doce que a canchanchara.
Esse mel, esse cheiro, (d) esse orgulho.
Porque é isso! Eu falava durante a "noche suramericana" com Carlos nosso guia charmoso, que fala cinco idiomas ( e que agora é meu amigo no facebook): "as dificuldades que vocês têm, não são de atendimento num hospital, ou aceso à Universidade. As dificuldades que vocês têm de consumo, tem um motivo claro: o bloqueio. E saber isso.
O motivo. Faz toda a diferença!"
Ele assentiu em silêncio... Sorriu. Um abraço.
E fomos dançar.

sábado, janeiro 23, 2010

sempre eu quero

"Mais foi a primeira palavra que me repeti intensamente na minha infância.
Maisi mamã, maisi mamãe.
Fosse guaraná, fosse coca-cola.
Fosse coca, fosse cola.
Fosse amor ou desamor, ou qualquer outra espécie de dor.
Quero mais ser imortal.
Quero ser meu futuro ancestral.
Quero mais Tabacaria.
Mais Pessoa.
Mais Maria.
Mais Vinho.
Mais Poesia."
Angela Ro Rô.

Hoje não estou conseguindo escrever. Há uma alegria em borbotões em mim que essas palavras de Ângela traduzem. Aprendi ainda muito pequena a buscar o que queria.
Um pouco depois, adolescente, percebi que eu gostava de coisas que as amigas nem cogitavam desejar. Mais à frente entendi que gosto de gostar. Gosto de querer.
Ter um motivo pra provocar o movimento de ir. Pra algum lugar. Recentemente descobri que ainda há esse gosto que o trabalho, as obrigações e a auto-censura comum ao sensato comportamento adulto, maduro, embotam.
Mas que belas surpresas tem me trazido esse recém-nascido 2010!
Ainda gosto de gostar. Ainda quero mais.
Ainda acredito que "gente é pra brilhar, não pra morrer de fome...".
Ainda concordo com Caetano.
E só tenho redescoberto isso porque embora o cansaço, a inércia, a apatia às vezes me encontrem, me abrecem e me congelem, passado o momento agudo da dor de falta de sentido, eu teimo.
Só tenho conhecido gente que aquece e faíca porque não sei bem o que fazer de diferente, se não teimar.
E encontro gente que quer ir à Cuba conhecer outra forma de viver. Quer conhecer gente que desconhece a fome, a miséria, a cegueira das letras.
Gente de lá. Gente de cá. Gente.
Que sorte a minha que tenho amigos com metade da minha idade. E me revigora porque falamos de sonhos. Que ainda há!
Sim, vamos pra Cuba com o coração aberto. Com a alma estendida. Inflamados.
Ainda há. Aqui e lá.
Aqui, já como outra gente fervilhando no teatro. Essa gente que me fez querer novamente o palco. Já volto pra ensaiar.
Já volto pra festa que vamos fazer e celebrar e confirmar que ainda há.
e...
eu quero é mais!!!

domingo, janeiro 10, 2010

Menos é mais

... é, quase um mês sem escrever!
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.

Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.

Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.

sexta-feira, novembro 20, 2009

Hoje vou ao Mar!

hoje vou ao mundo

vou à praia

saborear o sol

degustar o dia

imaginado as palavras que direi hoje

as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?

as perguntas

Você leu o Neruda
que te dei?

gostou de algum em especial?

gosto de um da Clarice...

o silêncio

não importa

hoje eu vou ao Mar

vou me encontrar

com o Mar

quinta-feira, novembro 19, 2009

tô comendo um pedaço de bolo de fubá
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho

isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira

assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou

por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?

não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências

repleta de saudades...


quarta-feira, novembro 18, 2009

Hoje é só mais um dia
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...

hoje é um dia

a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece

é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso

que ameniza a distãncia
suaviza a espera...

terça-feira, novembro 17, 2009

o que dizer

“Olá como vai?

“Você está bem?”

“Fica bem de verde!”

“Também gosto quando você corta o cabelo e...”

“A barba grisalha”

Ensaios sobre o que não disse

Entre tantas frases

Abrigadas na memória

E aninhadas no silêncio

De quem (não?) sabe o que dizer!

segunda-feira, novembro 16, 2009

Eu que pensei...

Eu que pensei

estar tudo sob controle

na mais completa harmonia

rotina generalizada acondicionada

em gavetas sob medida

eu que imaginei

ter compartimentado

embalado e rotulado

em perfeita simetria

os sentidos

vou percebendo aos poucos

que algo está fora da ordem

em desalinho

o que será?

domingo, novembro 15, 2009

eu transbordo!

Hoje é domingo - de sol!

as ruas estão cheias, as praias estão cheias,

e eu transbordo

quero dizer tanto

e cantar junto

mas o que consigo são monossílabos

fragmentos

de um mundo que está aqui dentro

e que esse domingo de sol faz ficar maior.

sábado, novembro 14, 2009

Intuição

Não! Eu não sei o que é isso

Nenhuma certeza

Nenhuma convicção

Determinação ou meta

Só intuição

Sensação

Aquilo que não se explica, sabe?

Você sabe.

Aquilo a que a gente se permite às vezes

Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”

Só sei que é bom

Tem gosto nuvem

sexta-feira, novembro 13, 2009

Aqui

Olá,

Seja muito bem-vindo!

Aqui há um pouco de mim

Do que eu gostaria que você soubesse

Talvez descubra algo que eu precise saber

Me diga, por favor!

Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia

Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje

Assim é possível imaginar

Que nos encontramos

E conversamos

...

aqui!

O tempo

É o tempo que vai

Enquanto espero

Não eu

Eu estou aqui!

É o tempo que vai

Alimentando as vontades:

O vôlei na areia

A caminhada no calçadão

O céu no planetário

O silêncio no jardim botânico

É o tempo que vai

Me buscar

segunda-feira, novembro 02, 2009

quinta-feira, outubro 01, 2009

quarta-feira, setembro 09, 2009

bem ali

estava ali na porta
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala

rotina

eu fui na janela
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo

segunda-feira, agosto 03, 2009

dias de agosto

dias de agosto quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente

segunda-feira, julho 20, 2009

Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...

Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...

Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...


"não vou me adaptar" Arnaldo Antunes

domingo, junho 07, 2009

o que dizer?
se não disse
como se preferisse
esconder

algo do qual talvez se risse
por considerar tolice
ou por não compreender

ou escolher
como Alice
caminhos que, se seguisse,
poderiam desfazer


convicções que impedissem
se perder

domingo, maio 17, 2009

Todo dia

É fácil de entender
Então porque perguntar
se o certo é não se perder
O silêncio vai te encontrar

Isso que assim transborda
Um pouco e tanto todo dia

Na voz, nas mãos, na rua
No beijo na vizinha

Do que sou e que não digo
se abriga então aqui
Pequeno. Só. Escondido.
Dissolvido
dentro de mim


"Todo dia", letra da música que acabei de fazer...

quarta-feira, abril 01, 2009

Tamarindo

gosto bom
esse que fica

do hálito
que aquece a espinha

da conversa que abraça o espírito

da ausência que ocupa espaço
e aperta o tempo
pra fazer chegar a hora de encontrar

ah! saboreio
de vagar

as (meias) palavras (quase) ditas
ou o silêncio (mal) sustentado
que (nos) apresentam nossos pontos (...)
em (in) comum(s)!

ah! sorvo

de-li-ca-da-men-te

esse gosto
que fica!
agridoce

caro tamarindo.

quarta-feira, março 18, 2009

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão

Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã

Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.

Chico (LINDO!)

sábado, março 14, 2009

é hoje o dia que esperei
e que não volta mais
é hoje
a bebida mais forte
a boca mais aberta
o olho mais vivo
a pele mais quente

agora mesmo
e quando mais?

instante

instável

imediato

desmedido

sábado, março 07, 2009

Assim

Traduzir-se


Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

Ferreira Gullar

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

sabemos

hoje provei um vestido pensando em você
olhei, virei, girei no espelho, dancei no provador
experimentando os volteios que trariam seu olhar pra mim
pensei qual seria seu pretexto pra dizer que eu "estava bem"
medi o comprimento: nem longo, que não vou pra festa, nem curto que não me acostumo
vi se tava amassando o peito, apertando a cintura, mostrando a calcinha
não, não tava
joguei o cabelo pra lá e pra cá
fiz cara de surpresa, ensaiando um improviso que certamente eu previ e que provoquei
amarrei as três fitinhas azuis, didaticamente, porque claro, você não saberia como fazer
alguns passos assim, assim, calculando meticulosamente o acaso de te encontrar, o sorriso espontâneo, o cumprimento formal, o abraço contido e olhar escorregadio
e as mãos. Ah! Fiéis companheiras que me dão frações do teu corpo.

torci, retorci, mirei, estudei, refiz o trajeto da coincidência
diluí o desejo sob a atitude correta: a discrição

mais comum e previsível impossível, sabemos

me espalhei, imaginei, suspirei, colori
e fui ao caixa obter o ingresso do meu sonho

passei direto e deixei o tótem ali no cabide
amassado, perdido, desprovido, inerte, inútil
como um abrigo que serviu ao devaneio
estou na janela
olhando pro tempo
daqui do meu canto
espiando, espreitando
pra ver se não perco de vista
o que já fui

domingo, fevereiro 01, 2009

saudades de Brecht

Perguntas De Um Operário Que Lê.

Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?


Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas

...



Privatizado

"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."

domingo, janeiro 11, 2009

ainda há

hoje eu amei
delicadamente.
leitura em braile
seus poros
suas costas
asperezas nas mãos
li seus caminhos

hoje eu amei
perdidamente.
me deixei te abraçar
o medo me fez rir
pude ser feliz
justo por isso
não. ainda não vi tudo
que bom!
ainda há.
nas pontas dos dedos e dentro de mim
eu ri

hoje eu amei
livremente
ah! a "menina"
entregue e inteira
é o que transborda de meu hálito

hoje eu amei
suavemente
e a mim ratifiquei quem sou

sexta-feira, janeiro 09, 2009

quarta-feira, dezembro 03, 2008

hum
fiquei com vontade
de novo
pensei que esqueceria
fazia tempo que pensava
não sentir falta
mas é mesmo
só chegar perto
ficar às voltas
o cheiro
a coisa que não se explica
vai entender...
eu não
só ficando longe
distraindo a vista
desviando o peito
porque vivo sim
sem esse negócio
quando quiser eu paro
já disse
já parei várias vezes
só preciso da distância segura
só preciso não ver
mais que vejo
pois que preciso
respirar mais solto
"deixa isso pra lá"
"vai e busca"
é a voz andrógina
ancorada no cerebelo
e eu prá lá e prá cá
eu o próprio vencido me convencendo do contrário
então vou e volto
parto e fico
espero e desisto
insisto e assisto ao recomeço
e ainda assim segue a cena
e mais um persongem me abriga

quarta-feira, setembro 24, 2008

segunda-feira, setembro 22, 2008

Ana Crônica

Meu tempo é tempo torto
de quem não sabe as horas
não usa relógio
de quem perde o trem
chega atrasado e pede desculpas pelo transtorno
de quem tá sempre atrás
de quem diz palavra em "momento impróprio"
de quem tenta o jogo depois dos 45 do segundo tempo
de quem ainda insiste em rimas pobres porque acredita que até isso pode ser charmoso
sou Ana Crônica
a que se perdeu no meio do caminho durante sua viagem interplanetária
descrobriu tarde demais "agora?" que o tempo não tem volta
e que as voltas que o tempo dá
são saltos mortais em seu pensamento
Ana Crônica está tonta com as voltas que o tempo dá
Ana Crônica tem náusea
e tenta o vômito
que é o retorno do que foi saboreado
mas o gosto é outro
"desculpe pelo transtorno"
" É Ana Crônica o tempo não espera você entender o tempo vigente"
Vai Ana Crônica ser retardatária na vida
"Perdeu, perdeu"
Perdeu a viagem
Ficou por aí tentando compreender "O Tempo das Coisas"
Sim há "um tempo das coisas"
o que é hoje já pode não ser amanhã
Mas Ana Crônica tem dificuldade em perceber
Está sempre atrás
Atrás das coisas do tempo que foge dela se rindo todo
Ana Crônica usa despertador, mas não acorda.
Perde o sono à madrugada e quer dormir pela manhã
Ana Crônica sempre atrás do bonde
sempre pela prorrogação do jogo
Ana Crônica
Perdeu o trem da história
Foi atroplelada
Atrapalhando o sábado

sexta-feira, setembro 12, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

segunda-feira, setembro 08, 2008

quarta-feira, agosto 27, 2008

Godogo...

amo
amo tanto que.
amo tanto que por enquanto não digo.
amo errado.
sou errado.
todo errado
tudo errado
desabrigo
uma mão é uma mão
ou
uma mão é um mamão
eu lembro
sopa de ervilha nas ruas dessa cidade
lanche na Biblioteca Nacional
blusa de escola
e um godogo sorrindo
amo errado
sou este erro solto
perambulando na Cinelândia
sem encontrar
sentido

segunda-feira, agosto 25, 2008

Pra você Dô

Se fiquei esperando meu amor passar


"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então, eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
...

Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu

...

Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Dai-nos a paz."

Legião Urbana


Ir contra a maré

Lutei toda a minha vida contra a tendência ao devaneio, sempre sem jamais deixar que ele me levasse às últimas águas. Mas o esforço de nadar contra a doce corrente tira parte de minha força vital. E, se lutando contra o devaneio, ganho no domínio da ação, perco interiormente uma coisa muito suave de se ser e que nada substitui. Mas um dia ainda hei de ir, sem me importar para onde o ir me levará.

Clarice Lispector - Aprendendo a viver

Aprender a viver

Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa.
Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa . A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos entram numa igreja aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor é ainda aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento tudo sabe mesmo de longe a cinzas.

Clarice Lispector - Aprendendo a viver



Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.

... Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.

...Thoreau dizia... tenha pena de si mesmo. Ele aconselhava um pouco menos de dureza... Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio... creio que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força. E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas - e quem não faz isso? - ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!

Clarice Lispector - Aprendendo a viver

domingo, agosto 10, 2008



Os homens
Em água e vinho se definem os homens.
Homem água. È aquele fácil e comunicativo.
Corrente, abordável, servidor e humano.
Aberto a um pedido, a um favor,
ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho.
Dá o que tem
— boa vontade constante, mesmo dinheiro, se o tem.
Não espera restituição nem recompensa.
É como água corrente e ofertante,
encontradiça nos descampados de uma viagem.
Despoluída, límpida e mansa.
Serve a animais e vegetais.
Vai levada a engenhos domésticos em regueiras,
represas e açudes.
Aproveitada, não diminui seu valor, nem cobra preço.
Conspurcada seja, se alimpa pela graça de Deus
que assim a fez, servindo sempre
e à sua semelhança fez certos homens que
encontramos na vida
— os Bons da Terra — Mansos de Coração.
Água pura da humanidade.
Há também, lado-a-lado, o homem vinho.
Fechado nos seus valores inegáveis e nobreza
reconhecida.
Arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em
todos os sentidos.
Resguardados seus méritos indiscutíveis.
Oferecido em pequenos cálices de cristal a amigos
e visitantes excelsos, privilegiados.
Não abordável, nem fácil sua confiança.
Correto. Lacrado.
Tem lugar marcado na sociedade humana.
Rigoroso.
Não se deixa conduzir - conduz.
Não improvisa - estuda, comprova.
Não aceita que o golpeiam,
defende-se antecipadamente.
Metódico, estudioso, ciente.
Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.
Em qual dos grupos se julga situado você, leitor amigo?


Cora Coralina Do livro: "Vintém de Cobre", 4ª ed., Editora UFG, 1987, GO

sexta-feira, agosto 08, 2008

terça-feira, agosto 05, 2008

que vontade de te dar um abraço!

que vontade de te dar um abraço!
e dizer o não dito guardado por tanto tempo e que agora não é mais importante pra nossa história, mas (ainda)necessário pra mim. foi bom te ver a uma distância segura e... perversa porque impeditiva aos arroubos que a saudade poderia provocar.
vi com carinho um sorriso que conheci e que algumas vezes provoquei.
tive inveja. senti uma melancolia típica de quem sabe que o tempo não volta e que hoje consegue entender que nada poderia ter sido diferente para que hoje pudesse saber que nada poderia ter sido diferente. mas poderia. sempre pode. eu sei. mas essa sensação é uma dorzinha fina, leve, delicada que se aninha aqui no peito e que carrego ao lado das outras mais recentes que abriguei, só pelo hábito de colecionar desagradozinhos que alimentam as histórias que conto a mim mesma.
hoje te vi. e assisti a minha primeira aula de filosofia (é. pedi reingresso e voltei ao IFCS) e também foi minha primeira aula de música no Villa Lobos.
dia de retornos. e ó que é que eu busco? um pouco de mim. eu sei. e um pouco de você. desse "nós" que ficou lá. numa aquarela ocre. na memória. que gosto bom esse... de me rever dez anos atrás quando dividia meu tempo entre a sociologia e o teatro (e te perdia enquanto me descobria) e agora me fragmento entre as questões que me mostram quem sou. antes eu tinha certezas e objetivos. hoje tenho (algum) prazer e nenhum pragmatismo. cada vez menos. desculpe. sou isto. esse ser inconstante, insatisfeito.
que vai se rendendo a si mesmo por não saber bem de que outro jeito ser.
queria falar tanto mais. mas pra quê? pra me sentir melhor. de quê? pra saber que você sabe que sinto isto. por quê? as palavras são insuficientes. é como se elas saíssem de mim e quando chegassem aí já estivessem gastas, desbotadas, sem força. é a impotência da linguagem. engraçado. foi sobre isso que falamos hoje na aula de filosofia conteporânea. a distância entre linguagem e verdade. lembrei de pirandelo "assim é se lhe parece". também lembrei de platão: a realidade das coisas e a ilusão de sua representação, ou algo parecido...
e agora o dia acabou. dia bonito. solitário. desses dias que a gente passa sem falar mais que o necessário com os colegas de trabalho enquanto o fluxo do monólogo interno se mantém. ininterrupto. é por isso que tenho dificuldade de admitir que preciso de terapia. vou arrumando as gavetas quando falo. sozinha que seja. quando escrevo. mesmo um texto como esse... mas é que é muito bom me perceber por mim mesma. ver quem sou hoje pela opções que fiz há anos.é claro que hoje não seria tão dura, enfática, inclemente. não tenho mais energia pra isso. é. é a idade. mas é justo por ter sido que não sou mais (e que não preciso mais). não quero mais salvar o mundo. que peso tirei das costas! admito que não posso salvar nem os mais próximos. porque. quem disse que o que penso é salvação. que puta arrogância! se eu puder quero só viajar. fazer um mestrado pra "fazer jus ao percentual de aumento no salário" (e, claro, olha que luxo! ter o prazer do conhecimento...)
e deixar a vida seguir. com a saudade, sim tenho sim saudade, do tempo que via no teatro algo além de via de ascensão social. hoje nem isso. será que esse é o gosto dos trinta e poucos? não sei nunca vivi isso antes. como nunca tinha vivido as outras idades antes.
seja como for "ando devagar porque já tive pressa..."
e talvez. hum... talvez (pensei nisso) lá pelo terceiro período mude de curso: geografia, literatura, dança ou direito. não sei ainda.

sexta-feira, julho 25, 2008

segunda-feira, julho 21, 2008

terça-feira, julho 15, 2008

à toa

Eu quero é mais!
que seja
que venham todas essas dores que estão guardadas pra mim
eu sou assim mesmo. Me derramo, me espalho e me transbordo porque minha temperatura é essa mesmo. Eu quero é mais e sempre. Eu abro a boca na chuva. E como esse mundo e mastigo devagarinho pra não engasgar. Eu quero é gargalhar numa tarde de sol com um pouco menos de culpa.
Eu amo mesmo. E descubro camadas desse amor que há em mim. Quantas maneiras há de amar...
Eu quero todas! Eu preciso salivar, eu quero babar pela vida. Eu preciso correr pelas ruas fazendo de conta que tô numa dessas comédias românticas com final feliz.
Pra depois amarrar o cabelo, ir ao mercado e marcar um dentista.
Não nasci pra sofrer, já sei. Às vezes me engano. Às vezes. Mas é bom demais andar à toa.
Eu quero é mais! Andar à toa.

segunda-feira, julho 14, 2008

sei

passeio
passeio
pas seio
pas sei-o
passei-o
passei. o
paz sei. o
passei
passei
pas sei.
passei
passei
o
sei

terça-feira, julho 08, 2008

domingo, julho 06, 2008

muda (?!?)

não preciso dizer
nada
não posso
é só mais uma história sem importância nenhuma pra ninguém
talvez vire ficção. talvez um verso. nem isso. e pra que isso?
tudo isso. e nada. e só. depois nem história. pra quê?
porque preciso?
não sei. é só um mal-estar que vai passar. de novo. é só a garganta ardendo assim.
uma ponte direta entra o estômago e aqui, bem aqui esse ponto aqui na.
sabe aqui. onde começa a língua? então. é só isso. é só um mal-estar.
e tanto que foi dito. mais não. é um queimor assim. como quando a gente come pimenta.
então. não dá pra falar.
é só isso. sabe aqui no. um incêndio aqui no esterno.
é só. beber água. oito copos, né? bom pra pele. acho.
talvez ler. quem sabe? o que leu na última semana?
não tem importância nenhuma. porque somos os mesmos. não não somos mais os mesmos.
contar moedinhas pra ir ao cinema já não tem mais graça nenhuma.
(será que um dia achei graça nisso?)
mas não rimos mais um do outro ou com o outro.
as moedinhas hoje estão por aí no fundo de alguma gaveta.
mas agora isso não tem mais importância, ou como diria você relevâcia alguma.
talvez apenas uma tonsilite.
talvez só essa crônica (?!)muda.

quarta-feira, junho 04, 2008

segunda-feira, abril 21, 2008

Aí que.

Eita que não morri! Que tô aqui e nem sei porquê.
Eita que, agora que já sei que, quando o que se quer mesmo é sumir, evaporar-se, esfumaçar-se, sair-se de. Aí que. Mesmo quando, o que se quer é se esconder, pensar em não pensar. Esfarelar os sentidos. Refluir as idéias.
Se diluir, derreter, dissolver, desvanecer, dissipar, dispersar, desprender. Distrair-se de si.
Desviar-se do espelho, do relógio, do calendário, da balança, da conta, do medo.
Do olho alheio. Do soslaio.
Borrifar-se no tempo.
Aí é que se descobre que se resiste, persiste, permanece, mantém-se, conserva-se. Inteiro. (?)
Quer-se desistir-se. Deixar-se. Esvair-se. Esvaziar-se.
Quer-se ficar aqui, ali, assim, por aí.
Quieto. Minimo. Ínfimo. Invisível. Esquecido. Descansado.
E no entanto.
Ainda há.
Há. Ainda.
Por mais que se queira virar pó. Poeira.
Se existe.
Se há.
Se é.
Por mais que.
Findar-se. Sustar-se. Estacar. Estancar-se. Esquecer-se.
De si.
Aí é que.
Sustém-se. Assim. Gasto. Avariado. Abatido. Fracionado.
E (ainda) se quer. Um filete, uma sombra, um sopro, um espirro, sinal, traço ou vestígio. Um pretexto. Que seja.
Margem. Miragem. Que seja. Pra onde ir.

terça-feira, março 04, 2008

Memória Viva de Carlos Drummond de Andrade

Memória Viva de Carlos Drummond de Andrade

O Deus de cada homem

Quando digo “meu Deus”,
afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
em nichos da cidade.

Quando digo “meu Deus”,
crio cumplicidade.
Mais fraco, sou mais forte
do que a desirmandade.

Quando digo “meu Deus”,
grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
rouba-me a liberdade.


Quando digo “meu Deus”,
choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
na microeternidade

Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Só eco.

Estou voltando depois de quase um mês sem postar e cheguei a ter dúvidas se continuaria...
"Pra quê?"
É o que me pergunto. Sou só eco. É tanto barulho ultimamente.
Melhor calar. E não estou bem certa sobre o que fazer, aliás cada vez tenho menos certeza sobre quase tudo. Mas o que me animou foram os comentários desses amigos virtuais: Diego, André, e até o Iuri que veio ao Café pela primeira vez.
Foi bom lê-los.
Nos próximos posts vou contando alguns fragmentos desse meu fevereiro tão... Marcante.
Estou meio cansada, embora o sorriso esteja sempre às ordens pra ir levando a vida.
É meu escudo já aprendi faz tempo. As tarefas estão todas aí pra serem cumpridas.
As persigo. Agora vou dormir. Amanhã acordo cedo.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

sábado, janeiro 26, 2008

Batismo de Sangue, livro que virou filme...

Lendo e vivendo...

"...Se um cidadão enfermo comparece a um posto de saúde, em princípio deveria merecer toda a atenção do Estado, independentemente do governo vigente. E todo governo, exceto nos regimes autocráticos e ditatoriais, é provisório, ao contrário do Estado, que possui caráter permanente. A promiscuidade entre governo e Estado em países de democracia instável e o modo como aquele abusa deste fazem com que o cidadão enfermo jamais tenha a segurança de que o serviço de saúde pública é um direito que não lhe faltará. Se o governo nomeia incompetentes para gerir o serviço público de saúde e atende aos lobbies da indústria farmacêutica e dos planos privados de saúde, interessados em minar serviços públicos que ameaçam a multiplicaçao dos lucros privados, então o enfermo terá abreviada a sua vida pelo simples fato de o Estado não ser uma instituição estável, consolidada, acima dos caprichos de cada governo que periodica e sucessivamente o ocupa."
Trecho de "A Mosca Azul - Reflexão sobre o poder" de Frei Betto.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Feito se soubesse

-oi. quê? fala! fala! queimada??? o quê? onde? Souza Aguiar?
Tá. tô indo.


- minha mãe... ela vai...

- vem cá.

- ela vai morrer! vai! tá toda queimada! de repente! que isso? que isso?

- cadê ela? a gente tem que saber.

- não sei, não sei. ela veio na ambulância com o enfermeiro, eu vim atrás.

- vamos perguntar. aí na portaria.

- alguém me ligando... é o enfermeiro. dei o número pra ele.

- quê ele disse?

- ele falou pra gente ir pra outra portaria. a "emergência grande".

- onde é isso? vou perguntar... é ali, lá, lá do outro lado, bora.

- não acredito! que tá acontecendo?

- oi. uma senhora queimada entrou agora aí. minha tia, quero saber onde ela tá. quero ver.

- ali! o enfermeiro que trouxe ela! cadê ela? o que vão fazer agora?

- boa noite senhoras. chegamos com ela agora há pouco, mas aqui não tem vaga. nós estamos entrando em contato com a central de emergência, pra saber onde tem.

- é o quê? quer dizer que minha mãe ainda não foi atendida? que ela ainda tá esperando o primeiro atendimento? ela foi queimada com soda cáustica! ela vai morrer! aquilo ainda tá queimando nela!!!

- olha aqui! isso tem que se resolver a gente não vai ficar esperando quando vai ter vaga sei lá onde. vamos ligar pra todo mundo! somos oito aqui, cada um vai ligando aí pra alguém, vê se a gente consegue vaga com algum amigo.
vou ligar pra minha amiga assessora de imprensa. tenho uns amigos médicos...
mas a gente pode levar ela pra um hostpital particular. pronto.
tá resolvido a gente vai levar pra um desses aí. particular.

- o que acontece senhora é o seguinte: ela chegou no posto de saúde 24 horas lá perto da casa dela, foi colocada no soro, mas lá não tem recurso pra casos de queimadura, então ela foi trazida pra cá, mas chegando aqui soubemos que não tem vaga e agora temos que esperar as ordens da central de emergência.

- esperar?! esperar o quê? a gente já disse que vai levar ela pra um particular.

- senhora ela está na nossa responsbilidade. não podemos liberar. ou ela espera aqui até a central nos comunicar uma vaga ou ela volta pro posto com a gente e lá se liberarem , vocês podem levar.

- como assim? o que você...

- são ordens senhora. a não ser que a senhora ligue pro particular e me ponha no celular com a pessoa responsável que garanta que lá tem vaga.

- não acredito.

- minha mãe vai morrer! o que é isso? o que é isso? ela vai morrer.

- calma! calma! tenho uns números aqui de uns hospitais, peraí. ó tá chamando, peraí.

- aquela merda daquela soda explodiu no rosto dela. ela engoliu aquilo. ela vai...

- cara, não acredito, eu falo do caso e tudo bem, tem vaga, quando me perguntam qual é o plano, que digo que ela não tem, aí dizem que pra esse caso o melhor lugar é o
hospital público... vou dizer que ela tem plano, quero ver.

- senhora, a senhora não pode mentir e dizer que ela tem plano de saúde. ela tem?

- se ela tivesse acha que ela tava aqui?

- então senhora, não podemos. se em vez de ir pro posto perto de casa, ela tivesse ido direto pro particular ou pro andaraí...

- cara, eu não acretido, eu não tô vivendo isso. Não tem vaga no público e você não deixa a gente simplesmente levar pro particular...

- são ordens senhora, não podemos, mas se eu fosse a a senhora voltava com ela pro posto, de repente lá eles liberam vocês. se vocês chegarem de táxi em qualquer hospital particular eles são obrigados a atender com plano de saúde ou não, se não é omissão de socorro. mas nós, ou esperamos aqui a vaga num hospital público, ou levamos pra um particular que gartanta que ela vai ser atendida, e claro que eles não querem atender sem plano alguém que já passou por um atendimento público...
ou voltamos com ela pro posto. Eu achava melhor voltar pro posto, aqui além de não ser atendida, ainda vai ficar aí exposta vendo gente entrando, sabe, vai ver muita coisa, gente baleada aí e tal...

- tão ligando? pra todos os amigos? todo mundo? não acredito nisso...

- minha mãe... o que a gente faz?

- bicho, vamos voltar e lá a gente tenta conversar com o médico, ele libera e a gente vai... vamos?

- ela tá esse tempo todo sem atendimento, só no soro...

- vamos, vai com ela na ambulância a galera aqui das tias vai de táxi. bora.

Sete horas da manhã do dia seguinte, mudança de plantão:

- acabei de falar com o médico, ele disse que ficaram a noite toda tentando vaga, mentira, claro, e que ainda não conseguiram e que quando conseguirem vão transferir ela, só que isso pode acotecer meio-dia, não tem previsão, e que se eu quiser levar que eu assuma a responsabilidade, vai ser à revelia, o que você acha?

- bora agora! vai lá. vou chamar um taxi. pro andaraí?

- liguei pra uma amiga psicóloga que tem uma amiga enfermeira no andaraí, ela falou que é só chegar lá que é atendido, hoje não é dia dela, mas que se a gente quiser ela vai pra lá.

- então já é.

Isto aconteceu na madrugada do dia 15 de janeiro de 2008. Fomos atendidas às 09 horas da manhã, onze horas depois do acidente, ocorrido na tentaiva de desentupir um vaso sanitário: depois de jogar a soda cáustica duas vezes no vaso seguida de água fervente, sem sucesso, minha tia resolveu misturar direto a química numa panela saída do fogo. Foi como um vulcão em seu rosto, pescoço e colo.
Na tarde do mesmo dia pesquisando na internet descobrimos que o "tratamento" de queimadura química é lavar, ensopar de soro, aplicar vaselina líquida, ou em pomada e proteger com gazes, e faixas pra não infeccionar, e claro beber muita água.
Era só isso que o pessoal do posto deveria ter feito se soubesse, e que agora até eu sei.
Por nossa conta decidimos que ela deveria tomar uma antitetânica.
E fazer um plano de saúde.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Estamos aí pro que der e vier. Ei, ei...

Felizanonovo!!!!
Eeeeee!!! Viva! Mais um ano! Mais Um.
Vamos ver o que nos traz este ano par. Meu pai diz que sempre teve sorte nos anos pares.
Bom começar o ano com essa convicção. Pelo menos nos anos pares...
Ano que vem a gente inventa outra história...
Hora de arrumar as gavetas, abrir as janelas, respirar fundo e se permitir fazer as mesmas promessas já sabidas não cumpridas.
E riscar da agenda aqueles números que já não se sabe nem porque anotou.
E olhar no espelho pra ver o que a lista cada vez menor de amigos provocou no semblante.
De admitir serenamente a dependência cada vez maior dos ritos de passagem para a sobrevivência em grupo: os presentes, ao almoços de confraternização, os amigos ocultos, os sorrisos congelados e a tentativa sincera de acreditar que isso vale alguma coisa. Que valha!
Mais eis que estamos aqui. Estamos aí pro que der e vier. Ei, ei...
Muitos projetos, sim como não, somos seres produtivos, pró-ativos e produtores.
Cada vez com vocabulário mais refinado (pelo menos. Será?) pra dizer o que já se disse.Cada vez glossário mais labintíntico para dizer (ou não)"te amo".
Não, não nada de acidez ( ou será azedume) logo no iníco do ano, não que isso!
Precisamos inventar um belo queijo pra correr atrás e acreditar que estamos quase alcançando.
Se não fosse o "quase".
Se não fosse o "quase" o que haveria?
Bom, isso é papo pra outro dia, se ainda tiver coragem de escrever alguma coisa.
De preferência que não faça Eduardo morrer de tédio.

domingo, dezembro 30, 2007

sexta-feira, dezembro 21, 2007

sábado, dezembro 15, 2007

Ah!

São três da manhã e não quero dormir. Fiz isso o dia todo. Cansei.
Mas o que eu queria agora era teu braço aqui. Bem na minha cintura. Só. Sem palavras.
Nem precisava de você. Bastava teu braço e o silêncio.
E esse sorriso no canto da boca que me denuncia! Feito um gato se espreguiçando.
Saboreando essa rejeição que (agora sei) é tua companheira.
Somos parceiros nisso.
Ah! Quanto a isso você não pôde fazer nada.
E faço: “...ah! Não pode fazer nada. Ah!”
Como se faz no fim de uma golada de Coca-Cola.
E releio “Quadrilha”. Se dor serve pra alguma coisa. Que valha!
Soube que degustamos a mesma ferrugem na língua.
O celular desligado.
O e-mail não respondido. O cumprimento burocrático.
O peito apertado pela espera espremida.
Conhecemos o roteiro que seguimos. Cada um por seu desejo.
Por isso rio.
Ah! Não se pode fazer nada. Posso sim! Rio. Há um sorriso aqui no canto da boca.
Que (claro) você não vê. Mas eu sei que essa ferrugem nos mastiga os dois.
Há nisso uma ironia tão fina que mal sustento.
E nessa descoberta mais dor se transfigura. No canto da boca.
Não! Não podemos fazer nada. Só fingir que isso serve pra alguma coisa.
Ah! Não posso fazer nada. Nem beber uma Coca-cola:
“princípio de gastrite”.
Aí tomo uns chopes na Lapa ou discuto os costumes cariocas ou questiono o comportamento masculino na contemporaneidade. Ou...
Depois de certa idade se torna fácil ter um “papo interessante”.
O difícil é distinguir se é mais um clichê.
Se tudo é vaidade.
São três da manhã e o tempo é tão grande que dá medo.
Tenho tempo demais.
Tô de férias. Que medo. Tenho que arranjar o que fazer. Ai que bom que é Natal! Muita promessa pra embrulhar. Muita espuma pra soprar. Muito buraco pra preencher.
É. Eu posso fazer: ”ah!” E rir. Da tua dor. Que é minha.
E que tenho gosto em compartilhar. E dor em testemunhar.
“Ah!”

quarta-feira, dezembro 05, 2007

É só isso que eu quero...

Ah! Que delícia, a Festa - Sarau "Fazendo Scena" foi.
Gestado a partir de conversas com amigos, sobre a falta de espaços para a exposição de trabalhos e da dificuldade em criar canais para trocas entre criadores e produtores, esse evento singelo cumpriu sua delicada função.
Foi uma festa mesmo. Foi um encontro entre amigos. Entre alguns que se fizeram amigos partir dali e houve até quem se reencontrasse depois de muito tempo.
Tive o prazer de cuidar de cada detalhe, de dedicar energia e de receber de volta o carinho de quem sabe (ou percebeu) a importãncia que tem pra mim estar no palco.
E tive também as expressões de surpresa de quem ainda não tinha me visto em cena.
Não por questão de testemunhar alguma virtuose teatral, nada disso, mas apenas por perceber um pouco da paixão que guardo (talvez difarço) atrás desse óculos e da discrição conveniente do dia-dia.
Caramba! Como estou feliz! Vi pessoas curtindo, dançando, se expondo, se abraçando, brincando...
Eu quero é mais. É só isso que que quero.
Feliz pelo acontecido como aconteceu. Me descobri mais forte diante das dificuldades, imprevistos e da companheira permanente: a timidez. Fecho esse ano com essa sensação: Posso fazer! Desse tamanho, desse jeito. Mas (já sei) posso.
Claro, rosas também têm espinhos, e fiz observações sobre o que devo ou não repetir na próxima vez. É, haverá a próxima vez!
Mas também confirmei uma intuição: tudo aconteceu num clima estabelecido por todos, quer dizer todos "fizeram a festa". Cada presença ali estabeleceu o que foi.
Como um mosaico.
"Pois de tudo fica um pouco" já dizia aquele com o qual descobri a poesia: Drummond.
E depois de tudo eu fico mais um pouco. Porque hoje sou mais um pouco de mim.
Que bom isso!

domingo, novembro 18, 2007

Festa - Sarau "Fazendo Scena"




Festa-Sarau
“Fazendo Scena”


A Festa-Sarau “Fazendo Scena” é um encontro entre criadores e produtores, a fim de aproximar esses agentes culturais, estreitando, assim, os laços entre aqueles que podem vir a ser parceiros em projetos futuros.
Tudo isso numa atmosfera descontraída, de alegria e espontaneidade, características típicas do Rio, da Lapa que nos remetem às origens do teatro, nas festividades dionisíacas, pois a festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório, a ruptura solene de uma proibição.
Valorizando o artista em sua diversidade, no seu desnudamento, no seu entusiasmo, no seu êxtase – seja como poeta, ou ator, músico, palhaço, pintor, fotógrafo, etc. –, “Fazendo Scena” abre as cortinas para que o artista exponha e divulgue trabalhos, em performances, de até 10 minutos, em livre expressão de idéias e sensações.

Dia 1º de dezembro, no Centro Cultural Recordatório
R. Joaquim Silva, 17 – Lapa. A partir das 22 horas.

Entrada: R$ 15,00
Inscrições para performances até dia 28/11: denipetra@gmail.com

Idealização e Concepção: Denise Andrade.
Produção Executiva: Denise Andrade, Élida Cândido, Wanderlei Lemos


Performances confirmadas:

Antônia Watts: “Memento d´Ângelo”
Denise Andrade: “Desencontros”
Élida Cândido: “A escada”
Fernanda Márcia: “Bonecos”
Valéria Gonçalves: “Dança do ventre”
Wanderlei Lemos: “Carrossel”

terça-feira, outubro 30, 2007

segunda-feira, outubro 29, 2007

RECOMEÇO

EU JÁ FUREI MEUS OLHOS

PARA ENXERGAR MAIS.

EU JÁ MIREI TUDO ENFIM.

LÁ FUI O REI!

CEGO, AVANÇEI, RECUEI, ME PERDI




ANTES, ACORRENTADO E FORTE,

MAIS HUMANO QUE DESPEDAÇADO,

RETIREI OS ESOMBROS.

MEU CORPO, EM FOGO,

ERGUI




AGORA , COM AS DORES E FERIDAS,

QUE INTUI,

LANÇO-ME COM VELOCIDADE

NO CAMINHO

QUE ESCOLHI

Mais um carinho de Alexandre Gonzaga (que forte Alexandre!)

segunda-feira, outubro 15, 2007

É. É mais fácil mesmo.

Olá! Que bom que está aí. Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória. Uma xilogravura no peito.

(Pausa)

Daí deve ser mais fácil mesmo. Sozinho
Agora as cartas não parecem mais (tão) ridículas.
Mas estão por aí. À procura de.

(sons de garrafas batendo umas nas outras)

Garrafas. Jogam tudo pelas ruas hoje em dia.

(Pigarro) Não tem-de-quê. A gente tem medo de dizer.
Tem pavor de dizer “vem cá”.

Silêncio

É, a gente tem muita coisa pra fazer. E todos os caminhos são os caminhos.
Mas o trem passa. Quando criança queria ser maquinista.
Já tenho o apito. A bola e o campo. Mas sabe, né? Não se joga sozinho.

(Sons de latas batendo umas nas outras).

Mas sozinho é mais fácil não fazer barulho.

Não acho que esteja muito calada.
Acho que gosto de te ouvir. Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória. Um eco que embala o sono. E aquece as mãos.

(sons de apito, rádio velho, sons de mudança de estação, ruídos de narração de jogo de futebol).

Sei desse negócio de extravagância. Um amigo meu pega táxi no dia do pagamento. Coisa de dez minutos. Depois faz o resto do caminho a pé. Faz bem pra saúde.

(Vinheta da "Voz do Brasil")

Eu quero é carona.
Eu quero todas as muletas. Quero todas as cotas ou “políticas afirmativas” que me sejam possíveis. Bolsas, subsídios e similares. Quero colo. “Quero maisi mamãe”
Abre a janela do teu trem aí.
Ah! É mais fácil sozinho.É mesmo. O fio do enredo. As peças do desmonte, né?
Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória.

(sons de plástico-bolha)

Tem gosto de bala Juquinha e.
Quando começo a estourar esse negócio não consigo parar.

Sobe o som de uma música (ainda a ser escolhida)

Rascunho inspirado em "Cartas à procura de garrafas" do meu amigo Máximo Heleno Lustosa da Costa, que pode ser lido em: http://ideiasaderiva.blogspot.com/

quarta-feira, outubro 10, 2007

quarta-feira, outubro 03, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

Bom te ver

Ah! Que bom te ver! Fazia tempo...
É engraçado como a memória nos protege da insipidez cotidiana.
Faço mil coisas, cumpro trezentas tarefas, parece que me esqueço, penso que me esqueço.
Me convenço que esqueço.
Mas se te encontro...
Me reencontro: sou um homem provisório, efêmero, inconsútil.
Todos os dias desisto de ti. Todos os dias preciso desistir.
Mas a memória me salva da desfaçatez íntima.
Tua sombra sépia me acompanha e reflete aquilo que me denuncia a mim mesmo.
E ao qual me rendo imediata e incontestavelmente.
E admito que o tempo tem vida própria dentro de mim. Ele fica sentado me vendo passar. E se ri de mim se por um acaso, coincidência, infortúnio ou fortuna confirmo o relógio parado. Enquanto escrevo atendo telefonemas, envio e-mails, pesquiso sobre os quarenta anos da morte de Che Guevara, opino sobre a roupa da minha colega de trabalho, faço contas, faço planos nos quais não há tua presença, decoro um texto que li contigo. E colho a Rosa da terra queimada que plantaste em mim num crepúsculo que (eu sei) só eu lembro e releio as confissões virtuais em letras minúsculas guardadas em pasta com teu nome.
Ah! Que bom te ver! Faz tantos dias e foi ontem. E estou lá. E estou aqui.
Mas não podes me ver, me saber, me ler. Não há como. Por mais que me mostre.
Por mais que eu te mostre minha ausência.
Que bom te ver assim como em ondas que vêm e te trazem e logo te levam dissolvido na minha memória.
Mesmo que essa tua saudade não possa ser derramada por mim.
Bom te ver.

quinta-feira, setembro 27, 2007

quarta-feira, setembro 26, 2007

A CADA ESTAÇÃO

LÁ VAI O TREM QUE INSISTE EM NÃO PARAR,

LÁ VAI O TREM QUE NÃO TEM HORA PRA CHEGAR.

AS LEMBRANÇAS DE MENINO?

FICARAM NO FUNDO DA MALA SEM FUNDO.

AS DE BEM MOÇO SÃO PAISAGENS LÁ ATRÁS.

AGORA, A VIAGEM É DOCE.

ESTOU ONDE DEVERIA ESTAR

E NO RITMO QUE VOU

TÃO CEDO NÃO QUERO CHEGAR.

LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM .

QUE INSISTE EM NÃO PARAR.

De Alexandre Gonzaga meu colega de teatro e parceiro nas palavras.

sexta-feira, setembro 21, 2007

sexta-feira, setembro 14, 2007

Sem que nem mesmo você saiba

"Tenho pensado sobre as sensações que me assaltam durante minhas viagens diárias do trabalho até minha casa. São sensações que oscilam entre a coragem e o medo; o ânimo e a timidez; a iniciativa e a inércia; E quando penso nesse pêndulo em que me tornei, me vejo flutuando por sobre as pessoas, os lugares, os pensamentos.
Fluida e etérea.
Sou elástica: vou e volto sem sair de mim.
Capturo por segundos o (teu) olhar que desejo e o guardo na memória.
Assim ele é meu sem deixar o lugar onde está.
É meu sem que nem mesmo você saiba.
Sinto uma solidão de um azul tão profundo que me abraça, me acaricia e aprisiona.
E aceito esse colo pela conveniência da rotina segura.
Aqui aprendi a conjugar a vida no futuro do pretérito.
Uma espera passiva por algo que, ao não acontecer confirma a espera.
Minha história é uma fotografia em cor sépia.
Esmaecida, amarelada.
Meu gosto é gostaria.
Minha vontade é só torcida.
Minha eloqüência é esse silêncio que ninguém decifra.
E mesmo assim aqui estou. Parada. Perto. Pronta.
E anseio, observo, busco em sua expressão cansada um fio de esperança, de ilusão de que você seja a exceção que procuro e que (por isso) me paralisa".


Texto inspirado na personagem "Senhora" da peça "Mais Um" do dramaturgo paulista Cássio Pires.