... é, quase um mês sem escrever!
o fim de ano me engoliu em meio a tarefas e compromissos que só me permitiram um pit stop no dia 24 - nem tanto assim porque inventei um "bacalhau carioca" - e dia 31, que resolvi decretar como o dia internacional de cuidados a mim mesma.
Faça chuva ou faça sol - saia ou fique em casa, não importa: é meu dia!
Fico comigo mesma. Repenso. Relembro. Reflito. Assito a mim mesma. Me olho. Me vejo.
O ângulo, a perspectiva, se alteram, sem dúvida.
Depende do humor do dia. Do clima do mês, da atmosfera do ano...
Fico em off. Stand-bay. De molho. Jiboiando! Como dizia uma amiga do colegial - como era o nome dela? Adriana, Andrea... Alessandra! Sim, Alessandra!
Ainda lembro daquele sorrisão nas aulas de química. Era única que sorria nas aulas de química. Ela dizia que gostava de ficar "jiboiando", ou seja fazendo nada pra ninguém. De preferência ao sol. Isso lá pelos idos de 1989. Não sei sei hoje ela ainda faz isso.
Descobri o quanto preciso... Jiboiar!
Ficar quietinha no meu canto, comigo mesma. Ouvindo o silêncio restaurador.
Sem relógios, prazos, metas.
Sem e-mails, torpedos, msn, telefones celulares, fixos, ou faxes... Faxes, faxes...
Só eu, comigo. Descobrir-se a si mesmo e perceber-se como um projeto em construção
- work in progress para os modernos - que precisa de ajustes constantes e portanto entender que é necessário parar de vez em quando. Ir à oficina. Revisão.
Considero isso imprescindível para colecionar menos amargura. Menos frustração porque fica mais fácil admitir as próprias limitações.
Se conhecer. Se permitir. Admitir.
A ... Falibilidade. Ou a humanidade de si.
Depor as armas. Encostar a armadura. Armistício.
Deitar na rede. Respirar fundo.
Sentir o cansaço. Saindo. O alívio, envolvendo a alma.
Deixar-se ser.
O mais simples que se puder. Só. Ser.
O menos é mais.
domingo, janeiro 10, 2010
sexta-feira, novembro 20, 2009
Hoje vou ao Mar!
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
hoje vou ao mundo
vou à praia
saborear o sol
degustar o dia
imaginado as palavras que direi hoje
as músicas, os sorrisos, as "vontades embrionárias" - essa expressão é boa?
as perguntas
Você leu o Neruda
que te dei?
gostou de algum em especial?
gosto de um da Clarice...
o silêncio
não importa
hoje eu vou ao Mar
vou me encontrar
com o Mar
quinta-feira, novembro 19, 2009
tô comendo um pedaço de bolo de fubá
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
que tem cheiro de cravo e ervadoce
e me lembra minha mãe
faz tempo que nao a vejo
e no entanto a encontro todo dia
no espelho
isso é uma espécie de saudade
é?
é uma ausência crônica
familiar, companheira
assim como esse sol
esse Arpoador
me mostram um pouco do que eu sou
por que amo tanto esse lugar e me revigoro
em poucos minutos quando chego aqui?
não sei...
aliás sei tão pouco
mas hoje tô assim
plena de ausências
repleta de saudades...
quarta-feira, novembro 18, 2009
Hoje é só mais um dia
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
mais
um
enquanto mil tarefas me conduzem
na rotina de trabalho, casa, curso, academia
algo vagueia por cima de tudo
flui distraído
acalma o espírito
e serena a respiração
traz paz, harmonia:
meu pensamento em você...
hoje é um dia
só
a mais
enquanto tudo
e tanto
acontece
é um dia a menos
pra te ver
e é saber disso
que ameniza a distãncia
suaviza a espera...
terça-feira, novembro 17, 2009
o que dizer
“Olá como vai?
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
“Você está bem?”
“Fica bem de verde!”
“Também gosto quando você corta o cabelo e...”
“A barba grisalha”
Ensaios sobre o que não disse
Entre tantas frases
Abrigadas na memória
E aninhadas no silêncio
De quem (não?) sabe o que dizer!
segunda-feira, novembro 16, 2009
Eu que pensei...
Eu que pensei
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
estar tudo sob controle
na mais completa harmonia
rotina generalizada acondicionada
em gavetas sob medida
eu que imaginei
ter compartimentado
embalado e rotulado
em perfeita simetria
os sentidos
vou percebendo aos poucos
que algo está fora da ordem
em desalinho
o que será?
domingo, novembro 15, 2009
eu transbordo!
Hoje é domingo - de sol!
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
as ruas estão cheias, as praias estão cheias,
e eu transbordo
quero dizer tanto
e cantar junto
mas o que consigo são monossílabos
fragmentos
de um mundo que está aqui dentro
e que esse domingo de sol faz ficar maior.
sábado, novembro 14, 2009
Intuição
Não! Eu não sei o que é isso
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
Nenhuma certeza
Nenhuma convicção
Determinação ou meta
Só intuição
Sensação
Aquilo que não se explica, sabe?
Você sabe.
Aquilo a que a gente se permite às vezes
Mesmo quando a experiência, a idade, o bom senso dizem “não!”
Só sei que é bom
Tem gosto nuvem
sexta-feira, novembro 13, 2009
Aqui
Olá,
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
Seja muito bem-vindo!
Aqui há um pouco de mim
Do que eu gostaria que você soubesse
Talvez descubra algo que eu precise saber
Me diga, por favor!
Gosto de ler e escrever ( bem que eu tento!) poesia
Fiz uma pra cada dia da semana a partir de hoje
Assim é possível imaginar
Que nos encontramos
E conversamos
...
aqui!
O tempo
É o tempo que vai
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
Enquanto espero
Não eu
Eu estou aqui!
É o tempo que vai
Alimentando as vontades:
O vôlei na areia
A caminhada no calçadão
O céu no planetário
O silêncio no jardim botânico
É o tempo que vai
Me buscar
segunda-feira, novembro 02, 2009
quinta-feira, outubro 01, 2009
quarta-feira, setembro 09, 2009
bem ali
estava ali na porta
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
no meio do sim e do não
do lá e cá
do vai ou vem
do fica ou volta
do mais ou menos
do quebra ou cola
ali.
bem no meio
na soleira
inerte
convicto
e eu do outro lado
do abismo que via se abrir
bem ali
na porta da sala
rotina
eu fui na janela
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
ver quem passava pela rua
um barulho!
tanta gente que voltei pra dentro
que alívio! - pensei
aqui é só a gente que eu deixo entrar
deixo
espero
gente que eu lembro
dos retratos da cabeceira
e me sorri todo dia nesse silêncio
íntimo
segunda-feira, agosto 03, 2009
dias de agosto
dias de agosto quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
quentes dias de agosto
dias quentes de agosto
agosto de dias quentes
agosto quente desses dias
gosto de dias quentes
gosto quente de agosto
gosto de dias de agosto
quentes gostos de agosto
quentes
41º nesses dias de agosto
39º à gosto do tempo
de agosto
do gosto desses dias
que gosto
e degusto
com gosto
quente
segunda-feira, julho 20, 2009
Eu não caibo mais
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
"não vou me adaptar" Arnaldo Antunes
Nas roupas que eu cabia
Eu não encho mais
A casa de alegria
Os anos se passaram
Enquanto eu dormia
E quem eu queria bem
Me esquecia...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Eu não tenho mais
A cara que eu tinha
No espelho essa cara
Não é minha
Mas é que quando
Eu me toquei
Achei tão estranho
A minha barba estava
Desse tamanho...
Será que eu falei
O que ninguém ouvia?
Será que eu escutei
O que ninguém dizia?
Eu não vou me adaptar
Me adaptar...
Não vou!
Me adaptar! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!
Não vou! Me adaptar!...
"não vou me adaptar" Arnaldo Antunes
sábado, junho 13, 2009
domingo, junho 07, 2009
domingo, maio 17, 2009
Todo dia
É fácil de entender
Então porque perguntar
se o certo é não se perder
O silêncio vai te encontrar
Isso que assim transborda
Um pouco e tanto todo dia
Na voz, nas mãos, na rua
No beijo na vizinha
Do que sou e que não digo
se abriga então aqui
Pequeno. Só. Escondido.
Dissolvido
dentro de mim
"Todo dia", letra da música que acabei de fazer...
Então porque perguntar
se o certo é não se perder
O silêncio vai te encontrar
Isso que assim transborda
Um pouco e tanto todo dia
Na voz, nas mãos, na rua
No beijo na vizinha
Do que sou e que não digo
se abriga então aqui
Pequeno. Só. Escondido.
Dissolvido
dentro de mim
"Todo dia", letra da música que acabei de fazer...
quarta-feira, abril 01, 2009
Tamarindo
gosto bom
esse que fica
do hálito
que aquece a espinha
da conversa que abraça o espírito
da ausência que ocupa espaço
e aperta o tempo
pra fazer chegar a hora de encontrar
ah! saboreio
de vagar
as (meias) palavras (quase) ditas
ou o silêncio (mal) sustentado
que (nos) apresentam nossos pontos (...)
em (in) comum(s)!
ah! sorvo
de-li-ca-da-men-te
esse gosto
que fica!
agridoce
caro tamarindo.
esse que fica
do hálito
que aquece a espinha
da conversa que abraça o espírito
da ausência que ocupa espaço
e aperta o tempo
pra fazer chegar a hora de encontrar
ah! saboreio
de vagar
as (meias) palavras (quase) ditas
ou o silêncio (mal) sustentado
que (nos) apresentam nossos pontos (...)
em (in) comum(s)!
ah! sorvo
de-li-ca-da-men-te
esse gosto
que fica!
agridoce
caro tamarindo.
quarta-feira, março 18, 2009
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.
Chico (LINDO!)
E tenho muito sono de manhã
Escuto a correria da cidade que arde
E apressa o dia de amanhã
De madrugada a gente 'inda se ama
E a fábrica começa a buzinar
O trânsito contorna, a nossa cama reclama
Do nosso eterno espreguiçar
No colo da bem vinda companheira
No corpo do bendito violão
Eu faço samba e amor a noite inteira
Não tenho a quem prestar satisfação
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito mais o que fazer
Escuto a correria da cidade. Que alarde!
Será que é tão difícil amanhecer?
Não sei se preguiçoso ou se covarde
Debaixo do meu cobertor de lã
Eu faço samba e amor até mais tarde
E tenho muito sono de manhã.
Chico (LINDO!)
sábado, março 14, 2009
sábado, março 07, 2009
Assim
Traduzir-se
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.
uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.
Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.
Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.
Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.
Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?
Ferreira Gullar
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
sabemos
hoje provei um vestido pensando em você
olhei, virei, girei no espelho, dancei no provador
experimentando os volteios que trariam seu olhar pra mim
pensei qual seria seu pretexto pra dizer que eu "estava bem"
medi o comprimento: nem longo, que não vou pra festa, nem curto que não me acostumo
vi se tava amassando o peito, apertando a cintura, mostrando a calcinha
não, não tava
joguei o cabelo pra lá e pra cá
fiz cara de surpresa, ensaiando um improviso que certamente eu previ e que provoquei
amarrei as três fitinhas azuis, didaticamente, porque claro, você não saberia como fazer
alguns passos assim, assim, calculando meticulosamente o acaso de te encontrar, o sorriso espontâneo, o cumprimento formal, o abraço contido e olhar escorregadio
e as mãos. Ah! Fiéis companheiras que me dão frações do teu corpo.
torci, retorci, mirei, estudei, refiz o trajeto da coincidência
diluí o desejo sob a atitude correta: a discrição
mais comum e previsível impossível, sabemos
me espalhei, imaginei, suspirei, colori
e fui ao caixa obter o ingresso do meu sonho
passei direto e deixei o tótem ali no cabide
amassado, perdido, desprovido, inerte, inútil
como um abrigo que serviu ao devaneio
olhei, virei, girei no espelho, dancei no provador
experimentando os volteios que trariam seu olhar pra mim
pensei qual seria seu pretexto pra dizer que eu "estava bem"
medi o comprimento: nem longo, que não vou pra festa, nem curto que não me acostumo
vi se tava amassando o peito, apertando a cintura, mostrando a calcinha
não, não tava
joguei o cabelo pra lá e pra cá
fiz cara de surpresa, ensaiando um improviso que certamente eu previ e que provoquei
amarrei as três fitinhas azuis, didaticamente, porque claro, você não saberia como fazer
alguns passos assim, assim, calculando meticulosamente o acaso de te encontrar, o sorriso espontâneo, o cumprimento formal, o abraço contido e olhar escorregadio
e as mãos. Ah! Fiéis companheiras que me dão frações do teu corpo.
torci, retorci, mirei, estudei, refiz o trajeto da coincidência
diluí o desejo sob a atitude correta: a discrição
mais comum e previsível impossível, sabemos
me espalhei, imaginei, suspirei, colori
e fui ao caixa obter o ingresso do meu sonho
passei direto e deixei o tótem ali no cabide
amassado, perdido, desprovido, inerte, inútil
como um abrigo que serviu ao devaneio
domingo, fevereiro 01, 2009
saudades de Brecht
Perguntas De Um Operário Que Lê.
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
...
Privatizado
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilònia, tantas vezes destruida,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Sò tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.
O jovem Alexandre conquistou as Indias
Sòzinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?
Em cada página uma vitòria.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?
Tantas histórias
Quantas perguntas
...
Privatizado
"Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente,
seu pão e seu salário. E agora não contente querem
privatizar o conhecimento, a sabedoria,
o pensamento, que só à humanidade pertence."
domingo, janeiro 11, 2009
ainda há
hoje eu amei
delicadamente.
leitura em braile
seus poros
suas costas
asperezas nas mãos
li seus caminhos
hoje eu amei
perdidamente.
me deixei te abraçar
o medo me fez rir
pude ser feliz
justo por isso
não. ainda não vi tudo
que bom!
ainda há.
nas pontas dos dedos e dentro de mim
eu ri
hoje eu amei
livremente
ah! a "menina"
entregue e inteira
é o que transborda de meu hálito
hoje eu amei
suavemente
e a mim ratifiquei quem sou
delicadamente.
leitura em braile
seus poros
suas costas
asperezas nas mãos
li seus caminhos
hoje eu amei
perdidamente.
me deixei te abraçar
o medo me fez rir
pude ser feliz
justo por isso
não. ainda não vi tudo
que bom!
ainda há.
nas pontas dos dedos e dentro de mim
eu ri
hoje eu amei
livremente
ah! a "menina"
entregue e inteira
é o que transborda de meu hálito
hoje eu amei
suavemente
e a mim ratifiquei quem sou
sexta-feira, janeiro 09, 2009
quarta-feira, dezembro 03, 2008
hum
fiquei com vontade
de novo
pensei que esqueceria
fazia tempo que pensava
não sentir falta
mas é mesmo
só chegar perto
ficar às voltas
o cheiro
a coisa que não se explica
vai entender...
eu não
só ficando longe
distraindo a vista
desviando o peito
porque vivo sim
sem esse negócio
quando quiser eu paro
já disse
já parei várias vezes
só preciso da distância segura
só preciso não ver
mais que vejo
pois que preciso
respirar mais solto
"deixa isso pra lá"
"vai e busca"
é a voz andrógina
ancorada no cerebelo
e eu prá lá e prá cá
eu o próprio vencido me convencendo do contrário
então vou e volto
parto e fico
espero e desisto
insisto e assisto ao recomeço
e ainda assim segue a cena
e mais um persongem me abriga
fiquei com vontade
de novo
pensei que esqueceria
fazia tempo que pensava
não sentir falta
mas é mesmo
só chegar perto
ficar às voltas
o cheiro
a coisa que não se explica
vai entender...
eu não
só ficando longe
distraindo a vista
desviando o peito
porque vivo sim
sem esse negócio
quando quiser eu paro
já disse
já parei várias vezes
só preciso da distância segura
só preciso não ver
mais que vejo
pois que preciso
respirar mais solto
"deixa isso pra lá"
"vai e busca"
é a voz andrógina
ancorada no cerebelo
e eu prá lá e prá cá
eu o próprio vencido me convencendo do contrário
então vou e volto
parto e fico
espero e desisto
insisto e assisto ao recomeço
e ainda assim segue a cena
e mais um persongem me abriga
quinta-feira, outubro 30, 2008
domingo, outubro 26, 2008
terça-feira, outubro 21, 2008
quinta-feira, setembro 25, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
segunda-feira, setembro 22, 2008
Ana Crônica
Meu tempo é tempo torto
de quem não sabe as horas
não usa relógio
de quem perde o trem
chega atrasado e pede desculpas pelo transtorno
de quem tá sempre atrás
de quem diz palavra em "momento impróprio"
de quem tenta o jogo depois dos 45 do segundo tempo
de quem ainda insiste em rimas pobres porque acredita que até isso pode ser charmoso
sou Ana Crônica
a que se perdeu no meio do caminho durante sua viagem interplanetária
descrobriu tarde demais "agora?" que o tempo não tem volta
e que as voltas que o tempo dá
são saltos mortais em seu pensamento
Ana Crônica está tonta com as voltas que o tempo dá
Ana Crônica tem náusea
e tenta o vômito
que é o retorno do que foi saboreado
mas o gosto é outro
"desculpe pelo transtorno"
" É Ana Crônica o tempo não espera você entender o tempo vigente"
Vai Ana Crônica ser retardatária na vida
"Perdeu, perdeu"
Perdeu a viagem
Ficou por aí tentando compreender "O Tempo das Coisas"
Sim há "um tempo das coisas"
o que é hoje já pode não ser amanhã
Mas Ana Crônica tem dificuldade em perceber
Está sempre atrás
Atrás das coisas do tempo que foge dela se rindo todo
Ana Crônica usa despertador, mas não acorda.
Perde o sono à madrugada e quer dormir pela manhã
Ana Crônica sempre atrás do bonde
sempre pela prorrogação do jogo
Ana Crônica
Perdeu o trem da história
Foi atroplelada
Atrapalhando o sábado
de quem não sabe as horas
não usa relógio
de quem perde o trem
chega atrasado e pede desculpas pelo transtorno
de quem tá sempre atrás
de quem diz palavra em "momento impróprio"
de quem tenta o jogo depois dos 45 do segundo tempo
de quem ainda insiste em rimas pobres porque acredita que até isso pode ser charmoso
sou Ana Crônica
a que se perdeu no meio do caminho durante sua viagem interplanetária
descrobriu tarde demais "agora?" que o tempo não tem volta
e que as voltas que o tempo dá
são saltos mortais em seu pensamento
Ana Crônica está tonta com as voltas que o tempo dá
Ana Crônica tem náusea
e tenta o vômito
que é o retorno do que foi saboreado
mas o gosto é outro
"desculpe pelo transtorno"
" É Ana Crônica o tempo não espera você entender o tempo vigente"
Vai Ana Crônica ser retardatária na vida
"Perdeu, perdeu"
Perdeu a viagem
Ficou por aí tentando compreender "O Tempo das Coisas"
Sim há "um tempo das coisas"
o que é hoje já pode não ser amanhã
Mas Ana Crônica tem dificuldade em perceber
Está sempre atrás
Atrás das coisas do tempo que foge dela se rindo todo
Ana Crônica usa despertador, mas não acorda.
Perde o sono à madrugada e quer dormir pela manhã
Ana Crônica sempre atrás do bonde
sempre pela prorrogação do jogo
Ana Crônica
Perdeu o trem da história
Foi atroplelada
Atrapalhando o sábado
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
segunda-feira, setembro 08, 2008
quarta-feira, agosto 27, 2008
amo
amo tanto que.
amo tanto que por enquanto não digo.
amo errado.
sou errado.
todo errado
tudo errado
desabrigo
uma mão é uma mão
ou
uma mão é um mamão
eu lembro
sopa de ervilha nas ruas dessa cidade
lanche na Biblioteca Nacional
blusa de escola
e um godogo sorrindo
amo errado
sou este erro solto
perambulando na Cinelândia
sem encontrar
sentido
amo tanto que.
amo tanto que por enquanto não digo.
amo errado.
sou errado.
todo errado
tudo errado
desabrigo
uma mão é uma mão
ou
uma mão é um mamão
eu lembro
sopa de ervilha nas ruas dessa cidade
lanche na Biblioteca Nacional
blusa de escola
e um godogo sorrindo
amo errado
sou este erro solto
perambulando na Cinelândia
sem encontrar
sentido
segunda-feira, agosto 25, 2008
Pra você Dô
Se fiquei esperando meu amor passar
"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então, eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
...
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
...
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Dai-nos a paz."
Legião Urbana
"Se fiquei esperando meu amor passar
Já me basta que então, eu não sabia
Amar e me via perdido e vivendo em erro
...
Quando se aprende a amar
O mundo passa a ser seu
...
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Tende piedade de nós.
Cordeiro de Deus que tirai os pecados do mundo,
Dai-nos a paz."
Legião Urbana
Ir contra a maré
Lutei toda a minha vida contra a tendência ao devaneio, sempre sem jamais deixar que ele me levasse às últimas águas. Mas o esforço de nadar contra a doce corrente tira parte de minha força vital. E, se lutando contra o devaneio, ganho no domínio da ação, perco interiormente uma coisa muito suave de se ser e que nada substitui. Mas um dia ainda hei de ir, sem me importar para onde o ir me levará.
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
Aprender a viver
Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa.
Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa . A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos entram numa igreja aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor é ainda aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento tudo sabe mesmo de longe a cinzas.
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
... Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
...Thoreau dizia... tenha pena de si mesmo. Ele aconselhava um pouco menos de dureza... Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio... creio que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força. E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas - e quem não faz isso? - ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
Lutei toda a minha vida contra a tendência ao devaneio, sempre sem jamais deixar que ele me levasse às últimas águas. Mas o esforço de nadar contra a doce corrente tira parte de minha força vital. E, se lutando contra o devaneio, ganho no domínio da ação, perco interiormente uma coisa muito suave de se ser e que nada substitui. Mas um dia ainda hei de ir, sem me importar para onde o ir me levará.
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
Aprender a viver
Pudesse eu um dia escrever uma espécie de tratado sobre a culpa.
Como descrevê-la, aquela que é irremissível, a que não se pode corrigir? Quando a sinto, ela é até fisicamente constrangedora: um punho fechando o peito, abaixo do pescoço: e aí está ela, a culpa . A culpa? O erro, o pecado. Então o mundo passa a não ter refúgio possível. Aonde se vá e carrega-se a cruz pesada, de que não se pode falar.
Se se falar - ela não será compreendida. Alguns dirão - "mas todo mundo..." como forma de consolo. Outros negarão simplesmente que houve culpa. E os que entenderem abaixarão a cabeça também culpada. Ah, quisera eu ser dos entram numa igreja aceitam a penitência e saem mais livres. Mas não sou dos que se libertam. A culpa em mim é algo tão vasto e tão enraizado que o melhor é ainda aprender a viver com ela, mesmo que tire o sabor do menor alimento tudo sabe mesmo de longe a cinzas.
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
Thoreau era um filósofo americano que, entre coisas mais difíceis de se assimilar assim de repente, numa leitura de jornal, escreveu muitas coisas que talvez possam nos ajudar a viver de um modo mais inteligente, mais eficaz, mais bonito, menos angustiado.
... Há momentos na vida que o arrependimento de não ter tido ou não ter sido ou não ter resolvido ou não ter aceito, há momentos na vida que o arrependimento é profundo como uma dor profunda.
...Thoreau dizia... tenha pena de si mesmo. Ele aconselhava um pouco menos de dureza... Nesse caso devia-se abrandar o julgamento de si próprio... creio que podemos confiar em nós mesmos muito mais do que confiamos. A natureza adapta-se tão bem à nossa fraqueza quanto à nossa força. E repetia mil vezes aos que complicavam inutilmente as coisas - e quem não faz isso? - ele quase gritava com quem complicava as coisas: simplifique! simplifique!
Clarice Lispector - Aprendendo a viver
domingo, agosto 10, 2008

Os homens
Em água e vinho se definem os homens.
Homem água. È aquele fácil e comunicativo.
Corrente, abordável, servidor e humano.
Aberto a um pedido, a um favor,
ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho.
Dá o que tem
— boa vontade constante, mesmo dinheiro, se o tem.
Não espera restituição nem recompensa.
É como água corrente e ofertante,
encontradiça nos descampados de uma viagem.
Despoluída, límpida e mansa.
Serve a animais e vegetais.
Vai levada a engenhos domésticos em regueiras,
represas e açudes.
Aproveitada, não diminui seu valor, nem cobra preço.
Conspurcada seja, se alimpa pela graça de Deus
que assim a fez, servindo sempre
e à sua semelhança fez certos homens que
encontramos na vida
— os Bons da Terra — Mansos de Coração.
Água pura da humanidade.
Há também, lado-a-lado, o homem vinho.
Fechado nos seus valores inegáveis e nobreza
reconhecida.
Arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em
todos os sentidos.
Resguardados seus méritos indiscutíveis.
Oferecido em pequenos cálices de cristal a amigos
e visitantes excelsos, privilegiados.
Não abordável, nem fácil sua confiança.
Correto. Lacrado.
Tem lugar marcado na sociedade humana.
Rigoroso.
Não se deixa conduzir - conduz.
Não improvisa - estuda, comprova.
Não aceita que o golpeiam,
defende-se antecipadamente.
Metódico, estudioso, ciente.
Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.
Em qual dos grupos se julga situado você, leitor amigo?
Cora Coralina Do livro: "Vintém de Cobre", 4ª ed., Editora UFG, 1987, GO
sexta-feira, agosto 08, 2008
terça-feira, agosto 05, 2008
que vontade de te dar um abraço!
que vontade de te dar um abraço!
e dizer o não dito guardado por tanto tempo e que agora não é mais importante pra nossa história, mas (ainda)necessário pra mim. foi bom te ver a uma distância segura e... perversa porque impeditiva aos arroubos que a saudade poderia provocar.
vi com carinho um sorriso que conheci e que algumas vezes provoquei.
tive inveja. senti uma melancolia típica de quem sabe que o tempo não volta e que hoje consegue entender que nada poderia ter sido diferente para que hoje pudesse saber que nada poderia ter sido diferente. mas poderia. sempre pode. eu sei. mas essa sensação é uma dorzinha fina, leve, delicada que se aninha aqui no peito e que carrego ao lado das outras mais recentes que abriguei, só pelo hábito de colecionar desagradozinhos que alimentam as histórias que conto a mim mesma.
hoje te vi. e assisti a minha primeira aula de filosofia (é. pedi reingresso e voltei ao IFCS) e também foi minha primeira aula de música no Villa Lobos.
dia de retornos. e ó que é que eu busco? um pouco de mim. eu sei. e um pouco de você. desse "nós" que ficou lá. numa aquarela ocre. na memória. que gosto bom esse... de me rever dez anos atrás quando dividia meu tempo entre a sociologia e o teatro (e te perdia enquanto me descobria) e agora me fragmento entre as questões que me mostram quem sou. antes eu tinha certezas e objetivos. hoje tenho (algum) prazer e nenhum pragmatismo. cada vez menos. desculpe. sou isto. esse ser inconstante, insatisfeito.
que vai se rendendo a si mesmo por não saber bem de que outro jeito ser.
queria falar tanto mais. mas pra quê? pra me sentir melhor. de quê? pra saber que você sabe que sinto isto. por quê? as palavras são insuficientes. é como se elas saíssem de mim e quando chegassem aí já estivessem gastas, desbotadas, sem força. é a impotência da linguagem. engraçado. foi sobre isso que falamos hoje na aula de filosofia conteporânea. a distância entre linguagem e verdade. lembrei de pirandelo "assim é se lhe parece". também lembrei de platão: a realidade das coisas e a ilusão de sua representação, ou algo parecido...
e agora o dia acabou. dia bonito. solitário. desses dias que a gente passa sem falar mais que o necessário com os colegas de trabalho enquanto o fluxo do monólogo interno se mantém. ininterrupto. é por isso que tenho dificuldade de admitir que preciso de terapia. vou arrumando as gavetas quando falo. sozinha que seja. quando escrevo. mesmo um texto como esse... mas é que é muito bom me perceber por mim mesma. ver quem sou hoje pela opções que fiz há anos.é claro que hoje não seria tão dura, enfática, inclemente. não tenho mais energia pra isso. é. é a idade. mas é justo por ter sido que não sou mais (e que não preciso mais). não quero mais salvar o mundo. que peso tirei das costas! admito que não posso salvar nem os mais próximos. porque. quem disse que o que penso é salvação. que puta arrogância! se eu puder quero só viajar. fazer um mestrado pra "fazer jus ao percentual de aumento no salário" (e, claro, olha que luxo! ter o prazer do conhecimento...)
e deixar a vida seguir. com a saudade, sim tenho sim saudade, do tempo que via no teatro algo além de via de ascensão social. hoje nem isso. será que esse é o gosto dos trinta e poucos? não sei nunca vivi isso antes. como nunca tinha vivido as outras idades antes.
seja como for "ando devagar porque já tive pressa..."
e talvez. hum... talvez (pensei nisso) lá pelo terceiro período mude de curso: geografia, literatura, dança ou direito. não sei ainda.
e dizer o não dito guardado por tanto tempo e que agora não é mais importante pra nossa história, mas (ainda)necessário pra mim. foi bom te ver a uma distância segura e... perversa porque impeditiva aos arroubos que a saudade poderia provocar.
vi com carinho um sorriso que conheci e que algumas vezes provoquei.
tive inveja. senti uma melancolia típica de quem sabe que o tempo não volta e que hoje consegue entender que nada poderia ter sido diferente para que hoje pudesse saber que nada poderia ter sido diferente. mas poderia. sempre pode. eu sei. mas essa sensação é uma dorzinha fina, leve, delicada que se aninha aqui no peito e que carrego ao lado das outras mais recentes que abriguei, só pelo hábito de colecionar desagradozinhos que alimentam as histórias que conto a mim mesma.
hoje te vi. e assisti a minha primeira aula de filosofia (é. pedi reingresso e voltei ao IFCS) e também foi minha primeira aula de música no Villa Lobos.
dia de retornos. e ó que é que eu busco? um pouco de mim. eu sei. e um pouco de você. desse "nós" que ficou lá. numa aquarela ocre. na memória. que gosto bom esse... de me rever dez anos atrás quando dividia meu tempo entre a sociologia e o teatro (e te perdia enquanto me descobria) e agora me fragmento entre as questões que me mostram quem sou. antes eu tinha certezas e objetivos. hoje tenho (algum) prazer e nenhum pragmatismo. cada vez menos. desculpe. sou isto. esse ser inconstante, insatisfeito.
que vai se rendendo a si mesmo por não saber bem de que outro jeito ser.
queria falar tanto mais. mas pra quê? pra me sentir melhor. de quê? pra saber que você sabe que sinto isto. por quê? as palavras são insuficientes. é como se elas saíssem de mim e quando chegassem aí já estivessem gastas, desbotadas, sem força. é a impotência da linguagem. engraçado. foi sobre isso que falamos hoje na aula de filosofia conteporânea. a distância entre linguagem e verdade. lembrei de pirandelo "assim é se lhe parece". também lembrei de platão: a realidade das coisas e a ilusão de sua representação, ou algo parecido...
e agora o dia acabou. dia bonito. solitário. desses dias que a gente passa sem falar mais que o necessário com os colegas de trabalho enquanto o fluxo do monólogo interno se mantém. ininterrupto. é por isso que tenho dificuldade de admitir que preciso de terapia. vou arrumando as gavetas quando falo. sozinha que seja. quando escrevo. mesmo um texto como esse... mas é que é muito bom me perceber por mim mesma. ver quem sou hoje pela opções que fiz há anos.é claro que hoje não seria tão dura, enfática, inclemente. não tenho mais energia pra isso. é. é a idade. mas é justo por ter sido que não sou mais (e que não preciso mais). não quero mais salvar o mundo. que peso tirei das costas! admito que não posso salvar nem os mais próximos. porque. quem disse que o que penso é salvação. que puta arrogância! se eu puder quero só viajar. fazer um mestrado pra "fazer jus ao percentual de aumento no salário" (e, claro, olha que luxo! ter o prazer do conhecimento...)
e deixar a vida seguir. com a saudade, sim tenho sim saudade, do tempo que via no teatro algo além de via de ascensão social. hoje nem isso. será que esse é o gosto dos trinta e poucos? não sei nunca vivi isso antes. como nunca tinha vivido as outras idades antes.
seja como for "ando devagar porque já tive pressa..."
e talvez. hum... talvez (pensei nisso) lá pelo terceiro período mude de curso: geografia, literatura, dança ou direito. não sei ainda.
sexta-feira, julho 25, 2008
segunda-feira, julho 21, 2008
terça-feira, julho 15, 2008
à toa
Eu quero é mais!
que seja
que venham todas essas dores que estão guardadas pra mim
eu sou assim mesmo. Me derramo, me espalho e me transbordo porque minha temperatura é essa mesmo. Eu quero é mais e sempre. Eu abro a boca na chuva. E como esse mundo e mastigo devagarinho pra não engasgar. Eu quero é gargalhar numa tarde de sol com um pouco menos de culpa.
Eu amo mesmo. E descubro camadas desse amor que há em mim. Quantas maneiras há de amar...
Eu quero todas! Eu preciso salivar, eu quero babar pela vida. Eu preciso correr pelas ruas fazendo de conta que tô numa dessas comédias românticas com final feliz.
Pra depois amarrar o cabelo, ir ao mercado e marcar um dentista.
Não nasci pra sofrer, já sei. Às vezes me engano. Às vezes. Mas é bom demais andar à toa.
Eu quero é mais! Andar à toa.
que seja
que venham todas essas dores que estão guardadas pra mim
eu sou assim mesmo. Me derramo, me espalho e me transbordo porque minha temperatura é essa mesmo. Eu quero é mais e sempre. Eu abro a boca na chuva. E como esse mundo e mastigo devagarinho pra não engasgar. Eu quero é gargalhar numa tarde de sol com um pouco menos de culpa.
Eu amo mesmo. E descubro camadas desse amor que há em mim. Quantas maneiras há de amar...
Eu quero todas! Eu preciso salivar, eu quero babar pela vida. Eu preciso correr pelas ruas fazendo de conta que tô numa dessas comédias românticas com final feliz.
Pra depois amarrar o cabelo, ir ao mercado e marcar um dentista.
Não nasci pra sofrer, já sei. Às vezes me engano. Às vezes. Mas é bom demais andar à toa.
Eu quero é mais! Andar à toa.
segunda-feira, julho 14, 2008
terça-feira, julho 08, 2008
domingo, julho 06, 2008
muda (?!?)
não preciso dizer
nada
não posso
é só mais uma história sem importância nenhuma pra ninguém
talvez vire ficção. talvez um verso. nem isso. e pra que isso?
tudo isso. e nada. e só. depois nem história. pra quê?
porque preciso?
não sei. é só um mal-estar que vai passar. de novo. é só a garganta ardendo assim.
uma ponte direta entra o estômago e aqui, bem aqui esse ponto aqui na.
sabe aqui. onde começa a língua? então. é só isso. é só um mal-estar.
e tanto que foi dito. mais não. é um queimor assim. como quando a gente come pimenta.
então. não dá pra falar.
é só isso. sabe aqui no. um incêndio aqui no esterno.
é só. beber água. oito copos, né? bom pra pele. acho.
talvez ler. quem sabe? o que leu na última semana?
não tem importância nenhuma. porque somos os mesmos. não não somos mais os mesmos.
contar moedinhas pra ir ao cinema já não tem mais graça nenhuma.
(será que um dia achei graça nisso?)
mas não rimos mais um do outro ou com o outro.
as moedinhas hoje estão por aí no fundo de alguma gaveta.
mas agora isso não tem mais importância, ou como diria você relevâcia alguma.
talvez apenas uma tonsilite.
talvez só essa crônica (?!)muda.
nada
não posso
é só mais uma história sem importância nenhuma pra ninguém
talvez vire ficção. talvez um verso. nem isso. e pra que isso?
tudo isso. e nada. e só. depois nem história. pra quê?
porque preciso?
não sei. é só um mal-estar que vai passar. de novo. é só a garganta ardendo assim.
uma ponte direta entra o estômago e aqui, bem aqui esse ponto aqui na.
sabe aqui. onde começa a língua? então. é só isso. é só um mal-estar.
e tanto que foi dito. mais não. é um queimor assim. como quando a gente come pimenta.
então. não dá pra falar.
é só isso. sabe aqui no. um incêndio aqui no esterno.
é só. beber água. oito copos, né? bom pra pele. acho.
talvez ler. quem sabe? o que leu na última semana?
não tem importância nenhuma. porque somos os mesmos. não não somos mais os mesmos.
contar moedinhas pra ir ao cinema já não tem mais graça nenhuma.
(será que um dia achei graça nisso?)
mas não rimos mais um do outro ou com o outro.
as moedinhas hoje estão por aí no fundo de alguma gaveta.
mas agora isso não tem mais importância, ou como diria você relevâcia alguma.
talvez apenas uma tonsilite.
talvez só essa crônica (?!)muda.
quarta-feira, junho 04, 2008
segunda-feira, abril 21, 2008
Aí que.
Eita que não morri! Que tô aqui e nem sei porquê.
Eita que, agora que já sei que, quando o que se quer mesmo é sumir, evaporar-se, esfumaçar-se, sair-se de. Aí que. Mesmo quando, o que se quer é se esconder, pensar em não pensar. Esfarelar os sentidos. Refluir as idéias.
Se diluir, derreter, dissolver, desvanecer, dissipar, dispersar, desprender. Distrair-se de si.
Desviar-se do espelho, do relógio, do calendário, da balança, da conta, do medo.
Do olho alheio. Do soslaio.
Borrifar-se no tempo.
Aí é que se descobre que se resiste, persiste, permanece, mantém-se, conserva-se. Inteiro. (?)
Quer-se desistir-se. Deixar-se. Esvair-se. Esvaziar-se.
Quer-se ficar aqui, ali, assim, por aí.
Quieto. Minimo. Ínfimo. Invisível. Esquecido. Descansado.
E no entanto.
Ainda há.
Há. Ainda.
Por mais que se queira virar pó. Poeira.
Se existe.
Se há.
Se é.
Por mais que.
Findar-se. Sustar-se. Estacar. Estancar-se. Esquecer-se.
De si.
Aí é que.
Sustém-se. Assim. Gasto. Avariado. Abatido. Fracionado.
E (ainda) se quer. Um filete, uma sombra, um sopro, um espirro, sinal, traço ou vestígio. Um pretexto. Que seja.
Margem. Miragem. Que seja. Pra onde ir.
Eita que, agora que já sei que, quando o que se quer mesmo é sumir, evaporar-se, esfumaçar-se, sair-se de. Aí que. Mesmo quando, o que se quer é se esconder, pensar em não pensar. Esfarelar os sentidos. Refluir as idéias.
Se diluir, derreter, dissolver, desvanecer, dissipar, dispersar, desprender. Distrair-se de si.
Desviar-se do espelho, do relógio, do calendário, da balança, da conta, do medo.
Do olho alheio. Do soslaio.
Borrifar-se no tempo.
Aí é que se descobre que se resiste, persiste, permanece, mantém-se, conserva-se. Inteiro. (?)
Quer-se desistir-se. Deixar-se. Esvair-se. Esvaziar-se.
Quer-se ficar aqui, ali, assim, por aí.
Quieto. Minimo. Ínfimo. Invisível. Esquecido. Descansado.
E no entanto.
Ainda há.
Há. Ainda.
Por mais que se queira virar pó. Poeira.
Se existe.
Se há.
Se é.
Por mais que.
Findar-se. Sustar-se. Estacar. Estancar-se. Esquecer-se.
De si.
Aí é que.
Sustém-se. Assim. Gasto. Avariado. Abatido. Fracionado.
E (ainda) se quer. Um filete, uma sombra, um sopro, um espirro, sinal, traço ou vestígio. Um pretexto. Que seja.
Margem. Miragem. Que seja. Pra onde ir.
terça-feira, março 04, 2008
O Deus de cada homem
Quando digo “meu Deus”,
afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
em nichos da cidade.
Quando digo “meu Deus”,
crio cumplicidade.
Mais fraco, sou mais forte
do que a desirmandade.
Quando digo “meu Deus”,
grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
rouba-me a liberdade.
Quando digo “meu Deus”,
choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
na microeternidade
Carlos Drummond de Andrade.
afirmo a propriedade.
Há mil deuses pessoais
em nichos da cidade.
Quando digo “meu Deus”,
crio cumplicidade.
Mais fraco, sou mais forte
do que a desirmandade.
Quando digo “meu Deus”,
grito minha orfandade.
O rei que me ofereço
rouba-me a liberdade.
Quando digo “meu Deus”,
choro minha ansiedade.
Não sei que fazer dele
na microeternidade
Carlos Drummond de Andrade.
quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Só eco.
Estou voltando depois de quase um mês sem postar e cheguei a ter dúvidas se continuaria...
"Pra quê?"
É o que me pergunto. Sou só eco. É tanto barulho ultimamente.
Melhor calar. E não estou bem certa sobre o que fazer, aliás cada vez tenho menos certeza sobre quase tudo. Mas o que me animou foram os comentários desses amigos virtuais: Diego, André, e até o Iuri que veio ao Café pela primeira vez.
Foi bom lê-los.
Nos próximos posts vou contando alguns fragmentos desse meu fevereiro tão... Marcante.
Estou meio cansada, embora o sorriso esteja sempre às ordens pra ir levando a vida.
É meu escudo já aprendi faz tempo. As tarefas estão todas aí pra serem cumpridas.
As persigo. Agora vou dormir. Amanhã acordo cedo.
"Pra quê?"
É o que me pergunto. Sou só eco. É tanto barulho ultimamente.
Melhor calar. E não estou bem certa sobre o que fazer, aliás cada vez tenho menos certeza sobre quase tudo. Mas o que me animou foram os comentários desses amigos virtuais: Diego, André, e até o Iuri que veio ao Café pela primeira vez.
Foi bom lê-los.
Nos próximos posts vou contando alguns fragmentos desse meu fevereiro tão... Marcante.
Estou meio cansada, embora o sorriso esteja sempre às ordens pra ir levando a vida.
É meu escudo já aprendi faz tempo. As tarefas estão todas aí pra serem cumpridas.
As persigo. Agora vou dormir. Amanhã acordo cedo.
quinta-feira, janeiro 31, 2008
sábado, janeiro 26, 2008
Lendo e vivendo...
"...Se um cidadão enfermo comparece a um posto de saúde, em princípio deveria merecer toda a atenção do Estado, independentemente do governo vigente. E todo governo, exceto nos regimes autocráticos e ditatoriais, é provisório, ao contrário do Estado, que possui caráter permanente. A promiscuidade entre governo e Estado em países de democracia instável e o modo como aquele abusa deste fazem com que o cidadão enfermo jamais tenha a segurança de que o serviço de saúde pública é um direito que não lhe faltará. Se o governo nomeia incompetentes para gerir o serviço público de saúde e atende aos lobbies da indústria farmacêutica e dos planos privados de saúde, interessados em minar serviços públicos que ameaçam a multiplicaçao dos lucros privados, então o enfermo terá abreviada a sua vida pelo simples fato de o Estado não ser uma instituição estável, consolidada, acima dos caprichos de cada governo que periodica e sucessivamente o ocupa."
Trecho de "A Mosca Azul - Reflexão sobre o poder" de Frei Betto.
Trecho de "A Mosca Azul - Reflexão sobre o poder" de Frei Betto.
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Feito se soubesse
-oi. quê? fala! fala! queimada??? o quê? onde? Souza Aguiar?
Tá. tô indo.
- minha mãe... ela vai...
- vem cá.
- ela vai morrer! vai! tá toda queimada! de repente! que isso? que isso?
- cadê ela? a gente tem que saber.
- não sei, não sei. ela veio na ambulância com o enfermeiro, eu vim atrás.
- vamos perguntar. aí na portaria.
- alguém me ligando... é o enfermeiro. dei o número pra ele.
- quê ele disse?
- ele falou pra gente ir pra outra portaria. a "emergência grande".
- onde é isso? vou perguntar... é ali, lá, lá do outro lado, bora.
- não acredito! que tá acontecendo?
- oi. uma senhora queimada entrou agora aí. minha tia, quero saber onde ela tá. quero ver.
- ali! o enfermeiro que trouxe ela! cadê ela? o que vão fazer agora?
- boa noite senhoras. chegamos com ela agora há pouco, mas aqui não tem vaga. nós estamos entrando em contato com a central de emergência, pra saber onde tem.
- é o quê? quer dizer que minha mãe ainda não foi atendida? que ela ainda tá esperando o primeiro atendimento? ela foi queimada com soda cáustica! ela vai morrer! aquilo ainda tá queimando nela!!!
- olha aqui! isso tem que se resolver a gente não vai ficar esperando quando vai ter vaga sei lá onde. vamos ligar pra todo mundo! somos oito aqui, cada um vai ligando aí pra alguém, vê se a gente consegue vaga com algum amigo.
vou ligar pra minha amiga assessora de imprensa. tenho uns amigos médicos...
mas a gente pode levar ela pra um hostpital particular. pronto.
tá resolvido a gente vai levar pra um desses aí. particular.
- o que acontece senhora é o seguinte: ela chegou no posto de saúde 24 horas lá perto da casa dela, foi colocada no soro, mas lá não tem recurso pra casos de queimadura, então ela foi trazida pra cá, mas chegando aqui soubemos que não tem vaga e agora temos que esperar as ordens da central de emergência.
- esperar?! esperar o quê? a gente já disse que vai levar ela pra um particular.
- senhora ela está na nossa responsbilidade. não podemos liberar. ou ela espera aqui até a central nos comunicar uma vaga ou ela volta pro posto com a gente e lá se liberarem , vocês podem levar.
- como assim? o que você...
- são ordens senhora. a não ser que a senhora ligue pro particular e me ponha no celular com a pessoa responsável que garanta que lá tem vaga.
- não acredito.
- minha mãe vai morrer! o que é isso? o que é isso? ela vai morrer.
- calma! calma! tenho uns números aqui de uns hospitais, peraí. ó tá chamando, peraí.
- aquela merda daquela soda explodiu no rosto dela. ela engoliu aquilo. ela vai...
- cara, não acredito, eu falo do caso e tudo bem, tem vaga, quando me perguntam qual é o plano, que digo que ela não tem, aí dizem que pra esse caso o melhor lugar é o
hospital público... vou dizer que ela tem plano, quero ver.
- senhora, a senhora não pode mentir e dizer que ela tem plano de saúde. ela tem?
- se ela tivesse acha que ela tava aqui?
- então senhora, não podemos. se em vez de ir pro posto perto de casa, ela tivesse ido direto pro particular ou pro andaraí...
- cara, eu não acretido, eu não tô vivendo isso. Não tem vaga no público e você não deixa a gente simplesmente levar pro particular...
- são ordens senhora, não podemos, mas se eu fosse a a senhora voltava com ela pro posto, de repente lá eles liberam vocês. se vocês chegarem de táxi em qualquer hospital particular eles são obrigados a atender com plano de saúde ou não, se não é omissão de socorro. mas nós, ou esperamos aqui a vaga num hospital público, ou levamos pra um particular que gartanta que ela vai ser atendida, e claro que eles não querem atender sem plano alguém que já passou por um atendimento público...
ou voltamos com ela pro posto. Eu achava melhor voltar pro posto, aqui além de não ser atendida, ainda vai ficar aí exposta vendo gente entrando, sabe, vai ver muita coisa, gente baleada aí e tal...
- tão ligando? pra todos os amigos? todo mundo? não acredito nisso...
- minha mãe... o que a gente faz?
- bicho, vamos voltar e lá a gente tenta conversar com o médico, ele libera e a gente vai... vamos?
- ela tá esse tempo todo sem atendimento, só no soro...
- vamos, vai com ela na ambulância a galera aqui das tias vai de táxi. bora.
Sete horas da manhã do dia seguinte, mudança de plantão:
- acabei de falar com o médico, ele disse que ficaram a noite toda tentando vaga, mentira, claro, e que ainda não conseguiram e que quando conseguirem vão transferir ela, só que isso pode acotecer meio-dia, não tem previsão, e que se eu quiser levar que eu assuma a responsabilidade, vai ser à revelia, o que você acha?
- bora agora! vai lá. vou chamar um taxi. pro andaraí?
- liguei pra uma amiga psicóloga que tem uma amiga enfermeira no andaraí, ela falou que é só chegar lá que é atendido, hoje não é dia dela, mas que se a gente quiser ela vai pra lá.
- então já é.
Isto aconteceu na madrugada do dia 15 de janeiro de 2008. Fomos atendidas às 09 horas da manhã, onze horas depois do acidente, ocorrido na tentaiva de desentupir um vaso sanitário: depois de jogar a soda cáustica duas vezes no vaso seguida de água fervente, sem sucesso, minha tia resolveu misturar direto a química numa panela saída do fogo. Foi como um vulcão em seu rosto, pescoço e colo.
Na tarde do mesmo dia pesquisando na internet descobrimos que o "tratamento" de queimadura química é lavar, ensopar de soro, aplicar vaselina líquida, ou em pomada e proteger com gazes, e faixas pra não infeccionar, e claro beber muita água.
Era só isso que o pessoal do posto deveria ter feito se soubesse, e que agora até eu sei.
Por nossa conta decidimos que ela deveria tomar uma antitetânica.
E fazer um plano de saúde.
Tá. tô indo.
- minha mãe... ela vai...
- vem cá.
- ela vai morrer! vai! tá toda queimada! de repente! que isso? que isso?
- cadê ela? a gente tem que saber.
- não sei, não sei. ela veio na ambulância com o enfermeiro, eu vim atrás.
- vamos perguntar. aí na portaria.
- alguém me ligando... é o enfermeiro. dei o número pra ele.
- quê ele disse?
- ele falou pra gente ir pra outra portaria. a "emergência grande".
- onde é isso? vou perguntar... é ali, lá, lá do outro lado, bora.
- não acredito! que tá acontecendo?
- oi. uma senhora queimada entrou agora aí. minha tia, quero saber onde ela tá. quero ver.
- ali! o enfermeiro que trouxe ela! cadê ela? o que vão fazer agora?
- boa noite senhoras. chegamos com ela agora há pouco, mas aqui não tem vaga. nós estamos entrando em contato com a central de emergência, pra saber onde tem.
- é o quê? quer dizer que minha mãe ainda não foi atendida? que ela ainda tá esperando o primeiro atendimento? ela foi queimada com soda cáustica! ela vai morrer! aquilo ainda tá queimando nela!!!
- olha aqui! isso tem que se resolver a gente não vai ficar esperando quando vai ter vaga sei lá onde. vamos ligar pra todo mundo! somos oito aqui, cada um vai ligando aí pra alguém, vê se a gente consegue vaga com algum amigo.
vou ligar pra minha amiga assessora de imprensa. tenho uns amigos médicos...
mas a gente pode levar ela pra um hostpital particular. pronto.
tá resolvido a gente vai levar pra um desses aí. particular.
- o que acontece senhora é o seguinte: ela chegou no posto de saúde 24 horas lá perto da casa dela, foi colocada no soro, mas lá não tem recurso pra casos de queimadura, então ela foi trazida pra cá, mas chegando aqui soubemos que não tem vaga e agora temos que esperar as ordens da central de emergência.
- esperar?! esperar o quê? a gente já disse que vai levar ela pra um particular.
- senhora ela está na nossa responsbilidade. não podemos liberar. ou ela espera aqui até a central nos comunicar uma vaga ou ela volta pro posto com a gente e lá se liberarem , vocês podem levar.
- como assim? o que você...
- são ordens senhora. a não ser que a senhora ligue pro particular e me ponha no celular com a pessoa responsável que garanta que lá tem vaga.
- não acredito.
- minha mãe vai morrer! o que é isso? o que é isso? ela vai morrer.
- calma! calma! tenho uns números aqui de uns hospitais, peraí. ó tá chamando, peraí.
- aquela merda daquela soda explodiu no rosto dela. ela engoliu aquilo. ela vai...
- cara, não acredito, eu falo do caso e tudo bem, tem vaga, quando me perguntam qual é o plano, que digo que ela não tem, aí dizem que pra esse caso o melhor lugar é o
hospital público... vou dizer que ela tem plano, quero ver.
- senhora, a senhora não pode mentir e dizer que ela tem plano de saúde. ela tem?
- se ela tivesse acha que ela tava aqui?
- então senhora, não podemos. se em vez de ir pro posto perto de casa, ela tivesse ido direto pro particular ou pro andaraí...
- cara, eu não acretido, eu não tô vivendo isso. Não tem vaga no público e você não deixa a gente simplesmente levar pro particular...
- são ordens senhora, não podemos, mas se eu fosse a a senhora voltava com ela pro posto, de repente lá eles liberam vocês. se vocês chegarem de táxi em qualquer hospital particular eles são obrigados a atender com plano de saúde ou não, se não é omissão de socorro. mas nós, ou esperamos aqui a vaga num hospital público, ou levamos pra um particular que gartanta que ela vai ser atendida, e claro que eles não querem atender sem plano alguém que já passou por um atendimento público...
ou voltamos com ela pro posto. Eu achava melhor voltar pro posto, aqui além de não ser atendida, ainda vai ficar aí exposta vendo gente entrando, sabe, vai ver muita coisa, gente baleada aí e tal...
- tão ligando? pra todos os amigos? todo mundo? não acredito nisso...
- minha mãe... o que a gente faz?
- bicho, vamos voltar e lá a gente tenta conversar com o médico, ele libera e a gente vai... vamos?
- ela tá esse tempo todo sem atendimento, só no soro...
- vamos, vai com ela na ambulância a galera aqui das tias vai de táxi. bora.
Sete horas da manhã do dia seguinte, mudança de plantão:
- acabei de falar com o médico, ele disse que ficaram a noite toda tentando vaga, mentira, claro, e que ainda não conseguiram e que quando conseguirem vão transferir ela, só que isso pode acotecer meio-dia, não tem previsão, e que se eu quiser levar que eu assuma a responsabilidade, vai ser à revelia, o que você acha?
- bora agora! vai lá. vou chamar um taxi. pro andaraí?
- liguei pra uma amiga psicóloga que tem uma amiga enfermeira no andaraí, ela falou que é só chegar lá que é atendido, hoje não é dia dela, mas que se a gente quiser ela vai pra lá.
- então já é.
Isto aconteceu na madrugada do dia 15 de janeiro de 2008. Fomos atendidas às 09 horas da manhã, onze horas depois do acidente, ocorrido na tentaiva de desentupir um vaso sanitário: depois de jogar a soda cáustica duas vezes no vaso seguida de água fervente, sem sucesso, minha tia resolveu misturar direto a química numa panela saída do fogo. Foi como um vulcão em seu rosto, pescoço e colo.
Na tarde do mesmo dia pesquisando na internet descobrimos que o "tratamento" de queimadura química é lavar, ensopar de soro, aplicar vaselina líquida, ou em pomada e proteger com gazes, e faixas pra não infeccionar, e claro beber muita água.
Era só isso que o pessoal do posto deveria ter feito se soubesse, e que agora até eu sei.
Por nossa conta decidimos que ela deveria tomar uma antitetânica.
E fazer um plano de saúde.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Estamos aí pro que der e vier. Ei, ei...
Felizanonovo!!!!
Eeeeee!!! Viva! Mais um ano! Mais Um.
Vamos ver o que nos traz este ano par. Meu pai diz que sempre teve sorte nos anos pares.
Bom começar o ano com essa convicção. Pelo menos nos anos pares...
Ano que vem a gente inventa outra história...
Hora de arrumar as gavetas, abrir as janelas, respirar fundo e se permitir fazer as mesmas promessas já sabidas não cumpridas.
E riscar da agenda aqueles números que já não se sabe nem porque anotou.
E olhar no espelho pra ver o que a lista cada vez menor de amigos provocou no semblante.
De admitir serenamente a dependência cada vez maior dos ritos de passagem para a sobrevivência em grupo: os presentes, ao almoços de confraternização, os amigos ocultos, os sorrisos congelados e a tentativa sincera de acreditar que isso vale alguma coisa. Que valha!
Mais eis que estamos aqui. Estamos aí pro que der e vier. Ei, ei...
Muitos projetos, sim como não, somos seres produtivos, pró-ativos e produtores.
Cada vez com vocabulário mais refinado (pelo menos. Será?) pra dizer o que já se disse.Cada vez glossário mais labintíntico para dizer (ou não)"te amo".
Não, não nada de acidez ( ou será azedume) logo no iníco do ano, não que isso!
Precisamos inventar um belo queijo pra correr atrás e acreditar que estamos quase alcançando.
Se não fosse o "quase".
Se não fosse o "quase" o que haveria?
Bom, isso é papo pra outro dia, se ainda tiver coragem de escrever alguma coisa.
De preferência que não faça Eduardo morrer de tédio.
Eeeeee!!! Viva! Mais um ano! Mais Um.
Vamos ver o que nos traz este ano par. Meu pai diz que sempre teve sorte nos anos pares.
Bom começar o ano com essa convicção. Pelo menos nos anos pares...
Ano que vem a gente inventa outra história...
Hora de arrumar as gavetas, abrir as janelas, respirar fundo e se permitir fazer as mesmas promessas já sabidas não cumpridas.
E riscar da agenda aqueles números que já não se sabe nem porque anotou.
E olhar no espelho pra ver o que a lista cada vez menor de amigos provocou no semblante.
De admitir serenamente a dependência cada vez maior dos ritos de passagem para a sobrevivência em grupo: os presentes, ao almoços de confraternização, os amigos ocultos, os sorrisos congelados e a tentativa sincera de acreditar que isso vale alguma coisa. Que valha!
Mais eis que estamos aqui. Estamos aí pro que der e vier. Ei, ei...
Muitos projetos, sim como não, somos seres produtivos, pró-ativos e produtores.
Cada vez com vocabulário mais refinado (pelo menos. Será?) pra dizer o que já se disse.Cada vez glossário mais labintíntico para dizer (ou não)"te amo".
Não, não nada de acidez ( ou será azedume) logo no iníco do ano, não que isso!
Precisamos inventar um belo queijo pra correr atrás e acreditar que estamos quase alcançando.
Se não fosse o "quase".
Se não fosse o "quase" o que haveria?
Bom, isso é papo pra outro dia, se ainda tiver coragem de escrever alguma coisa.
De preferência que não faça Eduardo morrer de tédio.
domingo, dezembro 30, 2007
sexta-feira, dezembro 21, 2007
sábado, dezembro 15, 2007
Ah!
São três da manhã e não quero dormir. Fiz isso o dia todo. Cansei.
Mas o que eu queria agora era teu braço aqui. Bem na minha cintura. Só. Sem palavras.
Nem precisava de você. Bastava teu braço e o silêncio.
E esse sorriso no canto da boca que me denuncia! Feito um gato se espreguiçando.
Saboreando essa rejeição que (agora sei) é tua companheira.
Somos parceiros nisso.
Ah! Quanto a isso você não pôde fazer nada.
E faço: “...ah! Não pode fazer nada. Ah!”
Como se faz no fim de uma golada de Coca-Cola.
E releio “Quadrilha”. Se dor serve pra alguma coisa. Que valha!
Soube que degustamos a mesma ferrugem na língua.
O celular desligado.
O e-mail não respondido. O cumprimento burocrático.
O peito apertado pela espera espremida.
Conhecemos o roteiro que seguimos. Cada um por seu desejo.
Por isso rio.
Ah! Não se pode fazer nada. Posso sim! Rio. Há um sorriso aqui no canto da boca.
Que (claro) você não vê. Mas eu sei que essa ferrugem nos mastiga os dois.
Há nisso uma ironia tão fina que mal sustento.
E nessa descoberta mais dor se transfigura. No canto da boca.
Não! Não podemos fazer nada. Só fingir que isso serve pra alguma coisa.
Ah! Não posso fazer nada. Nem beber uma Coca-cola:
“princípio de gastrite”.
Aí tomo uns chopes na Lapa ou discuto os costumes cariocas ou questiono o comportamento masculino na contemporaneidade. Ou...
Depois de certa idade se torna fácil ter um “papo interessante”.
O difícil é distinguir se é mais um clichê.
Se tudo é vaidade.
São três da manhã e o tempo é tão grande que dá medo.
Tenho tempo demais.
Tô de férias. Que medo. Tenho que arranjar o que fazer. Ai que bom que é Natal! Muita promessa pra embrulhar. Muita espuma pra soprar. Muito buraco pra preencher.
É. Eu posso fazer: ”ah!” E rir. Da tua dor. Que é minha.
E que tenho gosto em compartilhar. E dor em testemunhar.
“Ah!”
Mas o que eu queria agora era teu braço aqui. Bem na minha cintura. Só. Sem palavras.
Nem precisava de você. Bastava teu braço e o silêncio.
E esse sorriso no canto da boca que me denuncia! Feito um gato se espreguiçando.
Saboreando essa rejeição que (agora sei) é tua companheira.
Somos parceiros nisso.
Ah! Quanto a isso você não pôde fazer nada.
E faço: “...ah! Não pode fazer nada. Ah!”
Como se faz no fim de uma golada de Coca-Cola.
E releio “Quadrilha”. Se dor serve pra alguma coisa. Que valha!
Soube que degustamos a mesma ferrugem na língua.
O celular desligado.
O e-mail não respondido. O cumprimento burocrático.
O peito apertado pela espera espremida.
Conhecemos o roteiro que seguimos. Cada um por seu desejo.
Por isso rio.
Ah! Não se pode fazer nada. Posso sim! Rio. Há um sorriso aqui no canto da boca.
Que (claro) você não vê. Mas eu sei que essa ferrugem nos mastiga os dois.
Há nisso uma ironia tão fina que mal sustento.
E nessa descoberta mais dor se transfigura. No canto da boca.
Não! Não podemos fazer nada. Só fingir que isso serve pra alguma coisa.
Ah! Não posso fazer nada. Nem beber uma Coca-cola:
“princípio de gastrite”.
Aí tomo uns chopes na Lapa ou discuto os costumes cariocas ou questiono o comportamento masculino na contemporaneidade. Ou...
Depois de certa idade se torna fácil ter um “papo interessante”.
O difícil é distinguir se é mais um clichê.
Se tudo é vaidade.
São três da manhã e o tempo é tão grande que dá medo.
Tenho tempo demais.
Tô de férias. Que medo. Tenho que arranjar o que fazer. Ai que bom que é Natal! Muita promessa pra embrulhar. Muita espuma pra soprar. Muito buraco pra preencher.
É. Eu posso fazer: ”ah!” E rir. Da tua dor. Que é minha.
E que tenho gosto em compartilhar. E dor em testemunhar.
“Ah!”
quarta-feira, dezembro 05, 2007
É só isso que eu quero...
Ah! Que delícia, a Festa - Sarau "Fazendo Scena" foi.
Gestado a partir de conversas com amigos, sobre a falta de espaços para a exposição de trabalhos e da dificuldade em criar canais para trocas entre criadores e produtores, esse evento singelo cumpriu sua delicada função.
Foi uma festa mesmo. Foi um encontro entre amigos. Entre alguns que se fizeram amigos partir dali e houve até quem se reencontrasse depois de muito tempo.
Tive o prazer de cuidar de cada detalhe, de dedicar energia e de receber de volta o carinho de quem sabe (ou percebeu) a importãncia que tem pra mim estar no palco.
E tive também as expressões de surpresa de quem ainda não tinha me visto em cena.
Não por questão de testemunhar alguma virtuose teatral, nada disso, mas apenas por perceber um pouco da paixão que guardo (talvez difarço) atrás desse óculos e da discrição conveniente do dia-dia.
Caramba! Como estou feliz! Vi pessoas curtindo, dançando, se expondo, se abraçando, brincando...
Eu quero é mais. É só isso que que quero.
Feliz pelo acontecido como aconteceu. Me descobri mais forte diante das dificuldades, imprevistos e da companheira permanente: a timidez. Fecho esse ano com essa sensação: Posso fazer! Desse tamanho, desse jeito. Mas (já sei) posso.
Claro, rosas também têm espinhos, e fiz observações sobre o que devo ou não repetir na próxima vez. É, haverá a próxima vez!
Mas também confirmei uma intuição: tudo aconteceu num clima estabelecido por todos, quer dizer todos "fizeram a festa". Cada presença ali estabeleceu o que foi.
Como um mosaico.
"Pois de tudo fica um pouco" já dizia aquele com o qual descobri a poesia: Drummond.
E depois de tudo eu fico mais um pouco. Porque hoje sou mais um pouco de mim.
Que bom isso!
Gestado a partir de conversas com amigos, sobre a falta de espaços para a exposição de trabalhos e da dificuldade em criar canais para trocas entre criadores e produtores, esse evento singelo cumpriu sua delicada função.
Foi uma festa mesmo. Foi um encontro entre amigos. Entre alguns que se fizeram amigos partir dali e houve até quem se reencontrasse depois de muito tempo.
Tive o prazer de cuidar de cada detalhe, de dedicar energia e de receber de volta o carinho de quem sabe (ou percebeu) a importãncia que tem pra mim estar no palco.
E tive também as expressões de surpresa de quem ainda não tinha me visto em cena.
Não por questão de testemunhar alguma virtuose teatral, nada disso, mas apenas por perceber um pouco da paixão que guardo (talvez difarço) atrás desse óculos e da discrição conveniente do dia-dia.
Caramba! Como estou feliz! Vi pessoas curtindo, dançando, se expondo, se abraçando, brincando...
Eu quero é mais. É só isso que que quero.
Feliz pelo acontecido como aconteceu. Me descobri mais forte diante das dificuldades, imprevistos e da companheira permanente: a timidez. Fecho esse ano com essa sensação: Posso fazer! Desse tamanho, desse jeito. Mas (já sei) posso.
Claro, rosas também têm espinhos, e fiz observações sobre o que devo ou não repetir na próxima vez. É, haverá a próxima vez!
Mas também confirmei uma intuição: tudo aconteceu num clima estabelecido por todos, quer dizer todos "fizeram a festa". Cada presença ali estabeleceu o que foi.
Como um mosaico.
"Pois de tudo fica um pouco" já dizia aquele com o qual descobri a poesia: Drummond.
E depois de tudo eu fico mais um pouco. Porque hoje sou mais um pouco de mim.
Que bom isso!
domingo, novembro 18, 2007
Festa - Sarau "Fazendo Scena"
Festa-Sarau
“Fazendo Scena”
A Festa-Sarau “Fazendo Scena” é um encontro entre criadores e produtores, a fim de aproximar esses agentes culturais, estreitando, assim, os laços entre aqueles que podem vir a ser parceiros em projetos futuros.
Tudo isso numa atmosfera descontraída, de alegria e espontaneidade, características típicas do Rio, da Lapa que nos remetem às origens do teatro, nas festividades dionisíacas, pois a festa é um excesso permitido, ou melhor, obrigatório, a ruptura solene de uma proibição.
Valorizando o artista em sua diversidade, no seu desnudamento, no seu entusiasmo, no seu êxtase – seja como poeta, ou ator, músico, palhaço, pintor, fotógrafo, etc. –, “Fazendo Scena” abre as cortinas para que o artista exponha e divulgue trabalhos, em performances, de até 10 minutos, em livre expressão de idéias e sensações.
Dia 1º de dezembro, no Centro Cultural Recordatório
R. Joaquim Silva, 17 – Lapa. A partir das 22 horas.
Entrada: R$ 15,00
Inscrições para performances até dia 28/11: denipetra@gmail.com
Idealização e Concepção: Denise Andrade.
Produção Executiva: Denise Andrade, Élida Cândido, Wanderlei Lemos
Performances confirmadas:
Antônia Watts: “Memento d´Ângelo”
Denise Andrade: “Desencontros”
Élida Cândido: “A escada”
Fernanda Márcia: “Bonecos”
Valéria Gonçalves: “Dança do ventre”
Wanderlei Lemos: “Carrossel”
terça-feira, outubro 30, 2007
segunda-feira, outubro 29, 2007
RECOMEÇO
EU JÁ FUREI MEUS OLHOS
PARA ENXERGAR MAIS.
EU JÁ MIREI TUDO ENFIM.
LÁ FUI O REI!
CEGO, AVANÇEI, RECUEI, ME PERDI
ANTES, ACORRENTADO E FORTE,
MAIS HUMANO QUE DESPEDAÇADO,
RETIREI OS ESOMBROS.
MEU CORPO, EM FOGO,
ERGUI
AGORA , COM AS DORES E FERIDAS,
QUE INTUI,
LANÇO-ME COM VELOCIDADE
NO CAMINHO
QUE ESCOLHI
Mais um carinho de Alexandre Gonzaga (que forte Alexandre!)
PARA ENXERGAR MAIS.
EU JÁ MIREI TUDO ENFIM.
LÁ FUI O REI!
CEGO, AVANÇEI, RECUEI, ME PERDI
ANTES, ACORRENTADO E FORTE,
MAIS HUMANO QUE DESPEDAÇADO,
RETIREI OS ESOMBROS.
MEU CORPO, EM FOGO,
ERGUI
AGORA , COM AS DORES E FERIDAS,
QUE INTUI,
LANÇO-ME COM VELOCIDADE
NO CAMINHO
QUE ESCOLHI
Mais um carinho de Alexandre Gonzaga (que forte Alexandre!)
segunda-feira, outubro 15, 2007
É. É mais fácil mesmo.
Olá! Que bom que está aí. Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória. Uma xilogravura no peito.
(Pausa)
Daí deve ser mais fácil mesmo. Sozinho
Agora as cartas não parecem mais (tão) ridículas.
Mas estão por aí. À procura de.
(sons de garrafas batendo umas nas outras)
Garrafas. Jogam tudo pelas ruas hoje em dia.
(Pigarro) Não tem-de-quê. A gente tem medo de dizer.
Tem pavor de dizer “vem cá”.
Silêncio
É, a gente tem muita coisa pra fazer. E todos os caminhos são os caminhos.
Mas o trem passa. Quando criança queria ser maquinista.
Já tenho o apito. A bola e o campo. Mas sabe, né? Não se joga sozinho.
(Sons de latas batendo umas nas outras).
Mas sozinho é mais fácil não fazer barulho.
Não acho que esteja muito calada.
Acho que gosto de te ouvir. Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória. Um eco que embala o sono. E aquece as mãos.
(sons de apito, rádio velho, sons de mudança de estação, ruídos de narração de jogo de futebol).
Sei desse negócio de extravagância. Um amigo meu pega táxi no dia do pagamento. Coisa de dez minutos. Depois faz o resto do caminho a pé. Faz bem pra saúde.
(Vinheta da "Voz do Brasil")
Eu quero é carona.
Eu quero todas as muletas. Quero todas as cotas ou “políticas afirmativas” que me sejam possíveis. Bolsas, subsídios e similares. Quero colo. “Quero maisi mamãe”
Abre a janela do teu trem aí.
Ah! É mais fácil sozinho.É mesmo. O fio do enredo. As peças do desmonte, né?
Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória.
(sons de plástico-bolha)
Tem gosto de bala Juquinha e.
Quando começo a estourar esse negócio não consigo parar.
Sobe o som de uma música (ainda a ser escolhida)
Rascunho inspirado em "Cartas à procura de garrafas" do meu amigo Máximo Heleno Lustosa da Costa, que pode ser lido em: http://ideiasaderiva.blogspot.com/
Mas há a memória. Uma xilogravura no peito.
(Pausa)
Daí deve ser mais fácil mesmo. Sozinho
Agora as cartas não parecem mais (tão) ridículas.
Mas estão por aí. À procura de.
(sons de garrafas batendo umas nas outras)
Garrafas. Jogam tudo pelas ruas hoje em dia.
(Pigarro) Não tem-de-quê. A gente tem medo de dizer.
Tem pavor de dizer “vem cá”.
Silêncio
É, a gente tem muita coisa pra fazer. E todos os caminhos são os caminhos.
Mas o trem passa. Quando criança queria ser maquinista.
Já tenho o apito. A bola e o campo. Mas sabe, né? Não se joga sozinho.
(Sons de latas batendo umas nas outras).
Mas sozinho é mais fácil não fazer barulho.
Não acho que esteja muito calada.
Acho que gosto de te ouvir. Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória. Um eco que embala o sono. E aquece as mãos.
(sons de apito, rádio velho, sons de mudança de estação, ruídos de narração de jogo de futebol).
Sei desse negócio de extravagância. Um amigo meu pega táxi no dia do pagamento. Coisa de dez minutos. Depois faz o resto do caminho a pé. Faz bem pra saúde.
(Vinheta da "Voz do Brasil")
Eu quero é carona.
Eu quero todas as muletas. Quero todas as cotas ou “políticas afirmativas” que me sejam possíveis. Bolsas, subsídios e similares. Quero colo. “Quero maisi mamãe”
Abre a janela do teu trem aí.
Ah! É mais fácil sozinho.É mesmo. O fio do enredo. As peças do desmonte, né?
Às vezes tenho a impressão.
Mas há a memória.
(sons de plástico-bolha)
Tem gosto de bala Juquinha e.
Quando começo a estourar esse negócio não consigo parar.
Sobe o som de uma música (ainda a ser escolhida)
Rascunho inspirado em "Cartas à procura de garrafas" do meu amigo Máximo Heleno Lustosa da Costa, que pode ser lido em: http://ideiasaderiva.blogspot.com/
quarta-feira, outubro 10, 2007
quarta-feira, outubro 03, 2007
terça-feira, outubro 02, 2007
Bom te ver
Ah! Que bom te ver! Fazia tempo...
É engraçado como a memória nos protege da insipidez cotidiana.
Faço mil coisas, cumpro trezentas tarefas, parece que me esqueço, penso que me esqueço.
Me convenço que esqueço.
Mas se te encontro...
Me reencontro: sou um homem provisório, efêmero, inconsútil.
Todos os dias desisto de ti. Todos os dias preciso desistir.
Mas a memória me salva da desfaçatez íntima.
Tua sombra sépia me acompanha e reflete aquilo que me denuncia a mim mesmo.
E ao qual me rendo imediata e incontestavelmente.
E admito que o tempo tem vida própria dentro de mim. Ele fica sentado me vendo passar. E se ri de mim se por um acaso, coincidência, infortúnio ou fortuna confirmo o relógio parado. Enquanto escrevo atendo telefonemas, envio e-mails, pesquiso sobre os quarenta anos da morte de Che Guevara, opino sobre a roupa da minha colega de trabalho, faço contas, faço planos nos quais não há tua presença, decoro um texto que li contigo. E colho a Rosa da terra queimada que plantaste em mim num crepúsculo que (eu sei) só eu lembro e releio as confissões virtuais em letras minúsculas guardadas em pasta com teu nome.
Ah! Que bom te ver! Faz tantos dias e foi ontem. E estou lá. E estou aqui.
Mas não podes me ver, me saber, me ler. Não há como. Por mais que me mostre.
Por mais que eu te mostre minha ausência.
Que bom te ver assim como em ondas que vêm e te trazem e logo te levam dissolvido na minha memória.
Mesmo que essa tua saudade não possa ser derramada por mim.
Bom te ver.
É engraçado como a memória nos protege da insipidez cotidiana.
Faço mil coisas, cumpro trezentas tarefas, parece que me esqueço, penso que me esqueço.
Me convenço que esqueço.
Mas se te encontro...
Me reencontro: sou um homem provisório, efêmero, inconsútil.
Todos os dias desisto de ti. Todos os dias preciso desistir.
Mas a memória me salva da desfaçatez íntima.
Tua sombra sépia me acompanha e reflete aquilo que me denuncia a mim mesmo.
E ao qual me rendo imediata e incontestavelmente.
E admito que o tempo tem vida própria dentro de mim. Ele fica sentado me vendo passar. E se ri de mim se por um acaso, coincidência, infortúnio ou fortuna confirmo o relógio parado. Enquanto escrevo atendo telefonemas, envio e-mails, pesquiso sobre os quarenta anos da morte de Che Guevara, opino sobre a roupa da minha colega de trabalho, faço contas, faço planos nos quais não há tua presença, decoro um texto que li contigo. E colho a Rosa da terra queimada que plantaste em mim num crepúsculo que (eu sei) só eu lembro e releio as confissões virtuais em letras minúsculas guardadas em pasta com teu nome.
Ah! Que bom te ver! Faz tantos dias e foi ontem. E estou lá. E estou aqui.
Mas não podes me ver, me saber, me ler. Não há como. Por mais que me mostre.
Por mais que eu te mostre minha ausência.
Que bom te ver assim como em ondas que vêm e te trazem e logo te levam dissolvido na minha memória.
Mesmo que essa tua saudade não possa ser derramada por mim.
Bom te ver.
quinta-feira, setembro 27, 2007
quarta-feira, setembro 26, 2007
A CADA ESTAÇÃO
LÁ VAI O TREM QUE INSISTE EM NÃO PARAR,
LÁ VAI O TREM QUE NÃO TEM HORA PRA CHEGAR.
AS LEMBRANÇAS DE MENINO?
FICARAM NO FUNDO DA MALA SEM FUNDO.
AS DE BEM MOÇO SÃO PAISAGENS LÁ ATRÁS.
AGORA, A VIAGEM É DOCE.
ESTOU ONDE DEVERIA ESTAR
E NO RITMO QUE VOU
TÃO CEDO NÃO QUERO CHEGAR.
LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM .
QUE INSISTE EM NÃO PARAR.
De Alexandre Gonzaga meu colega de teatro e parceiro nas palavras.
LÁ VAI O TREM QUE NÃO TEM HORA PRA CHEGAR.
AS LEMBRANÇAS DE MENINO?
FICARAM NO FUNDO DA MALA SEM FUNDO.
AS DE BEM MOÇO SÃO PAISAGENS LÁ ATRÁS.
AGORA, A VIAGEM É DOCE.
ESTOU ONDE DEVERIA ESTAR
E NO RITMO QUE VOU
TÃO CEDO NÃO QUERO CHEGAR.
LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM, LÁ VAI O TREM .
QUE INSISTE EM NÃO PARAR.
De Alexandre Gonzaga meu colega de teatro e parceiro nas palavras.
sexta-feira, setembro 21, 2007
sexta-feira, setembro 14, 2007
Sem que nem mesmo você saiba
"Tenho pensado sobre as sensações que me assaltam durante minhas viagens diárias do trabalho até minha casa. São sensações que oscilam entre a coragem e o medo; o ânimo e a timidez; a iniciativa e a inércia; E quando penso nesse pêndulo em que me tornei, me vejo flutuando por sobre as pessoas, os lugares, os pensamentos.
Fluida e etérea.
Sou elástica: vou e volto sem sair de mim.
Capturo por segundos o (teu) olhar que desejo e o guardo na memória.
Assim ele é meu sem deixar o lugar onde está.
É meu sem que nem mesmo você saiba.
Sinto uma solidão de um azul tão profundo que me abraça, me acaricia e aprisiona.
E aceito esse colo pela conveniência da rotina segura.
Aqui aprendi a conjugar a vida no futuro do pretérito.
Uma espera passiva por algo que, ao não acontecer confirma a espera.
Minha história é uma fotografia em cor sépia.
Esmaecida, amarelada.
Meu gosto é gostaria.
Minha vontade é só torcida.
Minha eloqüência é esse silêncio que ninguém decifra.
E mesmo assim aqui estou. Parada. Perto. Pronta.
E anseio, observo, busco em sua expressão cansada um fio de esperança, de ilusão de que você seja a exceção que procuro e que (por isso) me paralisa".
Texto inspirado na personagem "Senhora" da peça "Mais Um" do dramaturgo paulista Cássio Pires.
Fluida e etérea.
Sou elástica: vou e volto sem sair de mim.
Capturo por segundos o (teu) olhar que desejo e o guardo na memória.
Assim ele é meu sem deixar o lugar onde está.
É meu sem que nem mesmo você saiba.
Sinto uma solidão de um azul tão profundo que me abraça, me acaricia e aprisiona.
E aceito esse colo pela conveniência da rotina segura.
Aqui aprendi a conjugar a vida no futuro do pretérito.
Uma espera passiva por algo que, ao não acontecer confirma a espera.
Minha história é uma fotografia em cor sépia.
Esmaecida, amarelada.
Meu gosto é gostaria.
Minha vontade é só torcida.
Minha eloqüência é esse silêncio que ninguém decifra.
E mesmo assim aqui estou. Parada. Perto. Pronta.
E anseio, observo, busco em sua expressão cansada um fio de esperança, de ilusão de que você seja a exceção que procuro e que (por isso) me paralisa".
Texto inspirado na personagem "Senhora" da peça "Mais Um" do dramaturgo paulista Cássio Pires.
quarta-feira, setembro 05, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
sexta-feira, agosto 31, 2007
quarta-feira, agosto 29, 2007
terça-feira, agosto 28, 2007
Sempre ou do contrário não serve
Todo amor que houver!
Todos
Todo.
Inteiro
Integral
Infinito.
Pra sempre. Nesse momento.
Eterno. Agora.
Aberto.
Exposto.
Entregue.
Rasgado
Flagrado.
À flor da pele.
E do olho
Que transborda.
Todos
Todo.
Inteiro
Integral
Infinito.
Pra sempre. Nesse momento.
Eterno. Agora.
Aberto.
Exposto.
Entregue.
Rasgado
Flagrado.
À flor da pele.
E do olho
Que transborda.
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terça-feira, agosto 21, 2007
segunda-feira, agosto 20, 2007
Sábado de sol
Sábado de sol. Muito sol. De um céu de Magritte tão absoluto que é impossível ficar em casa reclamando do inevitável passar dos anos. Foi o tempo que me trouxe aqui, que me fez ser o que sou hoje.
Portanto mesmo negociando com a preguiça, com a tendinite patelar (companheira de anos) e, claro, me convencendo de que a distância entre minha casa e a Cidade dos Esportes é pequeno detalhe, decidi assistir a alguma das finais do Parapan.
E estou aqui nesse lugar onde definitivamente medalha é mero objeto simbólico de vitórias diárias não contabilizadas. Conquistas pessoais, obstáculos vencidos, limites superados que fazem parte da história de vários dos aqui presentes, tanto atletas quanto platéia.
E eu aqui rindo à toa por testemunhar um clima raro de paz e liberdade entre os que circulam pelas arquibancadas, corredores e rampas. Todos querem comemorar a vida. Só. Só?
E estamos aqui no meio das matracas, cornetas e batuques que esquentam o coração do torcedor mais esforçado em ser discreto, como eu. Isso em plena decisão do basquete masculino entre Brasil e Argentina. Impossível ficar parado.
Então o gelo vai irremediavelmente derretendo e me vejo de repente no meio do estádio gritando: éeeeeeeeeeeeeeeehhhhhhhh Brasil! E levantando obedientemente ao comando do animador de platéia (profissão do futuro?) os braços na ohla.
E, claro, arrastando Djair que nesse instante só quer saber de detonar o sacão de pipocas que é (era) nosso. Ele embarca na brincadeira encantado com a multidão (quase) sincronizada.
De repente uma chuva de gaivotas de papel em todas as direções: as crianças do seu jeito participando da festa. O olho de Djair salta ao assistir o menino da cadeira de baixo lançar seu modelo fabricado ali na hora. Nem pisquei: lá se foi uma das páginas de um texto que eu estava decorando. Nas mãos desse cara que me surpreende sempre, essa gaivota ganha asas inimagináveis e rodopia livremente até cair na cabeça de uma menina que ri (como se tivesse sido sorteada) e o envia mais pra frente. Logo aparece muita matéria-prima (prospectos de divulgação) extremamente útil ao engenho de nossos Pequenos Príncipes de última hora. Uma menina de óculos pede ajuda para finalizar seu protótipo e assim ele possa voar mais longe, então acompanhamos, eu e ela, as mãos ágeis desse meu irmão que se me revela diariamente.
Inúteis os apelos dos organizadores e olhares recriminadores de alguns adultos.
Eu, em outra ocasião, provavelmente concordaria com as ordens de manter a ordem, mas diante daquele sorriso, minha rendição era certa, incondicional e voluntária.
E nós assim simplesmente experimentando. Nos permitindo. Sem preocupações, elocubrações, divagações, explicações, justificativas.
Nem quero saber se esse evento como qualquer outro vai ser usado na propaganda política da campanha eleitoral do ano que vem. Nem quero saber, porque já sei que vai, mas nesse momento sou apenas mais uma pessoa aqui igual a todo mundo.
Nesse momento com a alma mais leve num fim-de-tarde de inverno, quando Djair me mostra o pôr do sol, o que eu sei é que isso tem nome.
Isso é felicidade
Portanto mesmo negociando com a preguiça, com a tendinite patelar (companheira de anos) e, claro, me convencendo de que a distância entre minha casa e a Cidade dos Esportes é pequeno detalhe, decidi assistir a alguma das finais do Parapan.
E estou aqui nesse lugar onde definitivamente medalha é mero objeto simbólico de vitórias diárias não contabilizadas. Conquistas pessoais, obstáculos vencidos, limites superados que fazem parte da história de vários dos aqui presentes, tanto atletas quanto platéia.
E eu aqui rindo à toa por testemunhar um clima raro de paz e liberdade entre os que circulam pelas arquibancadas, corredores e rampas. Todos querem comemorar a vida. Só. Só?
E estamos aqui no meio das matracas, cornetas e batuques que esquentam o coração do torcedor mais esforçado em ser discreto, como eu. Isso em plena decisão do basquete masculino entre Brasil e Argentina. Impossível ficar parado.
Então o gelo vai irremediavelmente derretendo e me vejo de repente no meio do estádio gritando: éeeeeeeeeeeeeeeehhhhhhhh Brasil! E levantando obedientemente ao comando do animador de platéia (profissão do futuro?) os braços na ohla.
E, claro, arrastando Djair que nesse instante só quer saber de detonar o sacão de pipocas que é (era) nosso. Ele embarca na brincadeira encantado com a multidão (quase) sincronizada.
De repente uma chuva de gaivotas de papel em todas as direções: as crianças do seu jeito participando da festa. O olho de Djair salta ao assistir o menino da cadeira de baixo lançar seu modelo fabricado ali na hora. Nem pisquei: lá se foi uma das páginas de um texto que eu estava decorando. Nas mãos desse cara que me surpreende sempre, essa gaivota ganha asas inimagináveis e rodopia livremente até cair na cabeça de uma menina que ri (como se tivesse sido sorteada) e o envia mais pra frente. Logo aparece muita matéria-prima (prospectos de divulgação) extremamente útil ao engenho de nossos Pequenos Príncipes de última hora. Uma menina de óculos pede ajuda para finalizar seu protótipo e assim ele possa voar mais longe, então acompanhamos, eu e ela, as mãos ágeis desse meu irmão que se me revela diariamente.
Inúteis os apelos dos organizadores e olhares recriminadores de alguns adultos.
Eu, em outra ocasião, provavelmente concordaria com as ordens de manter a ordem, mas diante daquele sorriso, minha rendição era certa, incondicional e voluntária.
E nós assim simplesmente experimentando. Nos permitindo. Sem preocupações, elocubrações, divagações, explicações, justificativas.
Nem quero saber se esse evento como qualquer outro vai ser usado na propaganda política da campanha eleitoral do ano que vem. Nem quero saber, porque já sei que vai, mas nesse momento sou apenas mais uma pessoa aqui igual a todo mundo.
Nesse momento com a alma mais leve num fim-de-tarde de inverno, quando Djair me mostra o pôr do sol, o que eu sei é que isso tem nome.
Isso é felicidade
quinta-feira, agosto 16, 2007
segunda-feira, agosto 13, 2007
A um ausente
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,
enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, agosto 08, 2007
terça-feira, agosto 07, 2007
segunda-feira, julho 30, 2007
segunda-feira, julho 23, 2007
Ainda
Quase duas semanas sem postar!!!
O Café fechou para tratamento intensivo. Foi acomentido por uma enfermidade em suas células:
alteração no seu html. Causada por minhas pesquisas cibernéticas. Dez dias de CTI, soro na veia, balão de gás, consultas e exames. Até que Marcus (agora pra mim Dr. Marcus!) entrasse em ação com precisão cirúrgica.
E o que houve com o mundo?
Está mais rápido ( em torno de 150 Km por hora em pista escorregadia?) e mais quente (cerca de 1000 graus Celsius?) e mais triste.
Bem que a gente tenta fazer graça com nossas intempéries particulares, mas situações inesperadas que ocorrem assim com (duas centenas !!!) desconhecidos (iguais a nós) nos abocanha e mastiga.
Tritura a alma que repousa num corpo cansado. Pela primeira vez na minha vida posso oferecer a meu pai uma viagem de avião (que a gente julga confortável) até a terra que guarda suas aventuras de menino com as rolinhas que lhe acarinhava o estômago. E agora tenho que esperar essa fraqueza passar.
Mal cheguei à classe média que até pouco tempo nem conhecia e me vejo contagiada por seu modus vivendi.
Medo de sair à noite? Dos meninos jogados nas ruas? Necessidade de comprar o que nem sei se preciso. Malabarismos bancários subseqüêntes. Tédio crônico. Discussões metafísicas na mesa do bar que sabemos, não levarão a nada mais do que à sensação de que temos capital cultural suficiente para sustentar uma esplanação recheada de citações acadêmicas.
E tudo é vaidade. Claro! Nós somos os "oclinhos", estamos antenados com o look, a música, o filme, a peça, o livro que devemos conhecer. Fazemos fila na porta do Odeon, na Cinelância, pra que todos testemunhem o quanto somos cultos. Se for filme mostrando preto, pobre ou doido então, aí é o ápice. Gozo geral (arte-terapia? Pulsão de morte? Grotesco medievo? Circo romano?). Somos agentes conscientes, cidadãos participantes. "Pagamos impostos". Temos a língua afiada contra essa endemia que infecta o país, uma virose que se retro-alimenta, como um parasita que precisa de um hospedeiro.
Um câncer que se fortalece da vítima que se lhe oferece em sacrifício.
Essa moléstia que está aí: corrupção que sufoca qualquer esperança. E que só cresce.
Porque nós não fazemos nada! Não paramos o mundo, ficamos preocupados quando o trânsito fica lento, porque precisamos cumprir tarefas, horários, agendas, compromissos.
Trabalhar mais pra comprar mais.
Garantir um futuro que nem mais a Deus pertence.
E o que fazer?
Diante desse cenário fazemos escolhas, escalas, escolas.
Ainda leio, ainda paro, respiro. Ainda me aparecem Isabella, Luísa, Melissa, Leonardo, Giovanna.
Quê que eu falo pra eles? Até agora eles é que têm me dito muito. Sem traduções racionais.
Ainda conheço "Mais Um" de Cássio Pires. E os surpreendentes encontros que essa descoberta proporcionou. Ainda ... Reajo. Escrevo ( e vale?)
Ainda (às vezes) fico feliz.
domingo, julho 22, 2007
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